Um movimento coordenado entre o BNDES, gigantes do setor, a bolsa de valores brasileira (B3) e instituições financeiras internacionais está criando um robusto e diversificado ecossistema de financiamento para a mineração no Brasil. Com foco em destravar o potencial do país em minerais críticos, essenciais para a transição energética, uma série de iniciativas promete preencher um vácuo histórico de capital, especialmente para projetos em estágio inicial, mas sob a condição de um novo patamar de rigor técnico, social e ambiental.
A peça principal desse movimento é a criação de um fundo de investimento com meta de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões, ancorado pelo BNDES. A gestão ficará a cargo da Ore Investments, gestora com DNA mineiro que se define como “mineradores que viraram gestores”. “Nosso foco é estar onde a ação acontece, na mina”, afirma Mauro Barros, da Ore, explicando que a estratégia é atuar em fases de maior risco, como a pesquisa mineral, buscando participações minoritárias relevantes (15% a 40%) e atuando ativamente na governança para destravar valor.

O otimismo em torno do fundo é sustentado por números que revelam um gigantesco potencial represado. Flávio da Mota, chefe do Departamento de Indústrias de Bases Extrativas do BNDES, compartilhou dados de uma chamada pública recente com a Finep para projetos de minerais estratégicos. A iniciativa, que esperava R$ 5 bilhões em propostas, recebeu 124 projetos que somaram impressionantes R$ 86 bilhões em investimentos. “Foi extremamente surpreendente, furando qualquer projeção mais otimista”, declarou Mota.

Portfólio diversificado: de juros baixos a fundos estratégicos
Além do novo fundo, o BNDES detalhou seu portfólio de apoio ao setor. Para projetos com foco em inovação, o banco oferece uma linha de crédito com taxas de juros que, segundo Mota, ficam “em torno de 4,5% a 5% ao ano”.
Para a agenda de sustentabilidade e minerais críticos, o principal instrumento é o Fundo Clima, que já captou cerca de R$ 21 bilhões via “Green Bonds”. O custo final do financiamento para as empresas, de acordo com o executivo, “orbita entre 8,5% e 9% ao ano”. “Aqui, sem dúvida, enquadram-se os projetos dos minerais críticos”, afirmou Mota.
As portas para o capital global
Enquanto o fomento nacional se estrutura, as portas do capital internacional se abrem, mas com exigências claras. Guillaume Légaré, representante da Bolsa de Valores de Toronto (TSX) no Brasil, apresentou a plataforma canadense como a “principal bolsa de mineração do mundo”, com um ecossistema único para financiar empresas pré-operacionais (juniors). O setor na TSX atingiu recentemente US$ 1 trilhão em valor de mercado e, apenas em 2024, levantou US$ 10 bilhões.

Para acessar esse capital, Légaré destaca três pilares: a qualidade do ativo (comprovada por padrões técnicos internacionais), uma equipe de gestão competente e, crucial, a sustentabilidade (ESG), que “já faz parte do discurso” e é premissa para o investidor.
Do outro lado do Atlântico, o European Investment Bank (EIB) também mira o Brasil através da estratégia “Global Gateway”. Marco Diogo, representante do banco de investimentos europeu, revelou um pipeline de 3 bilhões de euros para projetos de mineração. O financiamento, no entanto, exige um “ângulo europeu”: o projeto deve envolver acionistas, tecnologia ou compradores do continente.

O desafio interno e a condição ESG
Apesar do cenário promissor, o acesso a esse capital está condicionado a um novo nível de profissionalismo. O setor, em parceria com o BNDES, busca uma aproximação com a B3 para fortalecer o mercado de capitais local, já que o número de mineradoras listadas na bolsa brasileira “não conta nos dedos das duas mãos”.
Mauro Barros, da Ore Investments, alerta que, por mais rentável que um projeto pareça, “não existem atalhos em relação ao licenciamento ambiental e socioambiental”. Ele enfatiza que o respeito a ritos como audiências públicas e a correta elaboração de estudos de impacto são inegociáveis para investidores institucionais. A mensagem é clara: o capital para a nova era da mineração brasileira está disponível, mas apenas para aqueles dispostos a jogar segundo as mais altas regras de governança e sustentabilidade.
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* Especial para o Radar Mineração
Dúvidas mais comuns
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O BNDES liderou a criação de um fundo de investimento com meta de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões, gerido pela Ore Investments. O fundo atua em fases de maior risco, como pesquisa mineral, buscando participações minoritárias relevantes (15% a 40%) e atuando ativamente na governança para destravar valor em projetos de minerais críticos essenciais para a transição energética.
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O BNDES oferece duas principais linhas: uma linha de crédito com taxas de juros em torno de 4,5% a 5% ao ano para projetos com foco em inovação, e o Fundo Clima, que financia projetos de sustentabilidade e minerais críticos com custo final entre 8,5% e 9% ao ano. O Fundo Clima já captou cerca de R$ 21 bilhões via Green Bonds.
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Uma chamada pública do BNDES com a Finep esperava R$ 5 bilhões em propostas de projetos de minerais estratégicos, mas recebeu 124 projetos que somaram impressionantes R$ 86 bilhões em investimentos, demonstrando um gigantesco potencial represado no setor.
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A TSX é a principal bolsa de mineração do mundo, com um ecossistema único para financiar empresas pré-operacionais (juniors). O setor na TSX atingiu recentemente US$ 1 trilhão em valor de mercado e levantou US$ 10 bilhões apenas em 2024, oferecendo acesso significativo ao capital internacional.
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Para acessar capital internacional, especialmente pela TSX, os projetos devem atender três pilares: qualidade do ativo comprovada por padrões técnicos internacionais, uma equipe de gestão competente e sustentabilidade (ESG), que é premissa fundamental para investidores institucionais.
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O EIB possui um pipeline de 3 bilhões de euros para projetos de mineração através da estratégia 'Global Gateway'. O financiamento exige um 'ângulo europeu', ou seja, o projeto deve envolver acionistas, tecnologia ou compradores do continente europeu.
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Investidores institucionais exigem rigoroso cumprimento de ritos como audiências públicas e elaboração correta de estudos de impacto ambiental. Não existem atalhos nesse processo, sendo a sustentabilidade e governança condições essenciais para acessar o capital disponível na nova era da mineração brasileira.
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O número de mineradoras listadas na bolsa brasileira (B3) é muito reduzido, não contando nos dedos das duas mãos. O setor busca uma aproximação com a B3 para fortalecer o mercado de capitais local e aumentar o acesso a financiamento através do mercado de valores.

