A mineração de ouro no Brasil tem captado o interesse de multinacionais estrangeiras, o que consolida a internacionalização do setor. Nos últimos anos, empresas do Canadá, China e outros países adquiriram minas brasileiras e impulsionaram a exploração de recursos minerais no território nacional. Entre os fatores que explicam esse movimento estão o potencial das reservas, a estabilidade regulatória e a valorização do ouro no mercado global.
O subsolo brasileiro é conhecido por abrigar grandes reservas minerais, o que atrai investidores interessados em longo prazo. A estabilidade do marco regulatório brasileiro também figura como atrativo, pois reduz incertezas para empresas estrangeiras que exploram o setor. Outro ponto determinante é a valorização do ouro no contexto de crise global. Em outubro de 2025, a cotação da onça troy (31,1 gramas) atingiu o patamar de R$21.690,39. A alta reforça o interesse em adquirir ativos prontos para operação, permitindo o início imediato da exploração.
Participação estrangeira no setor de mineração

Grandes investidores estrangeiros, incluindo empresas canadenses e chinesas, têm impulsionado o crescimento do setor de mineração em estados como Goiás e Alagoas. Em Goiás, o governo estadual desenvolve o Plano Estadual de Recursos Minerais, estratégia que visa a orientar o setor nos próximos 20 anos. Em Alagoas, a mineração já representa um pilar das exportações locais, com destaque para os mercados da China, Índia, Polônia e Finlândia.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a presença estrangeira é vista como um motor de desenvolvimento econômico, especialmente em regiões remotas do país. “É a liberdade econômica. Não há problemas com a origem do capital se são respeitadas as regulamentações do país, em questão ambiental, social e de impostos”, declarou Frederico Bedran, diretor do Ibram.
De acordo com a The Gold Bullion Company, o Brasil ocupa a 7ª posição entre os maiores produtores de ouro do mundo, atrás de países como Índia, Turquia e China. Em 2024, o Brasil produziu 90 toneladas de ouro, sendo 61,9 toneladas exportadas. O Canadá foi o principal destino, recebendo 46% do total exportado, o equivalente a R$ 1,84 bilhão.
Nos primeiros quatro meses de 2025, o Brasil registrou crescimento de 59,94% no valor exportado e de 19,28% no volume, comparados ao mesmo período do ano anterior.
Principais transações recentes
- Aquisição da Mineração Serra Grande: a multinacional canadense Aura Minerals adquiriu a Mineração Serra Grande (MSG), localizada em Crixás (GO), por US$ 76 milhões. A mina produziu, em 2024, o equivalente a 80 mil onças de ouro (2,5 toneladas), o necessário, por exemplo, para produzir cerca de 250 mil alianças de casamento de 10 gramas. A planta da MSG possui capacidade para processar 1,5 milhão de toneladas de minério por ano e mantém cerca de 1,6 mil empregos diretos. O contrato inclui um adicional de 3% sobre lucros líquidos decorrentes da fundição da reserva atual.
- Entrada da Baiyin Nonferrous: a estatal chinesa Baiyin Nonferrous adquiriu, por US$ 420 milhões, a Mineração Vale Verde (MVV), localizada em Craíbas (AL). O negócio, concluído em abril, marca a entrada do grupo chinês no Brasil. Desde então, a Baiyin enviou 18 carregamentos à China, contendo ouro, prata e cobre. Em 2024, a MVV produziu 8,2 mil onças de ouro equivalentes e gerou aproximadamente 1,1 mil empregos diretos. Além disso, a MVV contribuiu para que Alagoas se tornasse um polo exportador de concentrado mineral, respondendo por 28,2% das exportações do estado desde 2021 (para China, Finlândia, Índia e Polônia).
A mineração de ouro, além de movimentar cadeias produtivas, tem impacto direto na arrecadação de impostos e na geração de empregos. O ouro extraído no Brasil é, em sua maioria, exportado em barras, com baixo nível de industrialização interna. Globalmente, o ouro tem três principais aplicações: 52% em joias; 2% em tecnologias; e o restante como ativo financeiro.
Embora o setor enfrente desafios relacionados à soberania e esgotamento de recursos naturais, especialistas defendem que o uso de capital estrangeiro é benéfico, desde que respeitadas as regulamentações brasileiras nos âmbitos ambiental, social e fiscal.