Imagem de uma mineração com equipamentos de extração de minério em operação e o céu claro ao fundo, ilustrando as emissões do setor de mineração.
Foto: Vale

Emissões do setor de mineração representam apenas 0,55% do total nacional

De acordo com o relatório do Ibram, setor trabalha para reduzir ainda mais a pegada de carbono com metas para 2030 e 2040

Por Redação, 5 min de leitura

Publicado em 02/10/2025 | Atualizado em 24/10/2025

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  • A mineração brasileira emite 0,55% do total nacional de gases de efeito estufa, representando 12,77 milhões de toneladas de CO2 equivalente, conforme inventário 2024 do IBRAM.
  • O setor implementa estratégias de descarbonização como substituição de combustíveis fósseis por renováveis, eletrificação de frotas e economia circular, com meta de zero carbono até 2030/2040.
  • A transparência nas emissões aumentou significativamente: 75% das empresas não divulgavam inventários em 2023, reduzindo para apenas 25% em 2024, permitindo melhor monitoramento setorial.
Resumo revisado pela redação.

No Brasil, o setor de mineração responde por uma parcela relativamente pequena das emissões de gases de efeito estufa (GEE) – apenas 0,55% do total, ou 12,77 milhões de toneladas de CO2 equivalente –, segundo dados do Inventário de Emissões GEE do Setor Mineral 2024 do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Os associados da entidade respondem por mais de 85% da produção nacional de minérios. A indústria, em geral, é responsável por 3% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Desse total, 18% são oriundas do setor mineral.

Ainda assim, o objetivo da indústria de mineração é atingir a meta de zero carbono até 2030/2040, um compromisso que se insere na Agenda ESG da Mineração do Brasil, estabelecida em 2019, de acordo com o diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann.

Ainda de acordo com a entidade, o setor tem evoluído e a mineração já adota diversas iniciativas para reduzir suas emissões de GEE, como a diminuição do consumo de combustíveis fósseis, estratégias para melhorar a eficiência energética e a adoção de fontes renováveis de energia, além de ações como a conservação de florestas, a gestão sustentável de resíduos e a economia circular.

Avanços do setor

Blocos de madeira empilhados com setas apontando para cima, simbolizando crescimento e progresso sustentável.
Foto: patpitchaya/ Shutterstock

Além desses avanços, o documento do Ibram mostra que as empresas do segmento também apresentam números positivos na divulgação de inventários de emissões. Até então, antes de 2024, cerca de 75% das organizações não divulgavam seus inventários. Esse quadro se inverteu e, segundo os números mais atuais (2024), apenas 25% ainda não o fazem.

O Ibram considera essa transparência determinante para estabelecer as emissões do segmento. A entidade reforça, em seu relatório, que “monitorar e reportar as emissões são as principais iniciativas para desenhar a estratégia de descarbonização.”

O levantamento considerou 42 indústrias associadas ao Ibram, além de entidades como a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), o Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários (SindiRochas) e a Associação Brasileira do Carvão Mineral. A amostra representa 50% do ROM (sigla em inglês para run of mine, ou minério bruto) nacional.

Compromisso com a transição energética

Painel solar e turbinas eólicas ao pôr do sol, simbolizando energia renovável e sustentável.
Foto: Miha Creative/ Shutterstock

As iniciativas demonstram o compromisso da indústria com a transição energética, o que inclui a preservação da Amazônia, o conhecimento e a mitigação de suas próprias emissões e a proposta de expansão da oferta de minérios críticos para uma economia verde, por meio de uma abrangente política pública. Para tanto, os avanços na redução de emissões nos escopos 1, 2 e 3 (diretas e indiretas), que seguem a metodologia do Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), fazem toda a diferença.

O que significam os escopos 1, 2 e 3?

De acordo com o GHG Protocol, emissões de escopo 1 são aquelas produzidas pela própria empresa ou por sua atividade; as de escopo 2 são indiretas e se referem, por exemplo, ao uso de fontes de energia, calor ou vapor; e as do escopo 3 são aquelas que a empresa não controla, como as decorrentes de sua cadeia de valor.

Escopo 1

No caso da mineração, as emissões de escopo 1 totalizam 11,29 milhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), ou 88% do total do inventário, e são majoritariamente (59%) provenientes da queima de combustíveis fósseis, especialmente óleo diesel. 

Para combater o problema, as mineradoras têm implementado algumas medidas, como a substituição de fontes de energia fósseis por alternativas renováveis, a eletrificação de equipamentos e da frota de veículos, além da adoção de veículos autônomos. 

O hidrogênio verde é uma alternativa para contornar o uso de produtos de origem fóssil, embora outras opções, como biocombustíveis e HVO (biocombustível de segunda geração, produzido por meio do tratamento de óleos vegetais e gorduras animais com hidrogênio, com características similares ao diesel fóssil), também possam resultar na redução de emissões.

Além disso, a renovação de processos produtivos e o refinamento da contabilização e mitigação de emissões de carvão, particularmente as emissões de metano da exploração de minas profundas, são importantes para que as empresas alcancem a redução de emissões enquadradas no escopo 1.

Escopo 2

As emissões de escopo 2, que são indiretas e resultam da aquisição de energia elétrica, somam 1,47 milhão de tCO2e. Para mitigá-las, as mineradoras têm ampliado o uso de fontes de energia renovável para o consumo de eletricidade. Esta transição é fundamental, dado que a queima de combustível fóssil para geração de energia é uma das principais causadoras de emissões.

