Um grande contêiner derrama metal derretido misturado com antimônio, emitindo luz laranja brilhante e fumaça dentro de uma usina siderúrgica industrial
Metal derretido misturado com antimônio dentro de uma usina siderúrgica - Foto: Pedal to the Stock/ Shutterstock

Antimônio: mineral caminha para normalização após choque global de oferta

Suspensão de restrições chinesas e avanço de novos fornecedores devem estabilizar mercado em 2026, embora metal mantenha valorização acentuada nesta década

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 17/06/2026 | Atualizado em 10/06/2026

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Após um ciclo de escassez e disparada de preços, o mercado global de antimônio, classificado como mineral crítico pelas grandes economias, entra em uma fase de transição rumo à estabilidade. A expectativa para 2026 é de normalização gradual do suprimento, impulsionada pela retomada das exportações chinesas e pela ampliação da produção em países do Sudeste Asiático, além do surgimento de novos projetos em outras regiões.

Esse movimento ocorre após um período de forte desorganização da cadeia, que expôs a concentração geográfica da oferta e levou governos e empresas a acelerarem estratégias de diversificação.

O antimônio é um metalóide de importância transversal para diferentes cadeias industriais, com aplicações que vão de setores tradicionais à economia digital e defesa, conforme define o Fórum Econômico Mundial. Cerca de metade da demanda global está concentrada na produção de retardantes de chama, utilizados em plásticos e materiais de construção.

Outros usos relevantes incluem baterias de chumbo-ácido, semicondutores e ligas metálicas. Mais recentemente, a transição energética e a digitalização também ampliaram sua aplicação. 

O composto ainda é utilizado como clarificador na fabricação de vidro para painéis solares fotovoltaicos, processo no qual é considerado insubstituível, e também em cabeamentos resistentes ao fogo, essenciais para a expansão de data centers.

A demanda é reforçada ainda por aplicações militares, como munições e sistemas de defesa, o que confere ao mineral um caráter estratégico, mesmo em cenários de alta de preços.

Choque da China, escalada de preços e reversão parcial

A instabilidade recente do mercado teve origem em decisões da China, que domina a cadeia global de antimônio. Em agosto de 2024, o país começou a exigir licenças rigorosas para exportação e, em dezembro do mesmo ano, proibiu completamente as vendas para os Estados Unidos.

As medidas provocaram um estrangulamento imediato da oferta internacional. Como resultado, os preços dispararam e atingiram o recorde histórico de US$ 59,75 mil por tonelada em julho de 2025, refletindo a dificuldade de substituição do material e a ausência de fornecedores alternativos no curto prazo.

O cenário começou a mudar no fim de 2025, quando negociações diplomáticas levaram à suspensão das restrições chinesas para produtos de uso duplo, incluindo o antimônio, com liberação das exportações até novembro de 2026. A reabertura dos fluxos comerciais iniciou um movimento de correção nos preços e reduziu a diferença entre o mercado doméstico chinês e o internacional.

Em 2026, o preço recuou devido à entrada de novos fundidores no mercado e a uma estabilização na oferta estratégica, embora os preços ainda permaneçam significativamente mais altos do que a média histórica. Em 2020, a cotação oscilou entre US$ 6 mil e US$ 8 mil por tonelada, por exemplo. Em abril de 2026 – já após correção de altas históricas registradas no ano anterior – a cotação chegou US$ 24 mil por tonelada, ou seja, quatro vezes mais do que há seis anos, conforme  indicadores do Shanghai Metals Market (SMM).

Oferta mais diversificada e novos investimentos

Infográfico sobre o antimônio destaca principais usos globais, países dominantes na oferta (China e Rússia), impacto da crise recente e diversificação da produção de antimônio no Sudeste Asiático, EUA e Europa Oriental.
Ao responder por 50% da demanda de antimônio, indústrias de retardantes de chama têm peso nas negociações do mineral

A expectativa de estabilização está ancorada em dois vetores: aumento da oferta e normalização comercial. De um lado, os preços elevados estimularam novas operações de fundição e o avanço da produção no Sudeste Asiático. De outro, a flexibilização das restrições chinesas tende a recompor os fluxos globais.

Ao mesmo tempo, a crise expôs a elevada concentração da cadeia, dominada por China, Rússia e Tadjiquistão, e acelerou iniciativas para diversificação geográfica. Países ocidentais também passaram a investir na reativação de minas e no financiamento de projetos em regiões da Europa Oriental, Ásia Central e África.

Nos Estados Unidos, o governo mobilizou recursos para fortalecer a produção doméstica e reduzir a dependência externa. A United States Antimony Corporation (USAC), por exemplo, recebeu aporte de US$ 27 milhões do Departamento de Defesa estadunidense para expandir sua capacidade produtiva.

Fora de suas fronteiras, o governo norte-americano também mobilizou capital. A Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento (DFC) assinou um acordo de financiamento de até US$ 5 milhões com a mineradora australiana Pela Global Limited (PELA). O objetivo é financiar a retomada do projeto brownfield da mina de antimônio de Dol de Krstov, localizada na Macedônia do Norte.

Tendência de estabilização com demanda firme

Um close-up de uma tocha de solda emitindo chamas brilhantes enquanto corta uma placa de metal grossa e enferrujada contendo traços de antimônio em uma oficina escura.
Antimônio tem forte aplicação na indústria de retardantes de chamas. Foto: F Armstrong Photography / Shutterstock

Com a recomposição gradual da oferta, os preços do antimônio já entraram em trajetória de queda, movimento que deve se estender ao longo de 2026 com redução da lacuna entre mercados e maior previsibilidade nas cotações. Isso não deve interferir na relevância do mineral, uma vez que a demanda estrutural permanece sólida devido às aplicações tradicionais e novos vetores, como energia solar, infraestrutura digital e defesa.

A recente correção de preços também diminui o incentivo à busca por substitutos, que exigem testes técnicos e investimentos elevados.