Uma pedra de nióbio, metálica e brilhante, com bordas irregulares, fica sobre uma superfície cinza sob uma iluminação suave que é um dos materiais usados em tecnologias de ponta de powerhoring.
Pedra de nióbio (Imagem gerada digitalmente)

Ibram e Cetem apontam potencial brasileiro de powershoring

Relatório mostra oportunidade do país atrair indústrias intensivas de energia

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 08/06/2026

Baixar PDF Copiar link

A presença de minerais críticos e de energia renovável favorece o Brasil na adoção da estratégia de powershoring, modelo de atração de investimentos de indústrias de alta intensidade energética. Essa é uma das conclusões do relatório Minerais críticos e estratégicos no Brasil: passaporte para o futuro, publicação do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), em parceria com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram).

Além das duas condições citadas acima, o powershoring também demanda infraestruturas portuárias, zonas industriais e disponibilidade de água doce, entre outros fatores críticos, na avaliação dos especialistas.

Potencial do nióbio para powershoring

Um dos exemplos citados no relatório envolve o nióbio, do qual o Brasil detém mais de 95% das reservas mundiais. Em 2024, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) inaugurou a maior fábrica mundial de ânodos com base nesse mineral, apontando o que pode ser um modelo para outros minerais críticos.

De acordo com o Cetem, a CBMM lidera mais de 40 projetos focados em soluções para baterias, envolvendo dezenas de milhões de reais exclusivamente para a inovação neste setor e com potencial de impulsionar a transição energética.

Tecnologicamente, o nióbio possui aplicações de alto impacto para veículos elétricos, atuando principalmente como um substituto do grafite em baterias de íon-lítio, com o diferencial de permitir a recarga super-rápida e maior segurança ao eliminar os riscos de explosão do equipamento.

A cadeia do nióbio tem ainda um exemplo prático de inovação, que foi o lançamento, em 2024, dos testes com ônibus elétrico (e-bus) de recarga super-rápida, desenvolvido por meio de uma parceria entre CBMM, Toshiba e Volkswagen.

As iniciativas citadas ilustram como o país pode superar a posição de exportador de recursos primários e assumir a liderança no fornecimento de tecnologias sustentáveis, gerando emprego, renda e garantindo a resiliência das cadeias globais na nova economia verde.

Para os especialistas, isso pode ser feito com o investimento no refino e na transformação química dos minerais (midstream) e na fabricação de tecnologias finais (downstream), como baterias de íons de lítio, eletrolisadores, semicondutores e painéis solares.

O relatório aponta ainda que, se o país promover essa industrialização sustentável, combinada com a recuperação de materiais via economia circular, poderá transitar para a posição de um dos grandes “vencedores” geoeconômicos da transição verde. Outro benefício é geopolítico, uma vez que o processamento global de minerais essenciais para tecnologias limpas atualmente está fortemente concentrado na China.

Minerais críticos ou estratégicos?

Além do potencial de powershoring, outro destaque do relatório é o estabelecimento da diferenciação entre minerais críticos e estratégicos. Para os especialistas do Cetem, a diferença principal reside na disponibilidade das reservas e nos riscos associados ao fornecimento para a economia.

Embora ambos sejam fundamentais para tecnologias de descarbonização e transição energética, os dois grupos são avaliados sob perspectivas distintas:

Minerais críticos

São aqueles definidos pela importância no âmbito global e pelo risco de quebra de suprimento. Para o Brasil, os minerais são classificados como críticos quando não possuem reservas nacionais significativas para suprir a demanda, quando geram alta dependência de importação em diferentes estágios da cadeia de valor e quando apresentam risco de escassez global ou quebra na cadeia de fornecimento.

Exemplos no Brasil são o potássio e o fosfato, ambos com alto grau de criticidade, visto que o país depende fortemente de importações para garantir o suprimento de fertilizantes à base desses minerais para produção agrícola e segurança alimentar.

