Ilustração de mineração sustentável que gera empregos verdes, com equipamentos de escavação e turbinas eólicas ao fundo, destacando a transformação de territórios.
Ilustração digital

Mineração impulsiona empregos verdes e transforma territórios

A agenda ESG e a transição energética estão mudando funções e criando oportunidades no setor

Por Hélvio Macellane, especial para o Radar Mineração, 3 min de leitura

Publicado em 18/12/2025

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A mineração brasileira vive uma transformação histórica: a pressão por práticas sustentáveis e a corrida pela descarbonização não apenas alteram processos, mas redefinem o próprio conceito de trabalho no setor. Essa mudança tem impulsionado os chamados empregos verdes e a inovação tecnológica, além de fortalecer economias locais, conectando competitividade e responsabilidade socioambiental.

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Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a transição para uma economia de baixo carbono pode gerar até 24 milhões de empregos verdes no mundo até 2030, sendo cerca de 18 milhões no setor de energia e outros 6 milhões ligados à economia circular. No Brasil, a ONU estima a criação de aproximadamente 7,1 milhões de vagas.  

Infográfico sobre mineração, empregos verdes e transição energética no Brasil destacando 24 milhões de empregos verdes até 2030, geração na economia, e combate às mudanças climáticas com energia renovável
Infográfico: Radar Mineração

Em recente estudo do LinkedIn, as contratações verdes cresceram quase duas vezes mais rápido que a formação de talentos. Na mineração, 32,8% das novas vagas exigem competências sustentáveis. No Brasil, a participação subiu de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025, mostrando que a transição ecológica é também uma oportunidade econômica e de qualificação profissional.

Esse movimento já impacta a cadeia mineral, que responde por mais de R$ 399 bilhões anuais – cerca de 3,4% do PIB brasileiro – conforme estudo da EY. A transição energética e a economia de baixo carbono estão no centro dessa transformação, exigindo profissionais com novas competências técnicas, digitais e socioambientais.

Nesta reportagem, você vai conhecer os impactos dessa mudança e como a agenda ESG e a corrida pela descarbonização têm redesenhado funções tradicionais, formando perfis híbridos e criando oportunidades que fortalecem territórios por meio da economia circular e da inovação.

A revolução das competências na mineração brasileira

A corrida pela descarbonização e a busca por práticas ESG estão redefinindo funções tradicionais e criando oportunidades na mineração. Essa transformação conecta competitividade e responsabilidade socioambiental, impulsiona inovação tecnológica e fortalece economias locais em regiões produtoras.

Para Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY Brasil, os efeitos são evidentes: “As iniciativas ESG estão gerando um impacto significativo no setor, movimentando investimentos em energia renovável, beneficiamento local de minerais críticos e promovendo a restauração de áreas degradadas”, afirmou em entrevista ao Radar Mineração.

Ele cita exemplos práticos: “Quando uma grande empresa, como a Vale, investe em parques solares e eólicos, isso não apenas reduz a pegada de carbono, mas também gera novas oportunidades de trabalho.” Em 2023, a Vale antecipou metas e alcançou 100% de eletricidade renovável no Brasil, exigindo mão de obra qualificada.

Sartório detalha as áreas com maior potencial: “Com a transição energética e a descarbonização, as áreas que mais se destacam incluem engenharia e manutenção de energias renováveis, beneficiamento e processamento de minerais críticos, gestão de carbono e funções digitais.” Para ele, a requalificação será essencial.

Mas a mudança não é apenas técnica – é também cultural. Gustavo Cruz, CEO do Instituto Minere, alerta: “Transformações digital e energética só acontecem quando entendemos o ecossistema em que elas se inserem.” Ele complementa que empresas rígidas enfrentam barreiras organizacionais, enquanto estruturas flexíveis permitem inovação.

Nesse cenário, a fluência tecnológica deixa de ser diferencial e passa a ser linguagem de trabalho. “IA, IoT, automação, gêmeos digitais, energia limpa e ESG não são tendências, mas partes estruturantes da operação”, cita Cruz para o Rm. Para ele, profissionais devem dominar métodos ágeis, prototipagem e integração com startups.

