Mirante de Capanema
Mirante de Capanema. Crédito: Nayara Leite

Vale dobra produção de minério de ferro a partir de resíduos

Reaproveitamento de rejeito e estéril representou 8% da produção desse tipo de material no ano passado; Meta é chegar a 10% até 2030

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 15/06/2026

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A Vale produziu 26 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025 a partir de iniciativas de circularidade, incluindo o reaproveitamento de rejeitos e estéril de suas minas. O volume representou 8% de toda a produção da mineradora e 107% de crescimento sobre o registrado em 2024.

“O fato de esse volume ter dobrado já mostra que se trata de um bom negócio. Além disso, há ganhos do ponto de vista da sustentabilidade, pois a operação demanda menos água, reduz o consumo desse recurso e contribui para uma diminuição substancial das emissões”, destaca Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale.

Os dados constam no relatório de sustentabilidade da companhia, publicado nesta segunda-feira (15/6) conforme as normas IFRS S1 e S2.

Até 2030, a mineradora estima aumentar a participação do minério de ferro obtido de rejeitos para 10% de toda a sua produção. Com isso, a companhia consolida a estratégia conhecida como Waste to Value, que em tradução livre significa “dos resíduos ao valor”.

Mineração circular

Em linhas gerais, a iniciativa tem como meta reduzir a geração de estéril e de rejeitos, criar valor para os materiais e reaproveitá-los. Na prática, trata-se da mineração circular, da qual a Vale já tem mais de 100 iniciativas do tipo.

Um exemplo é a produção de areia sustentável para a construção civil, feita a partir de resíduos do processo produtivo de minério de ferro. A meta da empresa é alcançar uma capacidade produtiva de 5 milhões de toneladas desse material por ano. Nesse caso, o rejeito é reaproveitado na construção civil, prática que também contribui para reduzir a extração de areia de leitos de rios, uma das fontes tradicionais do insumo.

Outro exemplo de como a Vale conduz sua estratégia de ampliar a produção com segurança e sustentabilidade é a reativação da mina de Capanema, ocorrida em 2025, em Ouro Preto (MG).

A operação parte do reaproveitamento de uma pilha de estéril, com processamento sem uso de água. Somente em Capanema, a mineradora deve adicionar 14 milhões de toneladas por ano de minério de ferro ao seu portfólio.

Até 2030, a Vale deve investir R$ 67 bilhões em suas operações em Minas Gerais, valor que inclui tecnologias de filtragem e empilhamento a seco. Essas iniciativas devem reduzir o uso de barragens de rejeitos de 30% para 20% no estado.

Iniciativas para pilhas e barragens

Grazielle Parenti afirma que 80% dos rejeitos da mineradora estão dispostos em pilhas, e não mais em barragens, atualmente. A executiva destaca a mina de Capanema, citada acima, como um dos exemplos de reaproveitamento do minério de ferro a partir de pilhas antigas. 

Em ambos os cenários – pilhas e barragens – ela explica que os projetos têm características peculiares. “Cada pilha e cada barragem é quase um CPF, como se fosse um caso diferente. Então, temos que, às vezes, customizar a operação para cada pilha de forma diferente”, detalha. “Tem um desafio de tecnologia importante e precisamos estar conscientes de que estamos fazendo da forma correta para que se otimize o processo”, completa.

Grazielle também trata do monitoramento, não só das barragens de rejeitos por questões de segurança, como também dos sistemas de transporte para redução da pegada de carbono. Isto inclui ferrovias de longo curso e a frota de caminhões dentro das minas. Nesses casos, o foco é o controle de emissões, inclusive com uso de combustíveis renováveis.

Ainda sobre descarbonização, ela mencionou a expertise da empresa  na produção de aglomerados de minério de ferro. Trata-se de um processo inovador desenvolvido pela empresa que permite a redução de 10% das emissões dos clientes da Vale, sem a necessidade de grandes mudanças em fornos de produção siderúrgica.  

Ainda sobre monitoramento, a mineradora está atenta às comunidades no entorno de suas operações. Segundo ela, são mais de 1,2 mil mapeadas, das quais 170 são consideradas críticas e para as quais existe um plano de engajamento ativo. “E não é só no papel”, reforça Grazielle.

Em relação ao relatório de sustentabilidade recém-publicado, a executiva destacou o aprendizado, inclusive na identificação de oportunidades: “Ele valeu para que deixássemos mais claro os aspectos financeiros da sustentabilidade, o que ajuda a empresa a tomar boas decisões”, finaliza.

Dúvidas mais comuns

A mineração circular é um conceito que integra práticas sustentáveis e de economia circular no setor de mineração, buscando reduzir a geração de estéril e rejeitos, criar valor para esses materiais e reaproveitá-los. Além de tornar os processos mais sustentáveis, a economia circular na mineração torna as operações mais lucrativas e busca restaurar os recursos físicos, que são finitos. A Vale já possui mais de 100 iniciativas de mineração circular em operação.

A Vale produziu 26 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025 a partir de iniciativas de circularidade, incluindo reaproveitamento de rejeitos e estéril. Este volume representou 8% de toda a produção da mineradora e um crescimento de 107% em relação ao registrado em 2024, demonstrando que se trata de um negócio viável e escalável.

A operação de reaproveitamento de rejeitos e estéril demanda menos água, reduz significativamente o consumo desse recurso e contribui para uma diminuição substancial das emissões de carbono. Além disso, reduz a necessidade de extração de novos materiais, preservando os recursos naturais finitos e diminuindo o impacto ambiental geral das operações de mineração.

A Vale estima aumentar a participação do minério de ferro obtido de rejeitos para 10% de toda sua produção até 2030, consolidando a estratégia conhecida como Waste to Value (dos resíduos ao valor). A companhia também planeja investir R$ 67 bilhões em suas operações em Minas Gerais, incluindo tecnologias de filtragem e empilhamento a seco.

A Vale produz areia sustentável para a construção civil a partir de resíduos do processo produtivo de minério de ferro, com meta de alcançar 5 milhões de toneladas por ano. Outro exemplo é a reativação da mina de Capanema em 2025, que reaproveitou uma pilha de estéril com processamento sem uso de água, adicionando 14 milhões de toneladas por ano de minério de ferro ao portfólio da empresa.

Os rejeitos são resíduos resultantes dos processos de beneficiamento das substâncias minerais. Existem dois tipos principais: os estéreis, que são os materiais escavados gerados pelas atividades de extração dos minerais, e os rejeitos propriamente ditos, que resultam do processamento. Atualmente, 80% dos rejeitos da Vale estão dispostos em pilhas, e não mais em barragens.

A Vale está investindo em tecnologias de filtragem e empilhamento a seco, que permitem armazenar rejeitos em pilhas em vez de barragens. Essas iniciativas devem reduzir o uso de barragens de rejeitos de 30% para 20% em Minas Gerais até 2030, melhorando a segurança operacional e reduzindo riscos ambientais.

A Vale realiza monitoramento contínuo das barragens de rejeitos por questões de segurança e dos sistemas de transporte para redução da pegada de carbono, incluindo ferrovias de longo curso e frota de caminhões. A empresa também está atenta às comunidades no entorno de suas operações, com mais de 1,2 mil mapeadas, das quais 170 são consideradas críticas e possuem planos de engajamento ativo.