Caminhões autônomos operando em uma mineração em uma galeria subterrânea
Imagem gerada digitalmente

Evolução dos caminhões autônomos na mineração inclui operação subterrânea e energia fotovoltaica

Komatsu foi pioneira no desenvolvimento de tecnologia, mas outros players avançaram, inclusive com modelos elétricos

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 09/09/2025

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Coleta de dados em tempo real, usos subterrâneos e utilização de energia fotovoltaica são alguns aspectos da evolução da operação de caminhões autônomos na mineração. Os primeiros passos dessa tecnologia foram dados pela fabricante japonesa Komatsu, em 1990, com sua iniciativa de criar o conceito de mina autônoma no Japão. Com ela, a empresa criou o ambiente para testar os primeiros veículos autossuficientes, quase 30 anos depois no Chile.

O processo fechou um primeiro ciclo, em 2008, com a Mina do Futuro, projeto na Austrália, com presença significativa de caminhões autônomos. Em 2016, a mineradora foi a primeira no mundo a transportar todo o seu minério de ferro por meio de caminhões e veículos autônomos.

As minas subterrâneas começaram mais tarde, em 2019 em uma operação em Bali, na Indonésia, a primeira operação totalmente autônoma do mundo. Com tecnologia desenvolvida pela fabricante sueca Sandvik, o processo envolveu perfuração, carregamento e transporte automatizados.

Ao longo dos anos, os modelos de caminhões foram sendo aperfeiçoados, inclusive com a opção de funcionamento elétrico e adoção de sistemas de automação de transporte (AHS). Para conhecer o estágio a que essa tecnologia chegou nos dias atuais, confira abaixo alguns dos modelos e fabricantes de caminhões autônomos em operação:

Caterpillar

Um dos modelos mais recentes é o fora de estrada Cat 777, que estreou em 2024 na operação da Luck Stone, pedreira norte-americana no estado da Virgínia. O equipamento marca a primeira implantação de tecnologia autônoma da fabricante norte-americana no setor de agregados minerais. 

Na mineração tradicional, a Caterpillar tem modelos que, além de serem autônomos, já operam com emissão zero de gases de efeito estufa, como é o caso do Cat 793. Outra novidade é o Cat 789D, caminhão-pipa utilizado para supressão de poeira em minas.

Komatsu

Em março de 2024, a fabricante tinha ultrapassado o total de 700 caminhões autônomos em operação no mundo. Isso inclui mais de 100 unidades do 980E-AT, um dos maiores basculantes “ultraclasse”, com capacidade para transportar 400 toneladas. O 700º caminhão foi implantado na mina de cobre Lomas Bayas da Glencore, no Chile, que também foi a primeira a adotar o AHS da fabricante, em novembro de 2023.

Volvo

caminha laranja volvo modelo fh
Foto: Divulgação/ Volvo

Diferentemente da Cat e da Komatsu, os caminhões autônomos da fabricante sueca são de tamanho menor, mas também aplicáveis em mineração e pedreiras. A linha Autona/Earth foi desenvolvida para uso em ambientes confinados e controlados. O motorista virtual opera sem intervenção humana, utilizando uma combinação de lidar – uma tecnologia de sensoriamento remoto, radar, câmeras e outros dados em tempo real. 

Na mina de Brønnøy Kalk, na Noruega, a frota de sete caminhões funciona 24×7, transportando calcário da mina para o britador, inclusive em condições climáticas adversas.  

Scania

A empresa entrou no mercado de autônomos para mineração em 2024, com caminhões basculantes pesados de 40 toneladas, devendo ampliar a frota para veículos com 50 toneladas. Os caminhões seguem rotas pré-determinadas para transportar materiais do local de mineração para locais de armazenamento ou processamento. 

Assim como outros equipamentos, eles usam GPS, lidar e sensores, coletando dados em tempo real para transmiti-los a um sistema de controle central. Essas informações são utilizadas para tomar decisões sobre roteamento, manutenção e produtividade.

