A AngloGold Ashanti renovou, no ano passado, a certificação internacional do Responsible Gold Guidance, concedida pela London Bullion Market Association (LBMA), entidade que define os principais padrões globais para a produção e comercialização responsável de ouro. Com a renovação, a companhia manteve um selo que reconhece a adoção de práticas responsáveis ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a extração até a colocação do metal no mercado.
A auditoria anual que embasa a certificação confirmou que as operações da empresa no Brasil seguem critérios rigorosos de governança, rastreabilidade, qualidade do produto e respeito aos direitos humanos. Atualmente, a AngloGold Ashanti é a única mineradora em atividade no país a deter esse reconhecimento internacional.
Segundo comunicado da companhia, a manutenção do selo está associada a investimentos contínuos em inovação, eficiência operacional e mitigação de impactos ambientais, com foco no uso racional de recursos naturais e na transparência da cadeia produtiva.
Reconhecimento em mercados globais

O Responsible Gold Guidance é o guia da LBMA que estabelece requisitos para assegurar que o ouro negociado no mercado internacional tenha origem responsável e esteja livre de riscos socioambientais, legais e reputacionais. A certificação da LBMA é concedida principalmente a refinarias, por meio do chamado Good Delivery List, que reúne unidades acreditadas pela entidade como aptas para negociação direta nos principais centros financeiros do mundo.
Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição singular dentro da operação da AngloGold Ashanti. Diferentemente de muitas minas que exportam o metal bruto para refino no exterior, o complexo metalúrgico de Queiroz, em Nova Lima (MG), abriga uma das poucas refinarias do país certificadas como LBMA Good Delivery. Isso amplia a aceitação do ouro refinado localmente nos mercados internacionais e reduz atritos de conformidade e validação para sua comercialização.
A certificaçãocertiificação tem impacto direto na precificação. Enquanto o ouro acreditado pela LBMA é negociado pelo valor integral da cotação internacional (spot), devido à sua liquidez imediata e aceitação global, a ausência de rastreabilidade pode reduzir a liquidez do ouro e gerar descontos comerciais, a depender do comprador e do mercado de destino.Esses descontos refletem custos adicionais com ensaios laboratoriais e riscos de conformidade, funcionando como um mecanismo de proteção do próprio mercado.
Vantagem competitiva

A renovação da certificação internacional traz efeitos diretos para a estratégia comercial da AngloGold Ashanti no Brasil. Um dos principais desdobramentos é o fortalecimento da empresa como fornecedora de ouro para grandes redes de joalheria que exigem rastreabilidade total, como a Vivara. Nessas parcerias, a garantia de origem e a conformidade com padrões internacionais reconhecidos pela LBMA são condições essenciais para o fornecimento do metal.
Do ponto de vista operacional, a certificação está ancorada em uma estrutura integrada de produção. O complexo de Queiroz processa minério proveniente de diferentes frentes da companhia, como a mina de Cuiabá, em Sabará, e a mina de Lamego, também em Minas Gerais. Conforme dados consolidados de 2024, a produção combinada dessas unidades totalizou 271 mil onças e contribuiu para o total de 351 mil onças de ouro produzidas pela AngloGold Ashanti no Brasil.
A estratégia de conformidade internacional se soma a outros sistemas de certificação adotados pela empresa. A AngloGold Ashanti também adota o Código Internacional de Gestão do Cianeto, que orienta a indústria na adoção de práticas responsáveis e transparentes no uso controlado da substância, seguindo normas globais de segurança e qualidade.
Ao manter a certificação da LBMA e integrá-la à sua estrutura produtiva e comercial, a AngloGold Ashanti consolida a rastreabilidade como ativo estratégico, reduz riscos regulatórios e financeiros e amplia o acesso a mercados que remuneram melhor o ouro produzido sob padrões internacionais de responsabilidade.