Veículo de mineração em operação na exploração de recursos minerais, ilustrando tendências de tecnologia e sustentabilidade no mercado de mineração.
Foto: Parilov / Shutterstock

Conheça 10 tendências para o mercado de mineração

Levantamento da Deloitte mostra que esforços para a digitalização e descarbonização das operações são diferenciais para empresas do setor mineral

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 15/12/2025

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  • A indústria de mineração enfrenta transformações impulsionadas por mudanças geopolíticas, pressão por cadeias resilientes e metas de descarbonização, exigindo que empresas adotem operações mais eficientes e sustentáveis.
  • Digitalização, inteligência artificial e sistemas ERP modernos emergem como ferramentas centrais para otimizar exploração mineral, operações inteligentes e decisões ágeis no setor.
  • Descarbonização, ESG e soluções baseadas na natureza tornaram-se diferenciais estratégicos que geram valor financeiro e competitivo, demandando investimentos entre US$ 360 e US$ 450 bilhões até 2030.
Resumo revisado pela redação.

A indústria da mineração passa por transformações impulsionadas por fatores como mudanças geopolíticas, pressão por cadeias de suprimentos mais resilientes e a necessidade crescente de cumprir metas de descarbonização. Nesse contexto, empresas do setor buscam melhorar eficiência, reduzir riscos e adotar modelos de operação mais sustentáveis.

O relatório Tracking the trends 2025, da Deloitte, analisa essas mudanças e apresenta as principais direções que devem orientar o setor nos próximos anos. A partir desse retrato, o estudo destaca dez tendências que devem moldar o futuro da mineração. Confira cada uma delas a seguir.

1. Lideranças preparadas para o futuro do setor

Em um ambiente complexo e incerto, os líderes devem ter sensibilidade e consciência ao liderar uma força de trabalho diversa; gerir produtividade; priorizar saúde mental e desenvolver curiosidade tecnológica, abraçando a inteligência artificial generativa (GenAI). Outros pontos destacados pelo relatório são a capacidade de empoderar e motivar a força de trabalho e a habilidade de se tornar uma liderança transformacional, pronta para atuar em ambientes de grandes mudanças.

2. Ecossistemas de negócios e alianças

A transição energética está impulsionando uma corrida global por minerais críticos. Para gerenciar a volatilidade geopolítica e os riscos da cadeia de suprimentos, as empresas de mineração devem alavancar ecossistemas de negócios para maximizar a criação de valor. Isso inclui a formação de alianças e o aproveitamento de incentivos governamentais. O setor também deve liderar a economia circular para reduzir a dependência de grandes quantidades de minerais virgens.

3. Crescimento e resiliência

A incerteza geopolítica e a participação ativa (e crescente) de investidores forçam as mineradoras a buscarem o equilíbrio de seus portfólios. Essa gestão envolve a avaliação regular de ativos para garantir que estejam alinhados com a estratégia geral da empresa, retendo aqueles que geram vantagem competitiva e alienando ativos não essenciais. Essa abordagem contínua é necessária para a resiliência da empresa e também para a agilidade de suas decisões.

4. Uso de IA na exploração mineral

Embora o investimento em exploração mineral permaneça elevado, a taxa de descoberta de depósitos economicamente viáveis diminuiu significativamente na última década. Os dados geocientíficos pré-competitivos (dados geológicos, geofísicos e geoquímicos públicos) podem ser aproveitados para informar melhor os programas de exploração, gerando economia de tempo e custos. A aplicação de ferramentas avançadas de inteligência artificial (IA) e machine learning (ML) a dados de qualidade pode acelerar novas descobertas e contribuir para o desenvolvimento de estratégias de exploração.

5. Sistemas de ERP vão promover decisões mais ágeis

O estudo mostra que existe uma necessidade urgente de as empresas de mineração e metais substituírem seus sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) legados por plataformas de próxima geração. Esta mudança é vista não apenas como uma atualização de software, mas como uma oportunidade para a reinvenção do negócio. 

6. Uso de dados para operações inteligentes

Operador de mineração usando tablet com dados de operações inteligentes em um cenário de mineração, destaque para tecnologia inovadora na indústria de mineração.
Imagem gerada digitalmente

Operações inteligentes utilizam recursos digitais, como IA, gêmeos digitais e análises preditivas para otimizar processos e gerar ganhos mensuráveis em eficiência, segurança e sustentabilidade. O objetivo é expandir as operações inteligentes para a escala empresarial, convergindo as tecnologias operacionais (OT) e de informação (IT). O uso de gêmeos digitais no setor, por exemplo, otimiza novas minas (greenfield) desde o início, simulando cenários operacionais para reduzir custos e aumentar a segurança.

7. GenAI na força de trabalho 

De acordo com o relatório, a adoção da IA Generativa (GenAI) deve focar em como essa tecnologia pode ser usada para atingir metas de produtividade e sustentabilidade. A GenAI pode elevar os resultados de tarefas rotineiras e liberar tempo dos trabalhadores para atividades de maior valor estratégico, ajudando a mitigar a escassez de talentos. Para tanto, é importante desenvolver estratégias de requalificação (reskilling) que preparem a força de trabalho para novas funções, as quais exigirão competências em análise de dados, robótica avançada e pensamento crítico.

Glossário da Mineração

Machine learning

Conjunto de métodos da IA que permite que sistemas aprendam padrões a partir de dados e melhorem seu desempenho ao longo do tempo sem programação explícita. Na mineração, o machine learning é usado para prever falhas em equipamentos, otimizar processos, identificar anomalias e apoiar a tomada de decisão em operações complexas com base em análises preditivas.

