Vários pedaços de ouro brilhante espalhados sobre areia preta, destacando a textura e o brilho do ouro.
Foto: Phawat / Shutterstock

Brasil atrai multinacionais para mineração de ouro

Entre os fatores que explicam este movimento estão o potencial das reservas, a estabilidade regulatória e a valorização do ouro no mercado global

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 26/11/2025 | Atualizado em 05/11/2025

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  • Multinacionais canadenses e chinesas adquirem minas de ouro brasileiras, aproveitando as grandes reservas, estabilidade regulatória e valorização global do metal precioso.
  • A cotação do ouro atingiu R$ 21.690,39 por onça troy em outubro de 2025, incentivando investidores estrangeiros a adquirir ativos prontos para operação imediata.
  • O Brasil é o 7º maior produtor mundial de ouro, gerando empregos diretos e arrecadação fiscal em regiões remotas, com exportações crescendo 59,94% em valor nos primeiros quatro meses de 2025.
Resumo revisado pela redação.

A mineração de ouro no Brasil tem captado o interesse de multinacionais estrangeiras, o que consolida a internacionalização do setor. Nos últimos anos, empresas do Canadá, China e outros países adquiriram minas brasileiras e impulsionaram a exploração de recursos minerais no território nacional. Entre os fatores que explicam esse movimento estão o potencial das reservas, a estabilidade regulatória e a valorização do ouro no mercado global.

O subsolo brasileiro é conhecido por abrigar grandes reservas minerais, o que atrai investidores interessados em longo prazo. A estabilidade do marco regulatório brasileiro também figura como atrativo, pois reduz incertezas para empresas estrangeiras que exploram o setor. Outro ponto determinante é a valorização do ouro no contexto de crise global. Em outubro de 2025, a cotação da onça troy (31,1 gramas) atingiu o patamar de R$21.690,39. A alta reforça o interesse em adquirir ativos prontos para operação, permitindo o início imediato da exploração.

Participação estrangeira no setor de mineração

Escavadora carregando areia em um canteiro de obras ao pôr do sol, destacando o trabalho na construção civil e movimentação de terra.
Foto: Gorodenkoff / Shutterstock

Grandes investidores estrangeiros, incluindo empresas canadenses e chinesas, têm impulsionado o crescimento do setor de mineração em estados como Goiás e Alagoas. Em Goiás, o governo estadual desenvolve o Plano Estadual de Recursos Minerais, estratégia que visa a orientar o setor nos próximos 20 anos. Em Alagoas, a mineração já representa um pilar das exportações locais, com destaque para os mercados da China, Índia, Polônia e Finlândia. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a presença estrangeira é vista como um motor de desenvolvimento econômico, especialmente em regiões remotas do país. “É a liberdade econômica. Não há problemas com a origem do capital se são respeitadas as regulamentações do país, em questão ambiental, social e de impostos”, declarou Frederico Bedran, diretor do Ibram.

De acordo com a The Gold Bullion Company, o Brasil ocupa a 7ª posição entre os maiores produtores de ouro do mundo, atrás de países como Índia, Turquia e China. Em 2024, o Brasil produziu 90 toneladas de ouro, sendo 61,9 toneladas exportadas. O Canadá foi o principal destino, recebendo 46% do total exportado, o equivalente a R$ 1,84 bilhão.

Nos primeiros quatro meses de 2025, o Brasil registrou crescimento de 59,94% no valor exportado e de 19,28% no volume, comparados ao mesmo período do ano anterior.

Principais transações recentes

  • Aquisição da Mineração Serra Grande: a multinacional canadense Aura Minerals adquiriu a Mineração Serra Grande (MSG), localizada em Crixás (GO), por US$ 76 milhões. A mina produziu, em 2024, o equivalente a 80 mil onças de ouro (2,5 toneladas), o necessário, por exemplo, para produzir cerca de 250 mil alianças de casamento de 10 gramas. A planta da MSG possui capacidade para processar 1,5 milhão de toneladas de minério por ano e mantém cerca de 1,6 mil empregos diretos. O contrato inclui um adicional de 3% sobre lucros líquidos decorrentes da fundição da reserva atual.
  • Entrada da Baiyin Nonferrous: a estatal chinesa Baiyin Nonferrous adquiriu, por US$ 420 milhões, a Mineração Vale Verde (MVV), localizada em Craíbas (AL). O negócio, concluído em abril, marca a entrada do grupo chinês no Brasil. Desde então, a Baiyin enviou 18 carregamentos à China, contendo ouro, prata e cobre. Em 2024, a MVV produziu 8,2 mil onças de ouro equivalentes e gerou aproximadamente 1,1 mil empregos diretos. Além disso, a MVV contribuiu para que Alagoas se tornasse um polo exportador de concentrado mineral, respondendo por 28,2% das exportações do estado desde 2021 (para China, Finlândia, Índia e Polônia).

