Banner do Fórum Econômico Mundial em Davos 2026 com destaque para temas de mineração, participação internacional e cenário de montanhas nevadas ao fundo.
Foto: World Economic Forum Annual Meeting via Flickr

Davos coloca mineração no centro do debate sobre cadeias globais de suprimento

Debates no Fórum Econômico Mundial reuniram governos e especialistas para discutir logística, cooperação internacional e minerais críticos, do zinco da Bolívia às terras raras da Groenlândia

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 28/01/2026

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O encontro do Fórum Econômico Mundial (WEF, da sigla em inglês) trouxe várias pautas, entre elas o papel global da mineração. Dos Estados Unidos ao Azerbaijão, passando pela Groenlândia, a discussão envolveu questões importantes como a logística de fornecimento de minerais críticos e estratégicos e a produção sustentável de minerais.

A cooperação internacional foi um dos tópicos da mineração em Davos, cidade suíça que hospedou os debates. Durante sua fala no fórum, o ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Alkhorayef, defendeu a importância da infraestrutura para escoamento de minerais, que pode consumir até 30% dos custos totais de mineração em alguns países. Isso significa que obras em ferrovias, portos e redes logísticas envolvem um esforço que precisa ser coletivo e não deve ficar restrito aos países produtores.

Ministro Bandar Alkhorayef durante sua participação no World Economic Forum, representando a Arábia Saudita na área de Indústria e Recursos Minerais.
Bandar Alkhorayef, ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita (Foto: World Economic Forum / Valeriano Di Domenico via Flickr)

Bolívia mostra potencial

Com grande potencial mineral, a Bolívia também marcou presença no WEF, ao apresentar sua nova visão de mineração. A aposta do país é em uma atividade moderna, sustentável e conectada ao mundo.

De acordo com o site EJU, as exportações bolivianas de minerais totalizaram US$ 579 milhões em outubro de 2025, o maior valor mensal desde julho de 2022, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). As principais movimentações envolvem zinco, ouro, prata, estanho e platina, que constituem a maior parte de suas exportações de mineração.

O Azerbaijão, por sua vez, listou as atividades minerais como uma de suas atratividades econômicas, ao lado das energias renováveis e do potencial de desenvolver data centers. Segundo o presidente Ilham Aliyev, a mineração é um setor relativamente novo no Azerbaijão, já que a maioria dos metais raros está localizada em territórios que estiveram sob controle armênio nos últimos dois a cinco anos.

Presidente Ilham Aliyev em evento do Fórum Econômico Mundial
Presidente Ilham Aliyev (Foto: World Economic Forum / Sandra Blaser via Flickr)

“Atualmente, estamos em uma fase ativa de exploração, utilizando as tecnologias mais avançadas, a fim de determinar com precisão nosso potencial”, declarou o chefe de estado.

E por falar em potencial, a riqueza mineral da Groenlândia foi pauta recorrente em Davos, com destaque para o esboço de um acordo com os Estados Unidos e outros países da Otan para acesso a direitos minerais da ilha.

Terras raras na Groenlândia

Segundo o Center for Strategic & International Studies (CSIS), a Groenlândia é rica em recursos naturais, incluindo minério de ferro, grafite, tungstênio, paládio, vanádio, zinco, ouro, urânio, cobre e petróleo.

Os recursos que mais atraem a atenção para a região, no entanto, são os elementos de terras raras (ETR). A região ocupa o oitavo lugar no mundo em reservas de terras raras, com 1,5 milhão de toneladas, e abriga dois depósitos que estão entre os maiores do mundo. Apesar disso, não há nenhuma atividade de mineração de terras raras até o momento.

O grande empecilho para isso é o clima ártico rigoroso, que impede atividades de mineração na maior parte da ilha durante boa parte do ano: apenas 20% da Groenlândia está livre de gelo, e as temperaturas podem chegar a 40 graus Celsius negativos.

Esse cenário pode mudar nos próximos anos, à medida que o aquecimento global altera as condições climáticas da região. Segundo o CSIS, essa mudança abre o acesso a recursos minerais adicionais, bem como a novas rotas de navegação e transporte, potencialmente tornando a Groenlândia uma parceria viável para a mineração.

Dúvidas mais comuns

Uma cadeia global de suprimentos na mineração é um conjunto de organizações localizadas em diferentes países que estão envolvidas, direta ou indiretamente, na extração, processamento, transporte e distribuição de minerais até o cliente final. Essa rede complexa inclui fornecedores, mineradoras, distribuidoras e varejistas, funcionando como um sistema integrado que busca otimizar a logística para garantir que os minerais cheguem ao destino correto, no momento certo e da forma mais eficiente possível.

A infraestrutura logística, incluindo ferrovias, portos e redes de transporte, pode consumir até 30% dos custos totais de mineração em alguns países. Conforme destacado pelo ministro da Arábia Saudita em Davos, esse esforço de desenvolvimento de infraestrutura precisa ser coletivo e não deve ficar restrito apenas aos países produtores, exigindo cooperação internacional para viabilizar o escoamento eficiente de minerais.

A Bolívia possui grande potencial mineral, com exportações que totalizaram US$ 579 milhões em outubro de 2025, o maior valor mensal desde julho de 2022. Suas principais movimentações envolvem zinco, ouro, prata, estanho e platina, que constituem a maior parte de suas exportações de mineração. O país apresenta uma nova visão de mineração focada em atividades modernas, sustentáveis e conectadas ao mundo.

A Groenlândia é rica em diversos recursos naturais, incluindo minério de ferro, grafite, tungstênio, paládio, vanádio, zinco, ouro, urânio e cobre. Os recursos que mais atraem atenção são os elementos de terras raras (ETR), sendo a região o oitavo lugar no mundo em reservas, com 1,5 milhão de toneladas e dois depósitos entre os maiores do mundo.

Apesar das abundantes reservas de terras raras, a mineração ainda não é realizada na Groenlândia devido ao clima ártico rigoroso que impede atividades de mineração na maior parte da ilha durante boa parte do ano. Apenas 20% da Groenlândia está livre de gelo, e as temperaturas podem chegar a 40 graus Celsius negativos, tornando operações de mineração extremamente desafiadoras.

O aquecimento global está alterando as condições climáticas da Groenlândia, abrindo acesso a recursos minerais adicionais e novas rotas de navegação e transporte. Essa mudança climática pode tornar a Groenlândia uma parceria viável para mineração nos próximos anos, transformando a região em um importante fornecedor de minerais críticos.

O Azerbaijão listou as atividades minerais como uma de suas principais atratividades econômicas, ao lado das energias renováveis e do potencial de desenvolver data centers. A mineração é um setor relativamente novo no país, já que a maioria dos metais raros está localizada em territórios que estiveram sob controle armênio nos últimos anos. Atualmente, o país está em fase ativa de exploração utilizando tecnologias avançadas para determinar seu potencial mineral.

A cooperação internacional é fundamental para a mineração sustentável porque envolve questões complexas como logística de fornecimento de minerais críticos, desenvolvimento de infraestrutura compartilhada e acesso a direitos minerais. O debate em Davos evidenciou que nenhum país pode resolver sozinho os desafios de produção sustentável e escoamento eficiente de minerais, exigindo parcerias entre governos, especialistas e organizações internacionais.