A mina de Bagdad, uma das maiores reservas de cobre do mundo, integra uma iniciativa estratégica da Freeport-McMoRan que pode gerar uma economia estimada em US$ 1,5 bilhão. Esse valor foi projetado pela consultoria McKinsey, parceira da mineradora em um projeto de uso de inteligência artificial (IA) na mina que pode resultar em um aumento de produção entre 5% e 10%.
Não se trata de um incremento comum, a melhoria pode adicionar cerca de 90 mil toneladas de minério por ano à produção da mina. O volume, de acordo com reportagem da Reuters, corresponde a uma nova planta de processamento, que demandaria um investimento bilionário e poderia levar até dez anos para atingir o comissionamento.
Na avaliação da Reuters, o caso de Bagdad mostra a convergência entre velha tecnologia (mineração) e as novas fronteiras de inovação (IA e outros), uma tendência que vem ganhando muita tração..
IA, gêmeos digitais e bioengenharia
Em suas operações no Chile e na Austrália, a BHP tem combinado a adoção de IA com a tecnologia de gêmeos digitais. O combo de recursos permite que os especialistas da BHP repliquem virtualmente, em tempo real, as atividades de suas plantas e possam avaliar o processo como um todo. Isso permite melhorar a moagem do minério a partir de iniciativas tomadas na fase de desmonte da rocha (detonação) que vai alimentar o processamento.
Outra combinação citada envolve bioengenharia (integração de princípios da engenharia com ciências biológicas para desenvolver soluções tecnológicas) para recuperar minérios enterrados em depósitos de rejeitos. O cobre, novamente, é um exemplo. Entre 1910 e 2010, as mineradoras mundiais teriam extraído 650 milhões de toneladas métricas do minério, mas 100 milhões de toneladas nunca chegaram ao mercado. Todo esse metal está presente em lagoas de rejeitos, aguardando a tecnologia adequada para desbloqueá-lo.
Empresas do setor já têm explorado esse potencial, como a Rio Tinto, que teve sucesso na recuperação de metais críticos, como escândio e telúrio, a partir de resíduos de suas plantas.
A canadense Hudbay também vem avaliando o potencial de reaproveitamento de rejeitos na mina de Flin Flon, em Manitoba, fechada em 2022, depois de quase um século de operação e com depósitos ricos em minerais.
Segundo especialistas indianos, a biorecuperação (Uso de organismos vivos para recuperar ambientes contaminados) combinada a ferramentas de IA pode ser altamente eficiente no reaproveitamento de metais nobres presentes em depósitos de rejeitos.
Sozinha, a biorecuperação utiliza microrganismos, algas e fungos no processo, alcançando taxas eficiente e ótima (até 80-95%), mesmo em baixas concentrações. Com as ferramentas de IA, como aprendizado de máquina, redes neurais e plataformas de bioinformática, os resultados podem ser otimizados.
Entre os ganhos da combinação estão a capacidade da IA em otimizar parâmetros de processo (pH, temperatura e fornecimento de nutrientes), prever o desempenho microbiano e automatizar o monitoramento em tempo real com precisão preditiva próxima de 90% para manter as condições ideais para recuperação.