Entre os minerais que vem movimentando a indústria de defesa, o tungstênio tem se destacado. Em meio a uma escalada sem precedentes nos preços – puxada pela China, principal produtora -, o material chegou a atingir valores próximos a US$ 2 mil por dez quilos do óxido puro. A valorização está ligada à redução da oferta, impactada pelas rígidas políticas de exportação chinesas. O país responde por mais de 75% da produção mundial, mas, desde o ano passado, liberou menos de 40% do volume para o mercado externo.
O tungstênio possui propriedades físicas únicas, como o ponto de fusão mais alto entre todos os metais e uma dureza comparável à do diamante. Essas características tornam o elemento insubstituível em diversas aplicações industriais modernas. O mineral derrete a 3.422 graus celsius, o que equivale a quase o dobro da temperatura necessária para fundir o aço, por exemplo.

A escassez do material preocupa governos e corporações ao redor do mundo, pois a substituição por outras ligas desenvolvidas até o momento resulta em perda significativa de eficiência e durabilidade dos produtos finais, como munições perfurantes, mísseis, blindagens e componentes aeroespaciais.
Por esse contexto, os maiores compradores estão em segmentos de alto valor agregado e muitas empresas acumulam estoques preventivos para evitar paralisações em suas fábricas.
Principais indústrias compradoras do tungstênio:
- Indústria de defesa: utiliza o metal na fabricação de munições perfurantes e blindagens avançadas para veículos de combate.
- Setor aeroespacial: depende da liga para componentes de motores de aeronaves, rotores e turbinas de alta performance.
- Manufatura de semicondutores: emprega o material em contatos elétricos e dissipadores de calor para microchips de última geração.
- Ferramentas de corte: consome grande parte da produção para brocas, serras e equipamentos de usinagem pesada na construção civil.
De acordo com o Observatório Sebrae, o Brasil depende de importação, pois detém aproximadamente 1% das reservas globais de tungstênio, estimadas em 3,4 milhões de toneladas métricas de metal contido. A produção, embora modesta, é equiparada à média da maioria dos países produtores e está concentrada quase que totalmente na região de Seridó, na caatinga do Rio Grande do Norte, e em uma área de aproximadamente 11,4 mil m² na região de Currais Novos, no mesmo estado.
* Especial para o Radar Mineração.