Escopo 3

Pela primeira vez em um inventário setorial da mineração, o estudo do Ibram quantificou as emissões de escopo 3, que são indiretas e relacionadas a operações da cadeia de valor, totalizando 762,25 milhões de tCO2e. A metalurgia é destacada como o principal elo da cadeia de valor da mineração, sendo uma importante fonte dessas emissões. 

As mineradoras buscam reduzir as emissões do escopo 3 por meio da adoção de estratégias de economia circular, com destaque para o uso de sucata reciclada (identificada como a atividade mais disponível para a descarbonização industrial). Além disso, outras práticas, como a alteração nos processos produtivos da metalurgia, a eletrificação de equipamentos e a troca de combustíveis, ou a alteração de rotas de produção, podem gerar reduções significativas a médio prazo e se mostram como alternativas importantes para a redução de emissões de escopo 3.

Para a siderurgia, o desenvolvimento de produtos que contribuem para mitigar as emissões dos clientes, como o fornecimento de um aglomerado que reduz emissões, tanto para o cliente quanto para a mineradora, tem se mostrado uma estratégia importante para a redução das emissões do cliente – e, consequentemente, da cadeia de valor das mineradoras.

Pontos de melhoria

Considerando a intensidade de emissões dos escopos 1 e 2 por tonelada de minério, o segmento com maior emissão é o de rochas ornamentais: 0,148 tCO2e/t; seguido por prata: 0,131; chumbo: 0,080; vanádio: 0,063; e espodumênio (lítio): 0,048. O minério mais produzido (em toneladas) no Brasil, o de ferro, está em 17º nesse ranking: 0,008 tCO2e/t.

Os pontos de melhoria apontados pelo Ibram, são:

  • aumentar, gradativamente, o número de bens minerais incluídos no inventário, de forma a estimular o aumento da maturidade do tema entre as empresas e identificar o perfil de emissão de outras tipologias;
  • expandir a contabilização de emissões no escopo 3, principalmente dos minerais críticos para a transição energética;
  • refinar o cálculo das emissões fugitivas (liberações de GEE, geralmente não intencionais) de carvão, sobretudo as oriundas de metano da exploração de minas profundas;
  • estimular a elaboração dos inventários setoriais por bem mineral pelas associações relacionadas, de maneira a ampliar a participação das instituições na metodologia e no refinamento de resultados.

Dúvidas mais comuns

O setor de mineração responde por apenas 0,55% das emissões totais de gases de efeito estufa no Brasil, equivalente a 12,77 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Dentro da indústria em geral, que representa 3% das emissões nacionais, o setor mineral corresponde a 18% desse total. Os dados são do Inventário de Emissões GEE do Setor Mineral 2024 do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O setor de mineração tem como objetivo atingir a meta de zero carbono até 2030/2040, um compromisso que se insere na Agenda ESG da Mineração do Brasil, estabelecida em 2019. Essa meta reflete o compromisso da indústria com a transição energética e a mitigação de suas emissões de gases de efeito estufa.

As mineradoras têm implementado diversas iniciativas, como a diminuição do consumo de combustíveis fósseis, estratégias para melhorar a eficiência energética, adoção de fontes renováveis de energia, conservação de florestas, gestão sustentável de resíduos e economia circular. Além disso, estão substituindo fontes de energia fósseis por alternativas renováveis, eletrificando equipamentos e frotas de veículos, e adotando veículos autônomos.

De acordo com o GHG Protocol, as emissões de escopo 1 são aquelas produzidas pela própria empresa ou sua atividade; as de escopo 2 são indiretas e referem-se ao uso de fontes de energia, calor ou vapor; e as do escopo 3 são aquelas que a empresa não controla, como as decorrentes de sua cadeia de valor. Na mineração, o escopo 1 representa 88% das emissões totais, o escopo 2 corresponde a 1,47 milhão de tCO2e, e o escopo 3 totaliza 762,25 milhões de tCO2e.

A queima de combustíveis fósseis, especialmente óleo diesel, é responsável por 59% das emissões de escopo 1 na mineração, que totalizam 11,29 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Para combater esse problema, as mineradoras estão implementando medidas como eletrificação de equipamentos, adoção de veículos autônomos e exploração de alternativas como hidrogênio verde, biocombustíveis e HVO.

As mineradoras buscam reduzir as emissões de escopo 3 por meio da adoção de estratégias de economia circular, com destaque para o uso de sucata reciclada, que é identificada como a atividade mais disponível para a descarbonização industrial. Outras práticas incluem alteração nos processos produtivos da metalurgia, eletrificação de equipamentos, troca de combustíveis e alteração de rotas de produção.

Houve uma inversão significativa na transparência das mineradoras. Até 2024, cerca de 75% das organizações não divulgavam seus inventários de emissões, mas esse quadro se inverteu: atualmente, apenas 25% ainda não o fazem. O Ibram considera essa transparência determinante para estabelecer as emissões do segmento e desenhar estratégias de descarbonização.

Considerando a intensidade de emissões dos escopos 1 e 2 por tonelada de minério, o segmento com maior emissão é o de rochas ornamentais (0,148 tCO2e/t), seguido por prata (0,131), chumbo (0,080), vanádio (0,063) e espodumênio/lítio (0,048). O minério de ferro, o mais produzido em toneladas no Brasil, apresenta uma intensidade de apenas 0,008 tCO2e/t, ocupando a 17ª posição no ranking.