Autobetoneira elétrica Normet SmartDrive para mineração, com cabine moderna e misturador traseiro
Foto: Divulgação / Anglo Gold Ashanti

Com nova autobetoneira elétrica, Anglo Gold Ashanti amplia descarbonização da mina mais profunda do Brasil

Equipamento recém adquirido para testes se soma a pás carregadeiras elétricas, automação e energia renovável, a mais de 1,6 km de profundidade

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 14/04/2026

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  • A Anglo Gold Ashanti iniciou testes com a primeira autobetoneira elétrica em mina subterrânea brasileira, na mina Cuiabá (MG), a mais de 1.600 metros de profundidade, integrando planos de eletrificação total do subsolo.
  • O equipamento finlandês reduz emissões de gases, melhora qualidade do ar em até 4°C, diminui ruído e aumenta segurança operacional, complementando a carregadeira elétrica já em operação desde 2024.
  • A iniciativa alinha-se ao Programa de Descarbonização da mineradora, que registrou redução de 63% em emissões de gases de efeito estufa e planeja eletrificar toda a frota até 2027.
Resumo revisado pela redação.

A Anglo Gold Ashanti (AGA) iniciou testes com a primeira autobetoneira elétrica do Brasil aplicada na mina subterrânea de Cuiabá, em Sabará (MG). A iniciativa integra os planos da mineradora de ouro de operar totalmente com equipamentos elétricos no subsolo. Os testes com o equipamento ocorrerão durante 18 meses.

Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, a mina Cuiabá é hoje a mais profunda em operação no país. São mais de 1.600 metros de profundidade, com registros de sondagens que identificam ouro a mais de 2.400 metros. Isto equivale a quase três vezes a altura do Burj Khalifa (edifício mais alto do mundo, situado em Dubai). A estrutura inclui cerca de 330 quilômetros de galerias subterrâneas, sendo 26 deles apenas na rampa principal.

Segundo a AGA, a principal vantagem da autobetoneira elétrica, fabricada pela finlandesa Normet, é a redução direta nos impactos do ambiente subterrâneo. Por não emitir gases, o equipamento melhora a qualidade do ar nas frentes de trabalho, reduz a sensação térmica e diminui a dependência de ventilação forçada. A expectativa é de queda de até 4°C em determinados pontos da mina, com efeito direto sobre as condições de trabalho no subsolo.

O menor nível de ruído é outro efeito. A operação mais silenciosa facilita a comunicação entre equipes e contribui para rotinas mais seguras. A tecnologia também tende a oferecer maior estabilidade operacional, com menos interrupções e melhor aproveitamento do tempo produtivo. “Trazer uma autobetoneira elétrica para a mina Cuiabá é investir em um ambiente mais saudável. Esse é um avanço importante, que mostra como a tecnologia pode estar a serviço da segurança, do bem-estar das pessoas e do cuidado com o meio ambiente”, disse Pierre Melo, especialista de Manutenção da Anglo Gold Ashanti.

Autobetoneira elétrica amplia escopo da eletrificação

A introdução da autobetoneira elétrica representa avanço da AGA para descarbonização de processos complementares à produção mineral, como o jateamento de concreto nas paredes dos túneis. Até então, a companhia só detinha equipamentos elétricos voltados à etapa de produção mineral, ou seja no carregamento (veja mais a seguir).

A iniciativa está alinhada ao Programa de Descarbonização e Eficiência Energética (PDEE) da mineradora, que integra metas, governança e execução. Entre as soluções já implantadas, está o sistema de ventilação sob demanda, que ajusta automaticamente o fluxo de ar conforme a atividade na mina e, com isso, reduz em até 25% o consumo de energia.

O avanço da eletrificação também dialoga com o desempenho recente da empresa na agenda climática. A Anglo Gold Ashanti registrou redução de 63% nas emissões de gases de efeito estufa em relação ao ano-base de 2021, e mantém a meta de neutralidade nos escopos 1 e 2 até 2050. Desde 2022, toda a energia elétrica utilizada na operação brasileira da AGA é proveniente de fontes renováveis certificadas.

A autobetoneira elétrica se soma à estratégia da companhia de eletrificar a operação subterrânea e à carregadeira elétrica já em operação desde 2024.

Carregadeira elétrica abriu caminho no subsolo

Antes da autobetoneira, a operação da mina Cuiabá já havia incorporado a primeira carregadeira 100% elétrica em subsolo no Brasil. O equipamento, modelo Scooptram ST14 fabricado pela sueca Epiroc, entrou em operação em 2024 e passou a atuar em uma das áreas mais profundas da mina.

