Circuito de semicondutores em uma placa de circuito impresso, destacando componentes eletrônicos utilizados na fabricação de eletrônicos e tecnologia moderna.
Foto: Raigvi / Shutterstock

Semicondutores: corrida por chips começa na mineração 

Com cadeias de produção complexas e bem delimitadas, a produção de chips pode não ser mais uma prioridade para países como o Brasil, que se valem de minerais necessários para aprofundar aplicações sobre esses dispositivos

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 30/04/2026

Baixar PDF Copiar link
  • A produção de semicondutores concentra-se em poucos países, especialmente Taiwan, tornando a mineração de recursos críticos uma alternativa estratégica para economias como o Brasil.
  • China domina o processamento de minerais essenciais aos chips enquanto EUA restringe acesso chinês à tecnologia avançada, intensificando a disputa geopolítica por semicondutores.
  • Brasil pode priorizar fornecimento de minerais críticos e desenvolvimento de aplicações em inteligência artificial em vez de competir diretamente na fabricação de chips.
Resumo revisado pela redação.

A alta demanda por semicondutores transformou os chips em um dos ativos mais estratégicos da economia contemporânea. Base da infraestrutura digital — especialmente de dispositivos conectados e sistemas de inteligência artificial — esses componentes estão no centro das disputas geopolíticas globais, levando grandes economias a buscar controle sobre sua produção e suprimento.

Essa nova geopolítica dos semicondutores, no entanto, não se limita a laboratórios de alta tecnologia ou fábricas ultramodernas. Ela começa no subsolo, na extração de minerais essenciais à fabricação de circuitos, sensores, baterias e equipamentos de computação avançada. Com reservas relevantes desses recursos, o Brasil busca se posicionar nesse mercado não apenas pela fabricação de chips, mas pela possibilidade de transformar sua abundância mineral em vantagem tecnológica.

Segundo o historiador econômico Chris Miller, o autor do livro Chip War, poucos países conseguem produzir chips avançados, e essa escassez transforma os semicondutores em um recurso estratégico. Isso se intensificou nos últimos anos porque esses componentes fazem parte do desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial mais sofisticadas.

China x EUA

Ambientes automatizados de fabricação de semicondutores com cadeias globais de minerais, tecnologia avançada e processamento sofisticado.
Ambientes automatizados de fabricação de semicondutores (Foto: IM Imagery / Shutterstock)

Entre as duas principais potências da atualidade, os semicondutores são parte importante da disputa pela liderança econômica global. Enquanto os EUA tentam restringir o acesso chinês aos chips mais avançados e fortalecer a produção doméstica, a China concentra o processamento de minerais críticos usados na produção dos chips

Parte do embate gira em torno de Taiwan, que detém a maior produção global dos semicondutores mais avançados. Para Miller, essa posição dificilmente será substituída na próxima década, mesmo com novas fábricas anunciadas em países como Japão e Estados Unidos. A maior parte da capacidade tecnológica de ponta continuará localizada na ilha. Esse cenário desperta ainda mais o interesse chinês sobre Taiwan, que já esteve sob sua administração. 

Segundo ele, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) concentra a produção dos semicondutores mais avançados — aqueles fabricados nos chamados nós tecnológicos de ponta — segmento no qual a China ainda tem capacidade limitada.  

A importância estratégica dos chips, no entanto, não significa que o valor econômico seja limitado apenas à fabricação. Miller argumenta que os semicondutores são uma base indispensável, mas que a maior parte da riqueza da próxima década virá das aplicações desenvolvidas sobre eles. Para países como o Brasil, esse cenário abre duas perspectivas: a primeira é se posicionar como fornecedor de minerais críticos para essa indústria e a segunda é avançar na utilização de IA, com o desenvolvimento de aplicações e serviços sustentados pela expansão da infraestrutura de data centers no país. 

Toda essa nova dinâmica pode redefinir o lugar do Brasil na cadeia de valor: em vez de competir na produção de semicondutores, o país tem a possibilidade de concentrar esforços nos minerais críticos e na criação de serviços que utilizem esses componentes como base. Uma das possibilidades está na atração de investimentos em pesquisa e desenvolvimento na área de IA e data centers, dadas as condições energéticas atrativas. 

Dúvidas mais comuns

Semicondutores são componentes eletrônicos fundamentais para a infraestrutura digital moderna, formando a base de dispositivos conectados e sistemas de inteligência artificial. Sua importância estratégica reside no fato de que poucos países conseguem produzir chips avançados, transformando-os em um recurso crítico nas disputas geopolíticas globais e nas economias contemporâneas.

A produção de semicondutores começa na mineração, com a extração de minerais essenciais para a fabricação de circuitos, sensores, baterias e equipamentos de computação avançada. Países com reservas relevantes desses recursos, como o Brasil, têm a oportunidade de transformar sua abundância mineral em vantagem tecnológica, posicionando-se como fornecedores críticos para essa indústria.

Taiwan detém a maior produção global de semicondutores mais avançados através da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), que concentra a fabricação nos chamados nós tecnológicos de ponta. Essa posição dificilmente será substituída na próxima década, mesmo com novas fábricas anunciadas em outros países, mantendo a ilha como centro tecnológico indispensável.

Os EUA tentam restringir o acesso chinês aos chips mais avançados e fortalecer a produção doméstica, enquanto a China concentra o processamento de minerais críticos usados na produção dos chips. Taiwan é central nesse embate, pois sua posição estratégica na fabricação de semicondutores avançados intensifica o interesse chinês na ilha.

Em vez de competir diretamente na produção de semicondutores, o Brasil tem a oportunidade de se posicionar como fornecedor de minerais críticos para a indústria e avançar na utilização de IA, desenvolvendo aplicações e serviços sustentados pela expansão de data centers. Isso aproveita as condições energéticas atrativas do país e redefinir seu lugar na cadeia de valor global.

Segundo especialistas, embora os semicondutores sejam uma base indispensável, a maior parte da riqueza da próxima década virá das aplicações desenvolvidas sobre eles, não apenas da fabricação dos chips. Isso abre oportunidades para países investirem em desenvolvimento de aplicações, serviços e infraestrutura de IA em vez de apenas produzir os componentes.

A escassez de semicondutores avançados é um problema porque esses componentes são essenciais para o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial sofisticadas e para toda a infraestrutura digital moderna. Poucos países conseguem produzir chips avançados, o que transforma sua disponibilidade em um fator crítico para a competitividade econômica e tecnológica global.

O Brasil pode atrair investimentos em pesquisa e desenvolvimento na área de IA e data centers, aproveitando suas condições energéticas atrativas. Essas oportunidades permitem que o país desenvolva serviços e aplicações que utilizem semicondutores como base, criando valor agregado sem necessidade de competir diretamente na fabricação de chips.