Pessoa realizando reflorestamento como uma alternativa lucrativa com o plantio de mudas de árvores em área degradada.
Foto: Ronstik / Shutterstock

Reflorestamento ganha força como alternativa lucrativa

Ações estão se tornando negócio rentável e capaz de competir com atividades tradicionais do agronegócio brasileiro

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 23/02/2026

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A recuperação de áreas por meio de estratégias de reflorestamento e restauração já compete economicamente com atividades como a pecuária extensiva e o cultivo de eucaliptos. A avaliação foi de Thiago Picolo, CEO da Re.green, uma das empresas que vem movimentando o mercado com projetos que unem retorno financeiro e impacto climático.

“A atividade já gera rentabilidade competitiva com vários outros usos da terra. Seguramente muito melhor do que a pecuária extensiva, que notoriamente gera baixos retornos”, afirmou Picolo, em entrevista à Folha de São Paulo. Segundo ele, o setor tem despertado a atenção de investidores e grandes corporações globais, que buscam compensar emissões de carbono e cumprir compromissos de sustentabilidade.

Fundada pelo economista Bernardo Strassburg e pelo documentarista João Moreira Salles, e com investidores como a Gávea, do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, a Re.green já acumula mais de 30 mil hectares de projetos na Amazônia e na Mata Atlântica e planeja chegar a 1 milhão de hectares. A principal demanda vem de empresas que têm interesse em áreas de restauração como parte de seus programas de descarbonização – dentre elas, o executivo cita a Microsoft e Nestlé. 

Infraestrutura verde

Um terreno com linhas representando hectares, cercado por árvores e uma pequena represa, ideal para agricultura ou construção.
Foto: DifferR

Picolo define o modelo de negócio como “infraestrutura verde”, pelo alto investimento inicial e retorno de longo prazo. A companhia identifica áreas degradadas por meio de análises geoespaciais, adquire ou arrenda propriedades e implementa projetos de reflorestamento e geração de créditos de carbono.

O arrendamento tem sido ferramenta importante para atrair pecuaristas. “Mostramos que os morros e áreas pouco produtivas do pasto podem gerar mais receita sendo restauradas do que com gado. O produtor recebe um valor maior do que o que ganha hoje e ainda pode tornar sua pecuária mais produtiva com a receita adicional do carbono”, explicou Picolo.

Em um dos contratos recentes, 35 mil hectares serão restaurados. Isto representa quase quatro vezes o tamanho da cidade de Paris.

Mercado em expansão e planos de Bolsa

O setor de restauração florestal já conta com outros players relevantes, como a recém-criada Biomas, associação que reúne Suzano, Vale, Itaú, Santander, Marfrig e Rabobank. O interesse crescente de grandes grupos confirma, segundo Picolo, que o negócio do carbono deixou de ser encarado como filantropia.

“Desde o primeiro dia a empresa tem uma visão clara de ter fins lucrativos. Quanto maior o impacto ambiental, melhores são os retornos”, disse o executivo, mencionando a possibilidade futura de IPO (oferta pública inicial). “É um sonho que a gente tem. Seria maravilhoso liderar o IPO da primeira empresa de restauração de florestas do Brasil.”

Reputação blindada

Picolo reconhece que parte do setor enfrenta desconfiança após controvérsias em projetos RED (Redução de Emissões por Desmatamento), voltados a evitar o desmatamento de áreas preservadas. Mas ele afirma que a Re.green aposta em iniciativas ARR — plantio e recuperação de áreas já degradadas —, reduzindo risco de distorções.

“Quando você tenta justificar uma floresta que já está em pé, há espaço para subjetividade. Restaurar áreas que viraram pasto há décadas torna muito mais clara a adicionalidade”, explicou o CEO. Segundo ele, a presença de cientistas entre os fundadores e investidores de renome ajudou a blindar a reputação da companhia.