Movido a baterias de íon-lítio, o equipamento elimina emissões diretas de carbono, reduz calor e ruído e amplia o nível de segurança no ambiente subterrâneo. A operação também registra ganhos de produtividade, estimados em até 8%, associados ao torque instantâneo e à maior velocidade de deslocamento.

Na comparação com modelos a diesel, a máquina reduz o consumo mensal de combustível em cerca de 9.120 litros (com o diesel a R$ 7, trata-se de uma economia mensal superior a R$ 63,8 mil). Em termos de emissões, a redução pode chegar a 285 toneladas de CO₂ por ano.

Além dos ganhos ambientais, a eletrificação impacta a manutenção e a operação. Segundo a Epiroc, a menor quantidade de partes móveis reduz o custo de manutenção, enquanto o menor calor gerado diminui a demanda por ventilação intensiva, que é considerado um dos principais custos em minas profundas.

Expansão da frota elétrica

A Anglo Gold Ashanti tem a meta de trocar todas as suas carregadeiras por modelos elétricos até 2027. Caminhões de transporte, veículos leves e frota de apoio também estão no radar de eletrificação da mineradora.

A estratégia está inserida em uma visão de longo prazo, na qual inovação é tratada como instrumento de competitividade e resiliência operacional na AGA. Na prática, isso envolve eletrificação, automação e monitoramento na mina Cuiabá, que já planifica soluções como sistemas de carregamento remoto (tele-remote), monitoramento de pessoas no subsolo (people tracking) e perfuração autônoma.

Dúvidas mais comuns

A autobetoneira elétrica é um equipamento fabricado pela empresa finlandesa Normet, recém-adquirido pela Anglo Gold Ashanti para testes na mina Cuiabá. Diferentemente dos modelos convencionais a diesel, este equipamento não emite gases, melhorando significativamente a qualidade do ar nas frentes de trabalho subterrânea e reduzindo a sensação térmica em até 4°C em determinados pontos da mina.

Os principais benefícios incluem: melhoria da qualidade do ar por não emitir gases, redução da sensação térmica, menor dependência de ventilação forçada, operação mais silenciosa que facilita a comunicação entre equipes, maior estabilidade operacional com menos interrupções e melhor aproveitamento do tempo produtivo. Esses fatores contribuem diretamente para a segurança e bem-estar dos trabalhadores no subsolo.

A eletrificação reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa ao substituir equipamentos a diesel por modelos movidos a energia elétrica. A Anglo Gold Ashanti já registrou redução de 63% nas emissões em relação a 2021, e desde 2022 utiliza 100% de energia renovável certificada em suas operações brasileiras. A carregadeira elétrica em operação reduz em 285 toneladas de CO₂ por ano.

A mina Cuiabá, localizada em Sabará (MG), é a mais profunda em operação no Brasil, com mais de 1.600 metros de profundidade e registros de sondagens que identificam ouro a mais de 2.400 metros. Essa profundidade extrema (quase três vezes a altura do Burj Khalifa) torna os desafios operacionais e de segurança ainda maiores, justificando investimentos em tecnologias que melhorem as condições de trabalho no subsolo.

A empresa implementou diversas soluções integradas no Programa de Descarbonização e Eficiência Energética (PDEE), incluindo: sistema de ventilação sob demanda que reduz consumo de energia em até 25%, carregadeira elétrica 100% em operação desde 2024, uso de 100% energia renovável certificada desde 2022, e agora a autobetoneira elétrica. Além disso, planeja automação, monitoramento remoto e perfuração autônoma.

A carregadeira elétrica Scooptram ST14, em operação desde 2024, oferece ganhos de produtividade estimados em até 8% devido ao torque instantâneo e maior velocidade de deslocamento. Reduz o consumo mensal de combustível em cerca de 9.120 litros (economia superior a R$ 63,8 mil mensais), elimina 285 toneladas de CO₂ por ano e reduz custos de manutenção pela menor quantidade de partes móveis.

A empresa tem como objetivo trocar todas as suas carregadeiras por modelos elétricos até 2027. Além disso, caminhões de transporte, veículos leves e frota de apoio também estão no radar de eletrificação. Essa estratégia faz parte de uma visão de longo prazo que trata a inovação como instrumento de competitividade e resiliência operacional.

A eletrificação reduz significativamente os custos operacionais, principalmente pela diminuição da demanda por ventilação intensiva, considerada um dos principais custos em minas profundas. A menor quantidade de partes móveis em equipamentos elétricos reduz custos de manutenção, enquanto o menor calor gerado diminui a necessidade de sistemas de resfriamento complexos, resultando em economia operacional substancial.