Minerais estratégicos

São aqueles vinculados à dinâmica de oferta e demanda nacionais, apresentando grande potencial econômico, tecnológico e comercial para o país.

Eles se destacam por possuírem reservas nacionais abundantes e grande potencial de produção interna, além de alta demanda para exportação, seja na forma bruta ou seja na beneficiada.

Outra característica desse grupo é a forte importância econômica interna para a fabricação de produtos de alta tecnologia e para o adensamento da cadeia produtiva local.

Entre os exemplos do Brasil destacam-se o já citado nióbio, além do alumínio, da grafita, do ferro e dos elementos de terras raras. O nióbio e a grafita atingiram alto grau de maturidade no país graças a investimentos de longo prazo em pesquisa e desenvolvimento, permitindo a produção de bens de maior valor agregado.

Dúvidas mais comuns

Powershoring é uma estratégia de atração de investimentos focada em indústrias de alta intensidade energética, que se beneficiam da disponibilidade de energia renovável e minerais críticos. O Brasil possui grande potencial para essa estratégia devido à sua abundância de energia renovável e minerais estratégicos, além de infraestruturas portuárias e zonas industriais que complementam as condições necessárias para atrair essas indústrias.

O Brasil é detentor de mais de 95% das reservas mundiais de nióbio e da segunda maior reserva de elementos de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, representando aproximadamente 23% das reservas globais. Além disso, o país possui abundantes reservas de minerais estratégicos como alumínio, grafita, ferro e elementos de terras raras, posicionando-o como um ator geoeconômico importante na transição energética global.

Minerais críticos são aqueles definidos pela importância global e risco de quebra de suprimento, sendo críticos para o Brasil quando não há reservas nacionais significativas e há alta dependência de importação, como potássio e fosfato. Minerais estratégicos, por outro lado, estão vinculados à dinâmica de oferta e demanda nacionais, possuem reservas abundantes no país e alto potencial de produção interna, como nióbio, alumínio, grafita e ferro.

O nióbio possui aplicações de alto impacto para veículos elétricos, atuando como substituto do grafite em baterias de íon-lítio, permitindo recarga super-rápida e maior segurança ao eliminar riscos de explosão. A CBMM lidera mais de 40 projetos focados em soluções para baterias e inaugurou em 2024 a maior fábrica mundial de ânodos com base nesse mineral, demonstrando o potencial do Brasil em transformar recursos primários em tecnologias sustentáveis de alto valor agregado.

Além de energia renovável e minerais críticos, o powershoring demanda infraestruturas portuárias, zonas industriais e disponibilidade de água doce, entre outros fatores críticos. Essas condições são essenciais para atrair indústrias de alta intensidade energética e permitir o processamento e transformação de minerais em tecnologias finais como baterias, eletrolisadores e painéis solares.

O Brasil pode superar a posição de exportador de recursos primários investindo no refino e transformação química dos minerais (midstream) e na fabricação de tecnologias finais (downstream), como baterias de íons de lítio, eletrolisadores, semicondutores e painéis solares. Combinando essa industrialização sustentável com recuperação de materiais via economia circular, o país pode se posicionar como um dos grandes vencedores geoeconômicos, além de reduzir a concentração global de processamento de minerais essenciais que atualmente está fortemente concentrada na China.

Em 2024, foi lançado o teste de um ônibus elétrico (e-bus) de recarga super-rápida desenvolvido por meio de parceria entre CBMM, Toshiba e Volkswagen, utilizando tecnologia de nióbio. Esse projeto exemplifica como o Brasil pode liderar o fornecimento de tecnologias sustentáveis e gerar emprego, renda e resiliência nas cadeias globais da nova economia verde.

Atualmente, o processamento global de minerais essenciais para tecnologias limpas está fortemente concentrado na China, o que representa um risco geopolítico para a transição energética global. O Brasil, ao desenvolver sua capacidade de processamento e transformação de minerais críticos e estratégicos, pode diversificar essa cadeia de suprimento e fortalecer sua posição geoeconômica na economia verde.