Mina Bagdad, uma grande mineração de cobre no deserto, utilizando IA para recuperação eficiente do cobre
Mina de Bagdad, no estado do Arizona, é uma das principais reservas de cobre dos EUA (Foto: Devin Poolman / Flickr)

Mineradora economiza US$ 1,5 bilhão com uso de IA para recuperar cobre

Combinação de inteligência artificial, réplicas precisas e bioengenharia transforma a recuperação de metais e reduz custos

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 27/02/2026

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A mina de Bagdad, uma das maiores reservas de cobre do mundo, integra uma iniciativa estratégica da Freeport-McMoRan que pode gerar uma economia estimada em US$ 1,5 bilhão. Esse valor foi projetado pela consultoria McKinsey, parceira da mineradora em um projeto de uso de inteligência artificial (IA) na mina que pode resultar em um aumento de produção entre 5% e 10%.

Não se trata de um incremento comum, a melhoria pode adicionar cerca de 90 mil toneladas de minério por ano à produção da mina. O volume, de acordo com reportagem da Reuters, corresponde  a uma nova planta de processamento, que demandaria um investimento bilionário e poderia levar até dez anos para atingir o comissionamento. 

Na avaliação da Reuters, o caso de Bagdad mostra a convergência entre velha tecnologia (mineração) e as novas fronteiras de inovação (IA e outros), uma tendência que vem ganhando muita tração..

IA, gêmeos digitais e bioengenharia

Em suas operações no Chile e na Austrália,  a BHP tem combinado a adoção de IA com a tecnologia de gêmeos digitais. O combo de recursos permite que os especialistas da BHP repliquem virtualmente, em tempo real, as atividades de suas plantas e possam avaliar o processo como um todo. Isso permite melhorar a moagem do minério a partir de iniciativas tomadas na fase de desmonte da rocha (detonação) que vai alimentar o processamento.

Outra combinação citada envolve bioengenharia (integração de princípios da engenharia com ciências biológicas para desenvolver soluções tecnológicas) para recuperar minérios enterrados em depósitos de rejeitos. O cobre, novamente, é um exemplo. Entre 1910 e 2010, as mineradoras mundiais teriam extraído 650 milhões de toneladas métricas do minério, mas 100 milhões de toneladas nunca chegaram ao mercado. Todo esse metal está presente em lagoas de rejeitos, aguardando a tecnologia adequada para desbloqueá-lo.

Empresas do setor já têm explorado esse potencial, como a Rio Tinto, que teve sucesso na recuperação de metais críticos, como escândio e telúrio, a partir de resíduos de suas plantas.

A canadense Hudbay também vem avaliando o potencial de reaproveitamento de rejeitos na mina de Flin Flon, em Manitoba, fechada em 2022, depois de quase um século de operação e com depósitos ricos em minerais.

Segundo especialistas indianos, a biorecuperação (Uso de organismos vivos para recuperar ambientes contaminados) combinada a ferramentas de IA pode ser altamente eficiente no reaproveitamento de metais nobres presentes em depósitos de rejeitos.

Sozinha, a biorecuperação utiliza microrganismos, algas e fungos no processo, alcançando taxas eficiente e ótima (até 80-95%), mesmo em baixas concentrações. Com as ferramentas de IA, como aprendizado de máquina, redes neurais e plataformas de bioinformática, os resultados podem ser otimizados.

Entre os ganhos da combinação estão a capacidade da IA em otimizar parâmetros de processo (pH, temperatura e fornecimento de nutrientes), prever o desempenho microbiano e automatizar o monitoramento em tempo real com precisão preditiva próxima de 90% para manter as condições ideais para recuperação.