- A Anglo Gold Ashanti iniciou testes com a primeira autobetoneira elétrica em mina subterrânea brasileira, na mina Cuiabá (MG), a mais de 1.600 metros de profundidade, integrando planos de eletrificação total do subsolo.
- O equipamento finlandês reduz emissões de gases, melhora qualidade do ar em até 4°C, diminui ruído e aumenta segurança operacional, complementando a carregadeira elétrica já em operação desde 2024.
- A iniciativa alinha-se ao Programa de Descarbonização da mineradora, que registrou redução de 63% em emissões de gases de efeito estufa e planeja eletrificar toda a frota até 2027.
A Anglo Gold Ashanti (AGA) iniciou testes com a primeira autobetoneira elétrica do Brasil aplicada na mina subterrânea de Cuiabá, em Sabará (MG). A iniciativa integra os planos da mineradora de ouro de operar totalmente com equipamentos elétricos no subsolo. Os testes com o equipamento ocorrerão durante 18 meses.
Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, a mina Cuiabá é hoje a mais profunda em operação no país. São mais de 1.600 metros de profundidade, com registros de sondagens que identificam ouro a mais de 2.400 metros. Isto equivale a quase três vezes a altura do Burj Khalifa (edifício mais alto do mundo, situado em Dubai). A estrutura inclui cerca de 330 quilômetros de galerias subterrâneas, sendo 26 deles apenas na rampa principal.
Segundo a AGA, a principal vantagem da autobetoneira elétrica, fabricada pela finlandesa Normet, é a redução direta nos impactos do ambiente subterrâneo. Por não emitir gases, o equipamento melhora a qualidade do ar nas frentes de trabalho, reduz a sensação térmica e diminui a dependência de ventilação forçada. A expectativa é de queda de até 4°C em determinados pontos da mina, com efeito direto sobre as condições de trabalho no subsolo.
O menor nível de ruído é outro efeito. A operação mais silenciosa facilita a comunicação entre equipes e contribui para rotinas mais seguras. A tecnologia também tende a oferecer maior estabilidade operacional, com menos interrupções e melhor aproveitamento do tempo produtivo. “Trazer uma autobetoneira elétrica para a mina Cuiabá é investir em um ambiente mais saudável. Esse é um avanço importante, que mostra como a tecnologia pode estar a serviço da segurança, do bem-estar das pessoas e do cuidado com o meio ambiente”, disse Pierre Melo, especialista de Manutenção da Anglo Gold Ashanti.
Autobetoneira elétrica amplia escopo da eletrificação
A introdução da autobetoneira elétrica representa avanço da AGA para descarbonização de processos complementares à produção mineral, como o jateamento de concreto nas paredes dos túneis. Até então, a companhia só detinha equipamentos elétricos voltados à etapa de produção mineral, ou seja no carregamento (veja mais a seguir).
A iniciativa está alinhada ao Programa de Descarbonização e Eficiência Energética (PDEE) da mineradora, que integra metas, governança e execução. Entre as soluções já implantadas, está o sistema de ventilação sob demanda, que ajusta automaticamente o fluxo de ar conforme a atividade na mina e, com isso, reduz em até 25% o consumo de energia.
O avanço da eletrificação também dialoga com o desempenho recente da empresa na agenda climática. A Anglo Gold Ashanti registrou redução de 63% nas emissões de gases de efeito estufa em relação ao ano-base de 2021, e mantém a meta de neutralidade nos escopos 1 e 2 até 2050. Desde 2022, toda a energia elétrica utilizada na operação brasileira da AGA é proveniente de fontes renováveis certificadas.
A autobetoneira elétrica se soma à estratégia da companhia de eletrificar a operação subterrânea e à carregadeira elétrica já em operação desde 2024.
Carregadeira elétrica abriu caminho no subsolo
Antes da autobetoneira, a operação da mina Cuiabá já havia incorporado a primeira carregadeira 100% elétrica em subsolo no Brasil. O equipamento, modelo Scooptram ST14 fabricado pela sueca Epiroc, entrou em operação em 2024 e passou a atuar em uma das áreas mais profundas da mina.
Movido a baterias de íon-lítio, o equipamento elimina emissões diretas de carbono, reduz calor e ruído e amplia o nível de segurança no ambiente subterrâneo. A operação também registra ganhos de produtividade, estimados em até 8%, associados ao torque instantâneo e à maior velocidade de deslocamento.
Na comparação com modelos a diesel, a máquina reduz o consumo mensal de combustível em cerca de 9.120 litros (com o diesel a R$ 7, trata-se de uma economia mensal superior a R$ 63,8 mil). Em termos de emissões, a redução pode chegar a 285 toneladas de CO₂ por ano.
Além dos ganhos ambientais, a eletrificação impacta a manutenção e a operação. Segundo a Epiroc, a menor quantidade de partes móveis reduz o custo de manutenção, enquanto o menor calor gerado diminui a demanda por ventilação intensiva, que é considerado um dos principais custos em minas profundas.
Expansão da frota elétrica
A Anglo Gold Ashanti tem a meta de trocar todas as suas carregadeiras por modelos elétricos até 2027. Caminhões de transporte, veículos leves e frota de apoio também estão no radar de eletrificação da mineradora.
A estratégia está inserida em uma visão de longo prazo, na qual inovação é tratada como instrumento de competitividade e resiliência operacional na AGA. Na prática, isso envolve eletrificação, automação e monitoramento na mina Cuiabá, que já planifica soluções como sistemas de carregamento remoto (tele-remote), monitoramento de pessoas no subsolo (people tracking) e perfuração autônoma.