Os recentes dados divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio revelam que o cenário de incertezas internacional não impediu que as exportações brasileiras alcançassem um recorde histórico em 2025.
As exportações nacionais somaram US$ 348,7 bilhões, superando em US$ 9 bilhões o recorde anterior, do ano de 2023. Com isso, garantiu um superávit de US$ 68,3 bilhões: o terceiro maior da série histórica, atrás apenas dos anos de 2023 e 2024. Em volume, as exportações brasileiras cresceram 5,7%, superando em mais do que o dobro a previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que era de 2,4%.
Importância da mineração nos resultados

A produção e a exportação dos bens minerais foram fundamentais para que esses resultados fossem atingidos. O setor mineral movimentou US$ 28,96 bilhões em exportações, o que corresponde a mais de 40% do superávit de 2024.
A exportação de minério de ferro superou pela primeira vez a marca de 400 milhões de toneladas anuais, atingindo o expressivo volume de 416 milhões de toneladas. A China segue como o principal destino das exportações de minério de ferro, tendo importado 294,5 Mt de minério brasileiro, o que equivale a mais de 70% de todas as nossas remessas em 2025.
Minas Gerais e Pará, os principais estados produtores de bens minerais também tiveram as suas balanças comerciais positivamente impactadas em decorrência da exportação dos bens minerais.
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, as exportações de Minas Gerais totalizaram US$ 45,7 bilhões e as importações somaram US$18,3 bilhões, resultando em um superávit de US$ 27,3 bilhões.
Terceiro maior exportador brasileiro em 2025, Minas Gerais teve participação de 13,1% no comércio internacional do país, sendo que cerca de 27% da pauta mineira de exportações foi representada pelo minério de ferro. O decréscimo de 5,3% em valor foi compensado com o aumento de 6,7% em volume, em relação a 2024. As exportações de ouro também tiveram destaque: representaram 7,2% e cresceram 71,7% em valor.
Os principais destinos das exportações de Minas Gerais foram a China e os Estados Unidos. A participação da China, de 36,6% em 2024, recuou para 35% em 2025 (variação de 3,7% em valor). Na mesma base de comparação, a dos Estados Unidos também recuou, de 11% para 9,3%.
A exportação dos bens minerais beneficiou diretamente os municípios. Três, dos cinco municípios mineiros que mais registraram operações de exportação, têm a mineração como base de sua economia.
Araxá (US$2,5 bilhões) alcançou a segunda posição entre os Municípios que mais exportaram, em razão das vendas de ferro ligas produzidas a partir do nióbio, para a China e Holanda. Nova Lima (US$2,5 bilhões), na terceira posição, teve vendas concentradas em minério de ferro para a China e em ouro para o Reino Unido. Paracatu, quinto da lista, alcançou a marca de US$2 bilhões, comercializando, essencialmente, ouro para o Canadá e Suíça.
O Pará, que segue disputando com Minas Gerais o posto de maior produtor de bens minerais brasileiro, encerrou 2025 com mais de US$ 24 bilhões em exportações e um superávit comercial superior a US$ 21 bilhões. O desempenho representa crescimento em relação a 2024 e foi impulsionado, principalmente, pela mineração e pelo agronegócio. Esse resultado garantiu ao Pará a posição de 5º maior exportador do país, responsável por 7% de todas as exportações brasileiras no ano passado.
A mineração também foi o eixo central da economia paraense. Em 2025, o minério de ferro e seus concentrados responderam por 48% de toda a pauta exportadora do estado. Já os minérios de cobre representaram 16,1% das exportações registradas.
Produtos da indústria de transformação ligados à cadeia mineral também tiveram participação expressiva nas exportações, com destaque para alumina (7,8%), alumínio (2,7%) e ouro não monetário (2,6%). Esse desempenho reforça a relevância de polos industriais como Barcarena, que figurou entre os principais municípios exportadores do Pará ao longo de 2025.
O estado manteve forte orientação para o mercado asiático, com destaque para a China, destino de 45,6% das exportações, seguida por Malásia, Japão e Índia. Noruega, Alemanha, Espanha e Estados Unidos também figuraram entre os principais destinos.
Preparando o futuro
Esses números demonstram a importância da produção mineral para a economia brasileira, na medida em que a exportação dos bens minerais garante saldos positivos na balança comercial do país.
A balança comercial é a diferença entre exportações e importações de um país, crucial para a economia porque afeta diretamente o PIB, o câmbio e as reservas internacionais, indicando a saúde das relações comerciais externas e a competitividade dos setores produtivos. Um superávit (mais vendas que compras) fortalece a moeda e a economia, enquanto um déficit (mais compras que vendas) pode indicar dependência externa, impactando negativamente o PIB e gerando saída de capital.
Esses resultados expressivos alcançados pelo Brasil revelam, também, a resiliência da indústria mineral do país, que manteve a capacidade e a eficiência operacional crescente, se adaptando rapidamente às oscilações globais.
Como um setor que segue se reinventando para manter competitividade e relevância global, a mineração do Brasil segue olhando para o futuro com responsabilidade e determinação. Afinal, são os resultados de hoje que preparam o terreno para um amanhã ainda melhor.