- A mineração brasileira está gerando empregos verdes impulsionados pela transição energética e agenda ESG, com 32,8% das novas vagas exigindo competências sustentáveis.
- A ONU estima a criação de 7,1 milhões de vagas verdes no Brasil até 2030, enquanto contratações verdes crescem quase duas vezes mais rápido que a formação de talentos qualificados.
- Profissionais com competências híbridas que combinam engenharia, tecnologia digital e responsabilidade socioambiental ganham vantagem competitiva em um setor que movimenta R$ 399 bilhões anuais.
A mineração brasileira vive uma transformação histórica: a pressão por práticas sustentáveis e a corrida pela descarbonização não apenas alteram processos, mas redefinem o próprio conceito de trabalho no setor. Essa mudança tem impulsionado os chamados empregos verdes e a inovação tecnológica, além de fortalecer economias locais, conectando competitividade e responsabilidade socioambiental.
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Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a transição para uma economia de baixo carbono pode gerar até 24 milhões de empregos verdes no mundo até 2030, sendo cerca de 18 milhões no setor de energia e outros 6 milhões ligados à economia circular. No Brasil, a ONU estima a criação de aproximadamente 7,1 milhões de vagas.

Em recente estudo do LinkedIn, as contratações verdes cresceram quase duas vezes mais rápido que a formação de talentos. Na mineração, 32,8% das novas vagas exigem competências sustentáveis. No Brasil, a participação subiu de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025, mostrando que a transição ecológica é também uma oportunidade econômica e de qualificação profissional.
Esse movimento já impacta a cadeia mineral, que responde por mais de R$ 399 bilhões anuais – cerca de 3,4% do PIB brasileiro – conforme estudo da EY. A transição energética e a economia de baixo carbono estão no centro dessa transformação, exigindo profissionais com novas competências técnicas, digitais e socioambientais.
Nesta reportagem, você vai conhecer os impactos dessa mudança e como a agenda ESG e a corrida pela descarbonização têm redesenhado funções tradicionais, formando perfis híbridos e criando oportunidades que fortalecem territórios por meio da economia circular e da inovação.
A revolução das competências na mineração brasileira
A corrida pela descarbonização e a busca por práticas ESG estão redefinindo funções tradicionais e criando oportunidades na mineração. Essa transformação conecta competitividade e responsabilidade socioambiental, impulsiona inovação tecnológica e fortalece economias locais em regiões produtoras.
Para Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY Brasil, os efeitos são evidentes: “As iniciativas ESG estão gerando um impacto significativo no setor, movimentando investimentos em energia renovável, beneficiamento local de minerais críticos e promovendo a restauração de áreas degradadas”, afirmou em entrevista ao Radar Mineração.
Ele cita exemplos práticos: “Quando uma grande empresa, como a Vale, investe em parques solares e eólicos, isso não apenas reduz a pegada de carbono, mas também gera novas oportunidades de trabalho.” Em 2023, a Vale antecipou metas e alcançou 100% de eletricidade renovável no Brasil, exigindo mão de obra qualificada.
Sartório detalha as áreas com maior potencial: “Com a transição energética e a descarbonização, as áreas que mais se destacam incluem engenharia e manutenção de energias renováveis, beneficiamento e processamento de minerais críticos, gestão de carbono e funções digitais.” Para ele, a requalificação será essencial.
Mas a mudança não é apenas técnica – é também cultural. Gustavo Cruz, CEO do Instituto Minere, alerta: “Transformações digital e energética só acontecem quando entendemos o ecossistema em que elas se inserem.” Ele complementa que empresas rígidas enfrentam barreiras organizacionais, enquanto estruturas flexíveis permitem inovação.
Nesse cenário, a fluência tecnológica deixa de ser diferencial e passa a ser linguagem de trabalho. “IA, IoT, automação, gêmeos digitais, energia limpa e ESG não são tendências, mas partes estruturantes da operação”, cita Cruz para o Rm. Para ele, profissionais devem dominar métodos ágeis, prototipagem e integração com startups.
Essa nova lógica também muda a forma de medir resultados. Incorporar métricas ESG é tendência global, e projetos de geração renovável apresentam projetos com prazo de retorno (payback) acelerado quando se considera economia de energia e menor volatilidade de custos. Quem unir técnica, digital e socioambiental estará na linha de frente dessa revolução. “Profissionais precisam desenvolver competências que vão além do domínio tecnológico, como visão sistêmica, capacidade relacional e habilidade de construir narrativas que conectem o agora com o futuro.”, finaliza Cruz.
Entre os empregos verdes mais procurados estão engenheiro ambiental, especialista em energia renovável, gestor de carbono, analista de mitigação de riscos ambientais e profissional de recuperação de áreas degradadas. No setor mineral, cresce a busca por perfis híbridos que unam técnica, digital e socioambiental. Quem dominar essa combinação terá vantagem competitiva.
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