O encontro do Fórum Econômico Mundial (WEF, da sigla em inglês) trouxe várias pautas, entre elas o papel global da mineração. Dos Estados Unidos ao Azerbaijão, passando pela Groenlândia, a discussão envolveu questões importantes como a logística de fornecimento de minerais críticos e estratégicos e a produção sustentável de minerais.
A cooperação internacional foi um dos tópicos da mineração em Davos, cidade suíça que hospedou os debates. Durante sua fala no fórum, o ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Alkhorayef, defendeu a importância da infraestrutura para escoamento de minerais, que pode consumir até 30% dos custos totais de mineração em alguns países. Isso significa que obras em ferrovias, portos e redes logísticas envolvem um esforço que precisa ser coletivo e não deve ficar restrito aos países produtores.

Bolívia mostra potencial
Com grande potencial mineral, a Bolívia também marcou presença no WEF, ao apresentar sua nova visão de mineração. A aposta do país é em uma atividade moderna, sustentável e conectada ao mundo.
De acordo com o site EJU, as exportações bolivianas de minerais totalizaram US$ 579 milhões em outubro de 2025, o maior valor mensal desde julho de 2022, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). As principais movimentações envolvem zinco, ouro, prata, estanho e platina, que constituem a maior parte de suas exportações de mineração.
O Azerbaijão, por sua vez, listou as atividades minerais como uma de suas atratividades econômicas, ao lado das energias renováveis e do potencial de desenvolver data centers. Segundo o presidente Ilham Aliyev, a mineração é um setor relativamente novo no Azerbaijão, já que a maioria dos metais raros está localizada em territórios que estiveram sob controle armênio nos últimos dois a cinco anos.

“Atualmente, estamos em uma fase ativa de exploração, utilizando as tecnologias mais avançadas, a fim de determinar com precisão nosso potencial”, declarou o chefe de estado.
E por falar em potencial, a riqueza mineral da Groenlândia foi pauta recorrente em Davos, com destaque para o esboço de um acordo com os Estados Unidos e outros países da Otan para acesso a direitos minerais da ilha.
Terras raras na Groenlândia
Segundo o Center for Strategic & International Studies (CSIS), a Groenlândia é rica em recursos naturais, incluindo minério de ferro, grafite, tungstênio, paládio, vanádio, zinco, ouro, urânio, cobre e petróleo.
Os recursos que mais atraem a atenção para a região, no entanto, são os elementos de terras raras (ETR). A região ocupa o oitavo lugar no mundo em reservas de terras raras, com 1,5 milhão de toneladas, e abriga dois depósitos que estão entre os maiores do mundo. Apesar disso, não há nenhuma atividade de mineração de terras raras até o momento.
O grande empecilho para isso é o clima ártico rigoroso, que impede atividades de mineração na maior parte da ilha durante boa parte do ano: apenas 20% da Groenlândia está livre de gelo, e as temperaturas podem chegar a 40 graus Celsius negativos.
Esse cenário pode mudar nos próximos anos, à medida que o aquecimento global altera as condições climáticas da região. Segundo o CSIS, essa mudança abre o acesso a recursos minerais adicionais, bem como a novas rotas de navegação e transporte, potencialmente tornando a Groenlândia uma parceria viável para a mineração.