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Da esquerda para a direita: Rosane Gomes Santos, Cristina Bruce, Felipe Antunes, Juliana Junqueira e Tercio Calmon. Especialistas discutem desenvolvimento territorial em painel do evento Exposibram 2025
Da esquerda para a direita: Rosane Gomes Santos, Cristina Bruce, Felipe Antunes, Juliana Junqueira e Tercio Calmon (Foto: Vale)

Além da mina: ESG, colaboração e desenvolvimento territorial

Integração entre mineradoras, fornecedores e comunidades pode resultar em desenvolvimento coletivo e legado sustentável.

Por Luciana Ciaravolo *, 3 min de leitura

Publicado em 03/11/2025

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  • A mineração sustentável exige transição do compliance regulatório para criação de valor compartilhado com territórios, comunidades e cadeia de fornecedores através de práticas ESG integradas.
  • Grandes compradores utilizam maturidade ESG como critério de desempate em cotações, transformando sustentabilidade em diferencial competitivo para fornecedores de todos os portes.
  • Ecossistemas circulares integrados entre mineradoras, fornecedores e indústrias geram valor coletivo, exigindo quebra de barreiras setoriais, investimento em tecnologia e fortalecimento de confiança na cadeia.
Resumo revisado pela redação.

A sustentabilidade e a resiliência no longo prazo do setor de mineração dependem de uma mudança de mentalidade que passa do mero compliance regulatório para a criação de valor compartilhado com os territórios e toda a cadeia de fornecimento. No painel “Desenvolvimento e capacitação em ESG na cadeia produtiva do setor mineral”, da Exposibram 2025, especialistas trouxeram à luz a importância de integrar a visão de negócio com as necessidades sociais e ambientais locais, utilizando o ESG como alavanca de desenvolvimento.

O território como coração do negócio

A mineração, por sua natureza de longo prazo, exige uma visão integrada, ou seja, além dos limites da mina. Cristina Bruce, VP Sênior de Sustentabilidade e Impacto Social da Anglo American, mencionou o caso de uma mina da companhia no sul do Peru que levou 21 anos para ser desenvolvida, mas foi paralisada pela perspectiva da comunidade.

Cristina Bruce, VP Sênior de Sustentabilidade e Impacto Social da Anglo American
Cristina Bruce (Foto: Vale)

“Quando eu cheguei na Anglo, esse projeto estava completamente paralisado a partir da perspectiva da comunidade e a única forma de continuar com a mina seria ter uma abordagem holística para com ESG. Nós então trabalhamos com representantes da empresa e da comunidade para criar uma mesa de diálogo”, conta Bruce. Voluntários da comunidade foram capacitados para monitorar o desenvolvimento da mineração, garantindo transparência e confiança.

Capacitação na cadeia

A sustentabilidade precisa ser hiper local, mas também transversal. Um dos grandes desafios apontados é levar as práticas ESG para os fornecedores, especialmente os de menor porte. Tercio Calmon, coordenador de Indústria do Sebrae da Bahia, destacou que as práticas ambientais, sociais e de governança devem ser encaradas como um diferencial competitivo, e não apenas uma obrigação, e acrescentou que grandes compradores já utilizam o grau de maturidade ESG como critério de desempate em cotações.

Tercio Calmon, coordenador de Indústria do Sebrae da Bahia
Tercio Calmon (Foto: Vale)

Para os agentes que ainda não têm maturidade nas engrenagens de sustentabilidade, os especialistas recomendam começar pelo básico: escutar o território e os stakeholders, ter uma matriz de materialidade bem feita e entender as urgências locais. Juliana Junqueira, CEO da Progesys Latam, reforçou que a “bíblia” do desenvolvimento sustentável, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, são um excelente ponto de partida para qualquer empresa.

Ecossistemas circulares e colaboração

A mineração, sendo a base de muitas cadeias produtivas, tem importante papel na transição para uma economia regenerativa e circular. “A iniciativa privada pode — e deve — capitanear ações junto ao poder público. Falamos muito sobre economia circular, mas ainda vemos poucos exemplos de ecossistemas verdadeiramente integrados. Talvez o próximo passo seja justamente conectar mineradoras, fornecedores e indústrias para compartilhar fluxos de materiais e gerar valor competitivo coletivo, em vez de iniciativas isoladas”, sugeriu Junqueira, da Progize. 

