Uma abelha em uma flor amarela vibrante com centro escuro. O fundo verde desfocado cria uma atmosfera serena e natural.
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Abelhas e plantas formam redes naturais para restaurar áreas mineradas na Amazônia

Estudo identifica espécies que interagem entre si e aceleram a regeneração de ecossistemas em áreas de extração mineral

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 27/11/2025 | Atualizado em 03/12/2025

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  • Estudo do Instituto Tecnológico Vale identifica dez espécies de abelhas e dez de plantas que formam redes ecológicas capazes de acelerar a restauração de áreas mineradas na Amazônia.
  • Pesquisadores descobriram que apenas cinco espécies de abelhas e doze de plantas concentram mais da metade das interações ecológicas em áreas degradadas da Floresta Nacional de Carajás.
  • Integrar polinizadores generalistas nos projetos de reflorestamento garante interações duradouras e estabilidade ecológica de longo prazo, além de beneficiar pequenos agricultores e grandes mineradores.
Resumo revisado pela redação.

Em áreas de mineração, a recuperação ambiental garante o equilíbrio dos ecossistemas e o reflorestamento é uma das etapas mais importantes desse processo. Uma pesquisa do Instituto Tecnológico Vale (ITV), publicada pela revista Restoration Ecology, mostrou que dez espécies de abelhas e dez de plantas podem formar redes de interação ecológica que ajudam na restauração inicial de áreas degradadas na Amazônia.

Em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e as universidades federais do Pará (UFPA) e de Minas Gerais (UFMG), o estudo propõe uma abordagem inovadora para integrar plantas e polinizadores nos esforços de restauração ambiental. O objetivo do trabalho foi entender a evolução dos padrões de restauração planta-polinizador e identificar espécies prioritárias, avançando no planejamento da restauração, com o objetivo de manter o ecossistema das áreas que demandam preservação. 

Interação de polinizadores e espécies vegetais nativas 

A pesquisa, publicada em 2024, analisou interações entre polinizadores e espécies vegetais em diferentes estágios de recuperação ambiental na Floresta Nacional de Carajás, no Pará, área que abriga um dos maiores projetos globais de mineração, com destaque para a extração de minério de ferro e areia. 

Durante o levantamento, a equipe de pesquisadores coletou polinizadores — os visitantes florais das plantas — em áreas de sub-bosque localizadas em três tipos de ambiente: zonas de restauração de minas de areia, depósitos de resíduos de ferro e trechos de floresta primária, utilizados como referência. A amostragem foi realizada três vezes em cada local ao longo do período de estudo.

“De modo geral, os projetos de restauração são muito focados em introduzir plantas em uma área específica. Mas integrar polinizadores — que apoiam a reprodução das plantas — é fundamental para garantir interações duradouras e a estabilidade de longo prazo dos ecossistemas restaurados”, disse Rafael Cabral Borges, pesquisador do ITV e autor principal do estudo.

Segundo Borges, os resultados oferecem subsídios para projetos de restauração em múltiplas escalas, beneficiando desde pequenos agricultores até grandes empreendimentos mineradores. A escolha de espécies com características favoráveis ao manejo, como plantas que se reproduzem por sementes e abelhas que nidificam em cavidades, facilita a implementação de ações restaurativas. A integração entre ciência e prática fortalece a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas impactadas pela mineração na Amazônia.

A pesquisa identificou que apenas uma pequena fração das espécies de abelhas e plantas é responsável pela maioria das interações ecológicas observadas em áreas degradadas da Floresta Nacional de Carajás, no Pará. Das 137 espécies de abelhas e 118 de plantas registradas, cinco espécies de abelhas e doze de plantas concentraram mais da metade das interações. Entre os polinizadores mais relevantes estão a jataí (Tetragonisca angustula), a uruçu boca de renda (Melipona seminigra) e a abelha-borá (Tetragona clavipes), enquanto entre as plantas destacam-se o urucum (Bixa orellana), o muricí-da-praia (Byrsonima stipulacea) e o fedegoso-gigante (Senna alata).

Caminho através de uma exuberante floresta tropical verde, com folhagem densa e árvores imponentes.
Foto: DaniellaCaires / Shutterstock

Também é proposta uma nova metodologia que vai além do simples plantio de árvores, ao integrar polinizadores generalistas — aqueles que interagem com diversas espécies vegetais — nos projetos de recuperação ambiental. Essa estratégia visa garantir interações duradouras e maior estabilidade ecológica a longo prazo. A coleta de dados foi realizada entre abril de 2018 e outubro de 2019.

Dúvidas mais comuns

Abelhas e plantas formam redes de interação ecológica que aceleram o reflorestamento de áreas degradadas. Um estudo do Instituto Tecnológico Vale identificou que dez espécies de abelhas e dez de plantas podem trabalhar juntas para restaurar ecossistemas minerados, integrando polinizadores nos projetos de recuperação ambiental para garantir interações duradouras e estabilidade ecológica a longo prazo.

As espécies de abelhas mais relevantes identificadas no estudo são a jataí (Tetragonisca angustula), a uruçu boca de renda (Melipona seminigra) e a abelha-borá (Tetragona clavipes). Essas espécies foram selecionadas por suas características favoráveis ao manejo, como a capacidade de nidificar em cavidades, facilitando sua integração em projetos de restauração.

Entre as plantas mais relevantes destacam-se o urucum (Bixa orellana), o muricí-da-praia (Byrsonima stipulacea) e o fedegoso-gigante (Senna alata). Essas espécies foram selecionadas por suas características favoráveis, como a capacidade de reprodução por sementes, e por concentrarem a maioria das interações ecológicas observadas em áreas degradadas.

Integrar polinizadores é essencial porque eles apoiam a reprodução das plantas, garantindo interações duradouras e a estabilidade de longo prazo dos ecossistemas restaurados. Projetos focados apenas no plantio de árvores não garantem a manutenção das populações vegetais, enquanto a inclusão de polinizadores generalistas cria uma rede ecológica autossustentável.

O estudo registrou 137 espécies de abelhas e 118 espécies de plantas na Floresta Nacional de Carajás. Porém, apenas uma pequena fração dessas espécies é responsável pela maioria das interações ecológicas: cinco espécies de abelhas e doze de plantas concentraram mais da metade das interações observadas em áreas degradadas.

A pesquisa foi conduzida na Floresta Nacional de Carajás, no Pará, uma área que abriga um dos maiores projetos globais de mineração, com destaque para a extração de minério de ferro e areia. A coleta de dados foi realizada entre abril de 2018 e outubro de 2019, analisando interações em zonas de restauração de minas de areia, depósitos de resíduos de ferro e trechos de floresta primária.

A nova metodologia vai além do simples plantio de árvores, integrando polinizadores generalistas — aqueles que interagem com diversas espécies vegetais — nos projetos de recuperação ambiental. Essa abordagem inovadora, desenvolvida em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e universidades federais, visa garantir interações duradouras e maior estabilidade ecológica a longo prazo.

Os resultados oferecem subsídios para projetos de restauração em múltiplas escalas, beneficiando desde pequenos agricultores até grandes empreendimentos mineradores. A escolha de espécies com características favoráveis ao manejo facilita a implementação de ações restaurativas, fortalecendo a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas impactadas pela mineração na Amazônia.