A mineração de ouro, além de movimentar cadeias produtivas, tem impacto direto na arrecadação de impostos e na geração de empregos. O ouro extraído no Brasil é, em sua maioria, exportado em barras, com baixo nível de industrialização interna. Globalmente, o ouro tem três principais aplicações: 52% em joias; 2% em tecnologias; e o restante como ativo financeiro.

Embora o setor enfrente desafios relacionados à soberania e esgotamento de recursos naturais, especialistas defendem que o uso de capital estrangeiro é benéfico, desde que respeitadas as regulamentações brasileiras nos âmbitos ambiental, social e fiscal.

Dúvidas mais comuns

As multinacionais estrangeiras, principalmente do Canadá e China, estão investindo em mineração de ouro no Brasil devido a três fatores principais: o potencial das grandes reservas minerais no subsolo brasileiro, a estabilidade do marco regulatório que reduz incertezas para empresas estrangeiras, e a valorização global do ouro no mercado internacional. Em outubro de 2025, a cotação da onça troy atingiu R$21.690,39, reforçando o interesse em adquirir ativos prontos para operação.

O Brasil possui diversas mineradoras de ouro, sendo a Mineração Serra Grande (MSG), localizada em Crixás (GO), uma das principais produtoras do país. Recentemente, a canadense Aura Minerals adquiriu a MSG por US$ 76 milhões. Outra importante operação é a Mineração Vale Verde (MVV), em Craíbas (AL), adquirida pela estatal chinesa Baiyin Nonferrous por US$ 420 milhões em abril de 2024. Ambas as minas estão entre as maiores produtoras de ouro do Brasil.

Sim, a mineração de ouro no Brasil continua ativa e em expansão. Em 2024, o Brasil produziu 90 toneladas de ouro, sendo 61,9 toneladas exportadas, ocupando a 7ª posição entre os maiores produtores mundiais. Nos primeiros quatro meses de 2025, o Brasil registrou crescimento de 59,94% no valor exportado e de 19,28% no volume comparados ao mesmo período do ano anterior, demonstrando o dinamismo do setor.

O Brasil ocupa a 7ª posição entre os maiores produtores de ouro do mundo, atrás de países como Índia, Turquia e China. Em 2024, o país produziu 90 toneladas de ouro, consolidando sua importância no cenário global de mineração. O Canadá é o principal destino das exportações brasileiras de ouro, recebendo 46% do total exportado, equivalente a R$ 1,84 bilhão.

Os principais estados com mineração de ouro no Brasil são Goiás e Alagoas. Em Goiás, o governo estadual desenvolve o Plano Estadual de Recursos Minerais, estratégia que visa orientar o setor nos próximos 20 anos. Em Alagoas, a mineração já representa um pilar das exportações locais, com destaque para os mercados da China, Índia, Polônia e Finlândia, respondendo por 28,2% das exportações do estado desde 2021.

Em 2024, o Brasil produziu 90 toneladas de ouro, sendo 61,9 toneladas exportadas. O Canadá foi o principal destino, recebendo 46% do total exportado, o equivalente a R$ 1,84 bilhão. Nos primeiros quatro meses de 2025, o Brasil registrou crescimento de 59,94% no valor exportado e de 19,28% no volume, comparados ao mesmo período do ano anterior.

A mineração de ouro tem impacto significativo na economia brasileira, movimentando cadeias produtivas, gerando empregos diretos e contribuindo para a arrecadação de impostos. A Mineração Serra Grande mantém cerca de 1,6 mil empregos diretos, enquanto a Mineração Vale Verde gerou aproximadamente 1,1 mil empregos diretos. Além disso, o setor consolida a internacionalização do Brasil e atrai investimentos estrangeiros que impulsionam o desenvolvimento econômico, especialmente em regiões remotas do país.

O ouro extraído no Brasil é, em sua maioria, exportado em barras com baixo nível de industrialização interna. Globalmente, o ouro tem três principais aplicações: 52% em joias, 2% em tecnologias, e o restante como ativo financeiro. Essa distribuição reflete a importância do ouro tanto para o mercado de luxo quanto para investimentos e aplicações industriais.