Sandvik

Focada em mineração subterrânea, a sueca Sandvik fez uma implementação pioneira de caminhões autônomos no Zimbábue em 2024, mas já tem tradição de autônomos desde a década de 1990. A operação comercial combinou a ativação do caminhão basculante Toro TH545i, de 45 toneladas, em uma mina de ambiente mais limitado do que o habitual. 

O veículo adota o sistema de AHS AutoMine, desenvolvido pela própria fabricante para seus veículos autônomos. Diferentemente dos caminhões usados em minas a céu aberto, os equipamentos subterrâneos são rebaixados para poderem se movimentar nos túneis abaixo da superfície.

XCMG

A fabricante chinesa ganhou destaque com a frota de 100 caminhões autônomos e elétricos que operam em mina de carvão na Mongólia. Os veículos, do modelo ZNK95, são hoje a maior frota operacional do gênero em escala mundial. O plano da mineradora dona da frota é implantar 300 desses veículos nos próximos três anos.

Equipados com tecnologia da informação (TI) da também chinesa Huawei, os veículos contam com capacidade de direção totalmente autônoma, conectividade 5G, tecnologia inteligente de troca de bateria e monitoramento de segurança em tempo real. São alimentados por energia fotovoltaica e projetados para operação contínua em frio extremo, com desempenho validado em temperaturas de até -40°C.

Dúvidas mais comuns

Caminhões autônomos na mineração são veículos que operam sem intervenção humana direta, utilizando tecnologias como GPS, lidar, radar e câmeras para se movimentar e transportar materiais. Esses equipamentos coletam dados em tempo real e transmitem informações a um sistema de controle central, permitindo operações 24 horas por dia em ambientes de mineração a céu aberto e subterrânea.

O primeiro passo foi dado pela fabricante japonesa Komatsu em 1990, com a criação do conceito de mina autônoma no Japão. A empresa desenvolveu um ambiente para testar os primeiros veículos autossuficientes, consolidando essa tecnologia quase 30 anos depois no Chile e estabelecendo as bases para a evolução contínua dessa tecnologia.

Em minas subterrâneas, os caminhões autônomos são rebaixados para se movimentar nos túneis abaixo da superfície. A primeira operação totalmente autônoma subterrânea ocorreu em 2019 em Bali, na Indonésia, envolvendo perfuração, carregamento e transporte automatizados. Esses veículos utilizam sistemas de automação de transporte (AHS) e tecnologias de sensoriamento para navegar em ambientes confinados.

As principais fabricantes incluem Caterpillar, Komatsu, Volvo, Scania, Sandvik e XCMG. A Komatsu lidera com mais de 700 caminhões autônomos em operação no mundo em março de 2024. Cada fabricante oferece modelos específicos adaptados para diferentes tipos de operações, desde minas a céu aberto até ambientes subterrâneos e pedreiras.

A energia fotovoltaica é uma das inovações mais recentes na evolução dos caminhões autônomos. A fabricante chinesa XCMG desenvolveu uma frota de 100 caminhões elétricos alimentados por energia fotovoltaica que operam em uma mina de carvão na Mongólia, com capacidade de funcionamento contínuo em temperaturas extremas de até -40°C.

A maior frota operacional do gênero em escala mundial é a da fabricante chinesa XCMG, com 100 caminhões autônomos e elétricos do modelo ZNK95 operando em uma mina de carvão na Mongólia. A mineradora proprietária da frota planeja implantar 300 desses veículos nos próximos três anos, expandindo significativamente essa operação.

Os caminhões autônomos utilizam uma combinação de tecnologias incluindo GPS, lidar (sensoriamento remoto), radar, câmeras e sistemas de coleta de dados em tempo real. Alguns modelos também incorporam conectividade 5G, tecnologia inteligente de troca de bateria e monitoramento de segurança em tempo real, permitindo operações seguras e eficientes.

Em 2016, uma mineradora se tornou a primeira no mundo a transportar todo o seu minério de ferro por meio de caminhões e veículos autônomos, marcando um importante marco na adoção em larga escala dessa tecnologia. Esse evento consolidou a viabilidade comercial dos caminhões autônomos na mineração tradicional de grande escala.