O Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, inclui dois temas diretamente ligados à mineração na sua pauta de transição energética e redução de emissões a longo prazo. O primeiro é a exploração de minerais críticos, uma vez que a eletrificação em larga escala exige o desenvolvimento de baterias de grande duração. O segundo são os pequenos reatores modulares (SMRs, da sigla em inglês), que utilizam urânio de baixo enriquecimento como combustível.
A informação foi apresentada por Roberta Mendes, líder de P&D e Inovação da Petrobras, em palestra realizada ontem (10/6) durante o Web Summit Rio 2026.

Sobre os SMRs, a especialista comentou que, embora não sejam considerados uma fonte de energia renovável, possuem a vantagem de não emitir gases poluentes. A ideia seria utilizá-los para gerar energia elétrica ou térmica de forma limpa para as próprias operações da companhia no futuro.
Os estudos da Petrobras também contemplam a cadeia do minério de ferro, uma vez que a empresa avalia a descarbonização de processos industriais com alta intensidade de emissões de carbono.
Uma das iniciativas envolve parceria com a siderúrgica ArcelorMittal, no Espírito Santo. O objetivo das duas empresas é estreitar relações com universidades e fornecedores para desenvolver um ecossistema de inovações, como sistemas de captura e armazenamento de carbono (CCUS).
Roberta Mendes ressaltou que descarbonizar siderúrgicas e refinarias exige mudar o próprio conceito do processo industrial, o que só é possível por meio de parcerias com grandes, médias e pequenas empresas, incluindo startups.
“Molécula fóssil” com menor pegada de carbono
Segundo a executiva, o Cenpes é responsável por garantir que os projetos de pesquisa da companhia estejam diretamente alinhados aos objetivos e métricas ambientais, sociais e de governança (ESG) definidos pela área corporativa da Petrobras.
Roberta lembrou ainda que a indústria de óleo e gás busca se reinventar, tentando fornecer energia com menos emissões. Nesse sentido, uma das frentes envolve a “molécula fóssil” com menor pegada de carbono, incorporando biocombustíveis e cargas renováveis nas refinarias. Já o gás natural é visto como combustível de transição entre fontes fósseis e alternativas de menor impacto.
A executiva observou ainda que as emissões de CO2 e metano da Petrobras diminuem ano a ano e que a empresa precisará se adaptar ao aumento nas vendas de carros elétricos e à potencial eletrificação de caminhões pesados, o que deve reduzir a demanda por combustíveis leves no futuro.
Para o médio prazo, o foco dos estudos recai sobre o hidrogênio de baixo carbono e a captura de carbono. Sobre este último, há a possibilidade de a Petrobras usar os reservatórios do pré-sal para injetar e armazenar CO2, possivelmente oferecendo isso como serviço no futuro.
Roberta também apontou que o mercado regulado de carbono é um ponto crítico para viabilizar as inovações, algo atrelado ao Plano Clima do governo federal. Além disso, ressaltou a importância de investimentos por meio de editais de fomento de órgãos como Finep e BNDES, que disponibilizam recursos de subvenção para acelerar a pesquisa em economia circular, hidrogênio e produtos renováveis.
Segundo a executiva, a Petrobras defende o conceito de transição energética justa e possui um plano focado em garantir a segurança energética e fazer com que a energia chegue a toda a população, incluindo o interior do país.
“Esse processo tem um forte aspecto social, envolvendo estudos sobre economia social e economia circular para capacitar as populações a encontrarem novas formas de sobrevivência e competitividade em seus próprios territórios”, finalizou.