Roberta Mendes e Marcelo Gripa participam do Web Summit Rio em palco com telões e iluminação roxa, sentados em cadeiras durante conversa ou entrevista.
Roberta Mendes, líder de P&D e Inovação da Petrobras e Marcelo Gripa, co-fundador da Futuros Possiveis (Foto: Paul Devlin / Web Summit via Flickr)

Petrobras estuda minerais críticos para transição energética

Centro de pesquisa da companhia avalia tecnologias para descarbonização, incluindo baterias de longa duração e SMRs para geração de energia limpa

Por Nelson Valencio, 3 min de leitura

Publicado em 11/06/2026

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O Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, inclui dois temas diretamente ligados à mineração na sua pauta de transição energética e redução de emissões a longo prazo. O primeiro é a exploração de minerais críticos, uma vez que a eletrificação em larga escala exige o desenvolvimento de baterias de grande duração. O segundo são os pequenos reatores modulares (SMRs, da sigla em inglês), que utilizam urânio de baixo enriquecimento como combustível.

A informação foi apresentada por Roberta Mendes, líder de P&D e Inovação da Petrobras, em palestra realizada ontem (10/6) durante o Web Summit Rio 2026.

Roberta Mendes, líder de P&D e Inovação da Petrobras, durante participação na Web Summit Rio, em painel no palco com iluminação rosa e roxa, falando ao público.
Roberta Mendes, líder de P&D e Inovação da Petrobras (Foto: Paul Devlin / Web Summit via Flickr)

Sobre os SMRs, a especialista comentou que, embora não sejam considerados uma fonte de energia renovável, possuem a vantagem de não emitir gases poluentes. A ideia seria utilizá-los para gerar energia elétrica ou térmica de forma limpa para as próprias operações da companhia no futuro.

Os estudos da Petrobras também contemplam a cadeia do minério de ferro, uma vez que a empresa avalia a descarbonização de processos industriais com alta intensidade de emissões de carbono.

Uma das iniciativas envolve parceria com a siderúrgica ArcelorMittal, no Espírito Santo. O objetivo das duas empresas é estreitar relações com universidades e fornecedores para desenvolver um ecossistema de inovações, como sistemas de captura e armazenamento de carbono (CCUS).

Roberta Mendes ressaltou que descarbonizar siderúrgicas e refinarias exige mudar o próprio conceito do processo industrial, o que só é possível por meio de parcerias com grandes, médias e pequenas empresas, incluindo startups.

“Molécula fóssil” com menor pegada de carbono

Segundo a executiva, o Cenpes é responsável por garantir que os projetos de pesquisa da companhia estejam diretamente alinhados aos objetivos e métricas ambientais, sociais e de governança (ESG) definidos pela área corporativa da Petrobras.

Roberta lembrou ainda que a indústria de óleo e gás busca se reinventar, tentando fornecer energia com menos emissões. Nesse sentido, uma das frentes envolve a “molécula fóssil” com menor pegada de carbono, incorporando biocombustíveis e cargas renováveis nas refinarias. Já o gás natural é visto como combustível de transição entre fontes fósseis e alternativas de menor impacto.

A executiva observou ainda que as emissões de CO2 e metano da Petrobras diminuem ano a ano e que a empresa precisará se adaptar ao aumento nas vendas de carros elétricos e à potencial eletrificação de caminhões pesados, o que deve reduzir a demanda por combustíveis leves no futuro.

Para o médio prazo, o foco dos estudos recai sobre o hidrogênio de baixo carbono e a captura de carbono. Sobre este último, há a possibilidade de a Petrobras usar os reservatórios do pré-sal para injetar e armazenar CO2, possivelmente oferecendo isso como serviço no futuro.

Roberta também apontou que o mercado regulado de carbono é um ponto crítico para viabilizar as inovações, algo atrelado ao Plano Clima do governo federal. Além disso, ressaltou a importância de investimentos por meio de editais de fomento de órgãos como Finep e BNDES, que disponibilizam recursos de subvenção para acelerar a pesquisa em economia circular, hidrogênio e produtos renováveis.

Segundo a executiva, a Petrobras defende o conceito de transição energética justa e possui um plano focado em garantir a segurança energética e fazer com que a energia chegue a toda a população, incluindo o interior do país.

“Esse processo tem um forte aspecto social, envolvendo estudos sobre economia social e economia circular para capacitar as populações a encontrarem novas formas de sobrevivência e competitividade em seus próprios territórios”, finalizou.

Dúvidas mais comuns

Minerais críticos são elementos essenciais para a transição energética, particularmente para a fabricação de baterias de grande duração necessárias à eletrificação em larga escala. A Petrobras, através do seu Cenpes, estuda esses minerais porque reconhece que a transição para fontes de energia mais limpas depende do desenvolvimento de tecnologias de armazenamento de energia eficientes e duráveis.

Os pequenos reatores modulares (SMRs) são instalações nucleares que utilizam urânio de baixo enriquecimento como combustível. Embora não sejam considerados fontes de energia renovável, não emitem gases poluentes. A Petrobras estuda sua utilização para gerar energia elétrica ou térmica de forma limpa para suas próprias operações no futuro.

A Petrobras está desenvolvendo uma parceria com a siderúrgica ArcelorMittal no Espírito Santo, com objetivo de criar um ecossistema de inovações que inclui sistemas de captura e armazenamento de carbono (CCUS). A estratégia envolve estreitar relações com universidades, fornecedores, startups e empresas de diferentes portes para mudar o conceito dos processos industriais tradicionais.

Refere-se a combustíveis fósseis produzidos com redução significativa de emissões de carbono. A estratégia envolve incorporar biocombustíveis e cargas renováveis nas refinarias, além de utilizar gás natural como combustível de transição entre fontes fósseis e alternativas de menor impacto ambiental.

O gás natural é visto pela Petrobras como um combustível de transição entre fontes fósseis tradicionais e alternativas de menor impacto ambiental. Essa abordagem reconhece que a transição energética é um processo gradual que requer soluções intermediárias enquanto tecnologias mais limpas são desenvolvidas e implementadas em larga escala.

A Petrobras estuda a possibilidade de utilizar os reservatórios do pré-sal para injetar e armazenar CO2 capturado, potencialmente oferecendo esse serviço no futuro. Essa estratégia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é parte do foco de médio prazo da empresa, juntamente com o desenvolvimento de hidrogênio de baixo carbono.

O mercado regulado de carbono é considerado crítico pela Petrobras para viabilizar suas inovações em descarbonização. Esse mercado está atrelado ao Plano Clima do governo federal e cria incentivos econômicos para que empresas invistam em tecnologias e processos com menor intensidade de carbono.

A Petrobras defende o conceito de transição energética justa, com plano focado em garantir segurança energética e acesso universal à energia, incluindo o interior do país. A empresa reconhece o forte aspecto social do processo, realizando estudos sobre economia social e economia circular para capacitar populações a encontrarem novas formas de sobrevivência e competitividade em seus territórios.