Juliana Junqueira, CEO da Progesys Latam
Juliana Junqueira (Foto: Vale)

Entre as necessidades apontadas para se chegar a esse caminho estão: quebra de barreiras setoriais (superar a mentalidade de competição e migrar para um modelo de colaboração estratégica), investimento em tecnologia (utilizar plataformas digitais e rastreabilidade para garantir visibilidade no fluxo de materiais e informações) e confiança (fortalecer os elos entre os atores da cadeia para garantir a colaboração).

Diálogo e legado

O legado de um projeto minerário não deve se limitar ao tempo de vida da mina. Os especialistas citaram o exemplo da Vale, que criou uma frente de desenvolvimento econômico com agricultores e pecuaristas, e reforçaram que o planejamento do pós-mineração precisa começar no nascedouro do projeto, respeitando a vocação local e trabalhando em suas potências.

Rosane Gomes Santos, diretora de Sustentabilidade na Samarco
Rosane Gomes Santos (Foto: Vale)

Rosane Gomes Santos, diretora de Sustentabilidade na Samarco, encerrou o painel com um apelo: o sucesso da empresa será medido pelo progresso da sociedade. A mineração contemporânea precisa transformar o capital natural em sucesso para o negócio e em progresso para as pessoas, um compromisso que exige a colaboração de todos os atores.

Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.

*Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

ESG na mineração refere-se ao emprego de ações ambientais, sociais e de governança baseadas no conceito ESG (Environmental, Social and Governance). Na indústria minerária, o ESG é a chave para conciliar oportunidades, benefícios e riscos, transformando-se de um mero compliance regulatório em uma estratégia de criação de valor compartilhado com os territórios e toda a cadeia de fornecimento.

As práticas ESG transformam a mineração em desenvolvimento territorial quando integram a visão de negócio com as necessidades sociais e ambientais locais. Isso inclui diálogo transparente com comunidades, capacitação de voluntários locais para monitoramento, respeito à vocação local e planejamento do pós-mineração desde o nascedouro do projeto. O legado não deve se limitar ao tempo de vida da mina, mas criar oportunidades econômicas duradouras para agricultores, pecuaristas e outras atividades locais.

A capacitação de fornecedores é essencial porque a sustentabilidade precisa ser transversal em toda a cadeia produtiva. Grandes compradores já utilizam o grau de maturidade ESG como critério de desempate em cotações, tornando as práticas ambientais, sociais e de governança um diferencial competitivo. Levar essas práticas para fornecedores, especialmente os de menor porte, garante que toda a cadeia de valor esteja alinhada com objetivos de desenvolvimento sustentável.

O diálogo com comunidades é fundamental para o sucesso de projetos minerários de longo prazo. Exemplos como o da Anglo American no Peru demonstram que criar mesas de diálogo com representantes da empresa e comunidade, além de capacitar voluntários locais para monitorar o desenvolvimento, garante transparência, confiança e legitimidade social. Sem esse engajamento genuíno, projetos podem ser paralisados pela perspectiva comunitária, independentemente de sua viabilidade técnica.

Para empresas que ainda não têm maturidade em sustentabilidade, os especialistas recomendam começar pelo básico: escutar o território e os stakeholders, ter uma matriz de materialidade bem feita e entender as urgências locais. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU são um excelente ponto de partida. É importante encarar as práticas ESG como um diferencial competitivo e não apenas como uma obrigação regulatória.

A economia circular na mineração envolve conectar mineradoras, fornecedores e indústrias para compartilhar fluxos de materiais e gerar valor competitivo coletivo. Para implementá-la, é necessário quebrar barreiras setoriais migrando de uma mentalidade de competição para colaboração estratégica, investir em tecnologia com plataformas digitais e rastreabilidade para garantir visibilidade no fluxo de materiais, e fortalecer a confiança entre os atores da cadeia.

O planejamento do pós-mineração deve começar no nascedouro do projeto, respeitando a vocação local e trabalhando em suas potências. Exemplos como o da Vale, que criou uma frente de desenvolvimento econômico com agricultores e pecuaristas, demonstram que o legado de um projeto minerário não deve se limitar ao tempo de vida da mina. Esse planejamento garante que o capital natural seja transformado em sucesso para o negócio e em progresso duradouro para as pessoas.

Sob a perspectiva ESG, o sucesso de uma empresa de mineração deve ser medido pelo progresso da sociedade, não apenas por indicadores financeiros. Isso significa transformar o capital natural em sucesso para o negócio e em progresso para as pessoas, exigindo a colaboração de todos os atores da cadeia. Métricas incluem impacto social comunitário, desenvolvimento econômico territorial, transparência na governança e contribuição para objetivos de desenvolvimento sustentável.