Gêmeos digitais

Representações virtuais de processos, ativos ou ambientes reais. Na mineração, permitem simular cenários, antecipar falhas, testar melhorias e acompanhar o desempenho de minas, plantas industriais ou equipamentos em tempo real, aumentando a eficiência e a segurança.

8. Colaboração para o net zero 

Embora o foco sejam as metas de descarbonização, os desafios logísticos e de segurança da cadeia de suprimentos são complexos. O ritmo para alcançar o net zero é determinado por quatro fatores: acesso a financiamento (necessário um investimento adicional entre US$ 360 bilhões e US$ 450 bilhões até 2030 para habilitar a descarbonização em toda a cadeia mineral e metalúrgica – da extração ao beneficiamento, infraestrutura e logística), maturidade tecnológica, novos modelos de negócios (como infraestrutura multiusuário e mining-as-a-service) e a formação de talentos capazes de operar essas novas soluções.

9. ESG é diferencial estratégico e gerador de valor

Profissional analisando tendências de mineração com foco em ESG e inovação sustentável, destacando a importância de integração de práticas ESG no setor mineral
Foto: Katawaredokii / Shutterstock

Embora a pressão dos investidores em relação ao ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança) possa ter diminuído ligeiramente, as iniciativas focadas em sustentabilidade permanecem determinantes para a saúde financeira dos empreendimentos. As empresas devem adotar uma abordagem baseada no potencial de geração de valor do ESG, e não apenas em métricas de classificação. O uso da materialidade dupla (considerando o impacto da empresa nas pessoas/planeta e o impacto da sustentabilidade na empresa) é considerada a melhor prática.

10. Soluções baseadas na natureza

Embora o relatório da Deloitte não use exatamente este termo – soluções baseadas na natureza –, o documento destaca que o setor de extração mineral está, atualmente, em um ponto crítico na forma como se relaciona com a natureza, o que significa que as mudanças são necessárias, incluindo a integração de questões como biodiversidade, preservação de recursos, geologia e clima como preponderantes para a operação. 

Globalmente, essa mudança vem sendo impulsionada por estruturas como a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) e o International Council on Mining and Metals (ICMM). Segundo o documento, a transição para práticas nature-positive (positivas para a natureza) não é apenas uma obrigação moral, mas uma oportunidade financeira significativa (com potencial de negócios anual de US$ 10 trilhões até 2030, em três setores, incluindo o extrativo). 

Dúvidas mais comuns

Segundo o relatório Tracking the trends 2025 da Deloitte, as dez principais tendências incluem: lideranças preparadas para o futuro, ecossistemas de negócios e alianças, crescimento e resiliência, uso de IA na exploração mineral, sistemas de ERP de próxima geração, uso de dados para operações inteligentes, GenAI na força de trabalho, colaboração para o net zero, ESG como diferencial estratégico e soluções baseadas na natureza. Essas tendências refletem a transformação do setor impulsionada por mudanças geopolíticas, pressão por cadeias de suprimentos resilientes e necessidade de descarbonização.

A IA e machine learning estão acelerando a descoberta de novos depósitos minerais através da análise de dados geocientíficos pré-competitivos (dados geológicos, geofísicos e geoquímicos públicos). Essas ferramentas avançadas permitem gerar economia de tempo e custos nos programas de exploração, compensando a diminuição significativa na taxa de descoberta de depósitos economicamente viáveis na última década.

A modernização de sistemas de ERP legados para plataformas de próxima geração é vista como uma oportunidade estratégica de reinvenção do negócio, não apenas uma atualização de software. Essa mudança é necessária para que as empresas de mineração e metais tomem decisões mais ágeis e se adaptem melhor ao ambiente complexo e incerto do setor.

As operações inteligentes utilizam recursos digitais como IA, gêmeos digitais e análises preditivas para otimizar processos e gerar ganhos mensuráveis em eficiência, segurança e sustentabilidade. O objetivo é expandir essas operações para a escala empresarial, convergindo tecnologias operacionais (OT) e de informação (IT), com gêmeos digitais simulando cenários para reduzir custos e aumentar a segurança em novas minas.

A IA Generativa pode elevar os resultados de tarefas rotineiras e liberar tempo dos trabalhadores para atividades de maior valor estratégico, ajudando a mitigar a escassez de talentos. Para isso, é importante desenvolver estratégias de requalificação que preparem a força de trabalho para novas funções exigindo competências em análise de dados, robótica avançada e pensamento crítico.

Segundo o relatório, é necessário um investimento adicional entre US$ 360 bilhões e US$ 450 bilhões até 2030 para habilitar a descarbonização em toda a cadeia mineral e metalúrgica, da extração ao beneficiamento, infraestrutura e logística. O ritmo para alcançar o net zero também depende de maturidade tecnológica, novos modelos de negócios e formação de talentos.

As empresas devem adotar uma abordagem baseada no potencial de geração de valor do ESG, não apenas em métricas de classificação. A materialidade dupla, que considera tanto o impacto da empresa nas pessoas e planeta quanto o impacto da sustentabilidade na empresa, é considerada a melhor prática para integrar ESG como diferencial estratégico e gerador de valor.

As práticas nature-positive (positivas para a natureza) representam uma oportunidade financeira significativa, com potencial de negócios anual de US$ 10 trilhões até 2030 em três setores, incluindo o extrativo. A integração de questões como biodiversidade, preservação de recursos, geologia e clima é necessária não apenas como obrigação moral, mas como estratégia de negócio viável.