- 93% das empresas brasileiras integram sustentabilidade como pilar estratégico central em suas decisões corporativas, conforme pesquisa da Aberje divulgada antes da COP30.
- 90% das organizações já possuem áreas específicas dedicadas à sustentabilidade, evidenciando o amadurecimento do setor corporativo na incorporação de práticas ESG.
- A COP30 em Belém mobiliza expectativas do setor privado, com 89% das empresas acreditando no impacto relevante do evento para políticas ambientais e oportunidades de relacionamento com tomadores de decisão.
Antecedendo a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em novembro, em Belém (PA), um levantamento da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) mostrou que as organizações brasileiras estão cada vez mais preocupadas com a sustentabilidade. Um índice de 93% das empresas consultadas consideram que o tema é estratégico, sendo visto como “um pilar central dentro das decisões corporativas”.
A pesquisa Comunicação e Engajamento Empresarial na COP30, divulgada no final do segundo semestre deste ano, mostrou que a COP30, por ser realizada no Brasil, mobiliza altas expectativas no setor privado, com 89% das empresas acreditando que o evento terá um impacto relevante no que diz respeito às boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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Um dos destaques do levantamento é o fato de que 90% das empresas brasileiras já contam com uma área específica dedicada à sustentabilidade. De acordo com a Aberje, os resultados do trabalho demonstram o amadurecimento do setor corporativo, que passa a enxergar as questões relacionadas à sustentabilidade como determinantes para as decisões.
Hamilton dos Santos, diretor-executivo da instituição, destacou que esse cenário reflete a demanda crescente por ações concretas no âmbito ESG. “As empresas estão sendo chamadas não só para adaptar suas operações, mas também para influenciar os rumos das políticas públicas ambientais”, afirmou. Ele ainda destacou que a COP deixou de ser apenas um encontro diplomático para se tornar um ambiente estratégico, que inclui a iniciativa privada e a sociedade civil, sendo uma oportunidade para mostrar o que está sendo feito e construir alianças.
O levantamento da Aberje ouviu 104 organizações, incluindo empresas privadas (31%), com maior concentração na região Sudeste (78%), especialmente em São Paulo (57%). Quase metade dessas organizações possui mais de 5 mil colaboradores, representando 32 setores da economia. Dentre as empresas entrevistadas, os segmentos de destaque são Energia/Bioenergia (15%), Agropecuário (7%), Tecnologia da Informação (6%), Alimentos e Bebidas (5%) e Seguros/Previdência Privada (5%).
COP30 mobiliza expectativas do setor privado

O levantamento da Aberje também mostrou que 89% das empresas consideram que a COP30 terá um “impacto relevante” para o país.
Dentre as expectativas manifestadas pelos entrevistados, estão a tendência de maior compromisso com a agenda climática (tema apontado por 47%), tanto por parte das nações quanto pelas empresas privadas. O estabelecimento de acordos alinhados aos interesses dos setores produtivos também foi citado por 37% dos respondentes, assim como a necessidade de definição de metas mais ambiciosas para enfrentar a crise climática (apontada por 34%).
Mais da metade (52%) das empresas consultadas participarão, pela primeira vez, de uma COP. Aquelas que já estiveram em conferências anteriores destacaram entre “grandes benefícios do evento” a maior aproximação com tomadores de decisão (40%), o aprimoramento de estratégias de ações relacionadas a temas ESG (38%), o estabelecimento de ações internas de conscientização (35%) e o melhor entendimento sobre a adequação a novas regulamentações (32%).
Maior proximidade com tomadores de decisão
Sonia Consiglio, SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU, reforçou a importância da aproximação com tomadores de decisão como um dos maiores ganhos provenientes da COP, dada a presença de líderes no evento. Em artigo, ela destaca ser “imperativo olhar para esse contexto de forma estratégica”.
Segundo Sonia, a maioria das empresas (52%) nunca esteve presente em uma COP. No caso da edição deste ano, até meados de 2025, 44% das organizações ainda estavam avaliando a participação e 12% já haviam decidido não ir. Das organizações que pretendem estar presentes, 18% farão palestras ou estarão em debates e 14% enviarão representantes como ouvintes. “Um dos maiores ganhos de estar lá é a aproximação e relacionamento com tomadores de decisão, dado apontado por 40% dos entrevistados. Realmente, esse ambiente propicia essa interação. Os líderes estão todos ali”, reforçou Sonia.
Ainda em sua avaliação, a COP30 é uma oportunidade única para empresas brasileiras se posicionarem globalmente no debate climático, embora isso exija planejamento e objetivos bem definidos.