Essa nova lógica também muda a forma de medir resultados. Incorporar métricas ESG é tendência global, e projetos de geração renovável apresentam projetos com prazo de retorno (payback) acelerado quando se considera economia de energia e menor volatilidade de custos. Quem unir técnica, digital e socioambiental estará na linha de frente dessa revolução. “Profissionais precisam desenvolver competências que vão além do domínio tecnológico, como visão sistêmica, capacidade relacional e habilidade de construir narrativas que conectem o agora com o futuro.”, finaliza Cruz. 

Entre os empregos verdes mais procurados estão engenheiro ambiental, especialista em energia renovável, gestor de carbono, analista de mitigação de riscos ambientais e profissional de recuperação de áreas degradadas. No setor mineral, cresce a busca por perfis híbridos que unam técnica, digital e socioambiental. Quem dominar essa combinação terá vantagem competitiva.

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Dúvidas mais comuns

Empregos verdes são postos de trabalho decentes que contribuem para reduzir emissões de carbono ou para melhorar e preservar a qualidade ambiental. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), incluem trabalhos em agricultura, manufatura, pesquisa e desenvolvimento, administração e serviços que preservam ou restauram a qualidade do meio ambiente. Na mineração, esses empregos estão crescendo rapidamente devido à transição energética e à agenda ESG.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a transição para uma economia de baixo carbono pode gerar até 24 milhões de empregos verdes no mundo até 2030, sendo cerca de 18 milhões no setor de energia e outros 6 milhões ligados à economia circular. No Brasil, a ONU estima a criação de aproximadamente 7,1 milhões de vagas, representando uma oportunidade significativa de qualificação profissional e desenvolvimento econômico.

Os empregos verdes mais procurados na mineração incluem engenheiro ambiental, especialista em energia renovável, gestor de carbono, analista de mitigação de riscos ambientais e profissional de recuperação de áreas degradadas. O setor também busca crescentemente por perfis híbridos que unam competências técnicas, digitais e socioambientais, oferecendo vantagem competitiva para profissionais que dominam essa combinação.

A transição energética está redefinindo funções tradicionais e criando novas oportunidades na mineração. Empresas como a Vale investem em parques solares e eólicos, gerando demanda por mão de obra qualificada em engenharia e manutenção de energias renováveis, beneficiamento de minerais críticos e gestão de carbono. Em 2023, a Vale alcançou 100% de eletricidade renovável no Brasil, exemplificando como essas iniciativas transformam o setor.

As contratações verdes cresceram quase duas vezes mais rápido que a formação de talentos, segundo estudo recente do LinkedIn. Na mineração, 32,8% das novas vagas exigem competências sustentáveis. No Brasil, a participação de vagas com requisitos verdes subiu de 12,1% em 2021 para 18,1% em 2025, demonstrando que a transição ecológica é também uma oportunidade econômica e de qualificação profissional.

Profissionais devem desenvolver competências que vão além do domínio tecnológico, incluindo visão sistêmica, capacidade relacional e habilidade de construir narrativas que conectem o presente com o futuro. As áreas técnicas mais importantes incluem engenharia e manutenção de energias renováveis, beneficiamento de minerais críticos, gestão de carbono e funções digitais. Também é essencial dominar métodos ágeis, prototipagem, IoT, automação e gêmeos digitais.

A agenda ESG está gerando impacto significativo no setor, movimentando investimentos em energia renovável, beneficiamento local de minerais críticos e promovendo a restauração de áreas degradadas. Essas iniciativas não apenas reduzem a pegada de carbono das operações, mas também fortalecem economias locais e criam novas oportunidades de trabalho. A cadeia mineral brasileira responde por mais de R$ 399 bilhões anuais, cerca de 3,4% do PIB, e está sendo redefinida por essas práticas sustentáveis.

A transformação digital e energética só ocorrem quando se compreende o ecossistema em que se inserem. Empresas rígidas enfrentam barreiras organizacionais, enquanto estruturas flexíveis permitem inovação. A fluência tecnológica deixa de ser diferencial e passa a ser linguagem de trabalho, exigindo que profissionais e organizações adotem uma mentalidade de aprendizado contínuo e adaptação às mudanças do setor.