Pedra de minério de ouro extraída em uma mineração, mostrando detalhes da rocha com manchas de ouro. Cenário de mineração ao fundo, destacando o processo de extração de ouro.
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Mineração de ouro: tecnologias e desafios do setor

Reservas brasileiras ainda têm potencial de exploração, abrindo espaço para investimentos e novas pesquisas geológicas

Por Redação, 5 min de leitura

Publicado em 22/12/2025 | Atualizado em 05/01/2026

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  • A mineração de ouro no Brasil evolui com investimentos em tecnologia, inteligência artificial e blockchain, enquanto o setor registrou crescimento de 13,5% nas exportações em 2024, totalizando US$ 3,96 bilhões.
  • O garimpo ilegal e o uso de mercúrio na extração artesanal contaminam ecossistemas amazônicos, levando o STF a exigir comprovação de origem legal do ouro e pressionar empresas por práticas sustentáveis.
  • Programas como o Projeto Ouro sem Mercúrio do Pnuma e iniciativas de "nova mineração" buscam reduzir impactos ambientais, enquanto o Brasil consolida sua posição como 12º maior detentor de reservas globais de ouro.
Resumo revisado pela redação.

Poucos recursos minerais carregam tanto valor histórico, econômico e simbólico quanto o ouro. Do garimpo artesanal à mineração em larga escala, o metal precioso tem sido motor de riqueza, disputas e, mais recentemente, de inovação. No Brasil, o setor passa por mudanças em três frentes: avanços tecnológicos, ambientais e novas demandas do mercado do ouro. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) registrou investimento de R$ 595,7 milhões em programas de pesquisa e desenvolvimento (P&D), somente em 2023. 

O ouro como recurso mineral é visto há séculos como sinônimo de segurança em tempos de incerteza econômica. Não à toa, bancos centrais e investidores recorrem a ele para proteger patrimônios. Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o país figura entre os maiores produtores globais, com destaque para a mineração de ouro em estados como Pará, Minas Gerais e Goiás.

As reservas de ouro brasileiras ainda têm potencial de exploração, abrindo espaço para investimentos e novas pesquisas geológicas. Ao mesmo tempo, o momento revela um cenário competitivo que exige eficiência, inovação e um olhar atento às questões socioambientais.

Atualmente, o setor mineral responde por cerca de  5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Segundo o Ibram, em 2024 as exportações de ouro cresceram 13,5% em valor, somando US$ 3,96 bilhões, mas caíram 20,4% em volume, para 61,9 toneladas. Segundo dados do World Gold Council, levantados pela revista Exame, o Brasil aparecia no mesmo ano como o 12º país com maiores reservas de ouro, totalizando aproximadamente 329 mil toneladas.

A tecnologia na extração de ouro

Escavadeira carregando materiais em uma área de mineração de ouro, com caminhão carregado pronto para transportar o material extraído.
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Se no passado o setor era marcado por operações manuais e com alto risco, hoje a tecnologia na mineração de ouro abre caminhos para uma atividade mais precisa e rentável. Drones, sensores e softwares de monitoramento em tempo real permitem mapear jazidas com maior assertividade. Além de reduzir desperdícios, o uso da tecnologia no minério de ouro aumenta também a segurança dos trabalhadores.

A automação de processos e o uso de inteligência artificial já são realidade em algumas mineradoras, capazes de prever falhas em equipamentos, otimizar a logística interna e acelerar a tomada de decisões. O objetivo é transformar a produção de ouro em um processo mais competitivo e sustentável.

A visão computacional também se tornou uma aliada da mineração, especialmente no processo de monitoramento do trabalho com a finalidade de fornecer atualizações em tempo real. As informações obtidas pelo sistema ajudam a melhorar a produtividade e agregam fatores de segurança aos locais de trabalho.

Outras tecnologias também entram em cena ao longo de toda a cadeia de mineração. O blockchain, por exemplo, tem sido visto como aliado no rastreamento do ouro desde a origem. Um processo que garante a transparência e auxilia no combate ao mercado ilícito.

Leia também: Blockchain e cadeia de suprimentos: tecnologia mira na mineração

Em entrevista ao Valor, Mark Williamson, chefe global de parcerias e propostas de câmbio e commodities do HSBC, declarou que o sistema torna o processo “mais rápido e menos complicado”, uma vez que seus clientes podem rastrear mais facilmente o ouro que possuem. Segundo ele, cada barra conta com um número de série que a torna única. Além disso, ele declarou que o HSBC planeja expandir seu sistema de blockchain para incluir outros metais preciosos.

Ainda segundo a reportagem, em 2024, pelo menos 698 mil barras de ouro estavam armazenadas em cofres na área da Grande Londres, avaliadas em US$ 525 bilhões, segundo a London Bullion Market Association. 

Desafios: impacto ambiental e garimpo ilegal

Apesar dos avanços, empresas que trabalham com o minério de ouro têm como desafio constante reduzir o impacto ambiental do garimpo. O uso de recursos hídricos, o risco de contaminação de rios e a pressão sobre áreas de preservação tornam urgente a adoção de práticas mais responsáveis. 

Além disso, o garimpo de ouro ilegal, amplia esse problema, uma vez que a utilização de mercúrio em rios da Amazônia, por exemplo, gera efeitos devastadores para comunidades locais e ecossistemas inteiros. Nesse contexto, cresce a pressão da sociedade e de investidores por sustentabilidade na mineração, exigindo políticas mais rígidas e empresas comprometidas com a recuperação ambiental.

Foi neste contexto que surgiu o termo “nova mineração” para indicar o uso de práticas que reduzem os impactos ao meio ambiente. Essas práticas já vêm sendo utilizadas por algumas empresas no Brasil. A Vale, por exemplo, tem um vasto programa de responsabilidade social e ambiental.

A empresa tem parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em um programa que ajuda a proteger cerca de 800 mil hectares de florestas no Mosaico de Carajás (área que equivale a cinco vezes a cidade de São Paulo). Nesse caso, os investimentos voluntários superaram R$ 200 milhões e envolveram iniciativas como o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira, parceria do Instituto Tecnológico Vale (ITV) com o ICMbio e cujo foco é o sequenciamento genômico de espécies da fauna e da flora amazônica. A Vale também fomenta a bioeconomia da Amazônia, apoiando cadeias produtivas extrativistas e contribuindo para a geração de renda de famílias que vivem na região, além de patrocinar iniciativas de qualificação e estruturação do órgão ambiental da região.

Segundo dados do Sistema de Comercialização e Apoio à Gestão Mineral (Sicom), do Ministério de Minas e Energia, até 2024, cerca de 20% do ouro produzido no Brasil teve sua origem questionada quanto à legalidade. Essas questões chamaram a atenção de órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e agências ambientais, pressionando o setor a adotar práticas mais éticas e transparentes. Em março deste ano, o STF decidiu, por unanimidade, que no comércio de ouro cabe ao vendedor comprovar a origem do minério, encerrando a presunção de boa-fé, conforme mostrou reportagem da CNN Brasil

Além disso, algumas empresas têm investido em sistemas de monitoramento remoto, auditorias e em iniciativas para mitigar impactos ambientais, como reflorestamento e reciclagem de materiais.

Panorama econômico

O preço do ouro no mercado internacional ultrapassou os US$ 2.650 por onça em 2024, consolidando o metal como uma forma segura de investimento em tempos de incertezas econômicas e geopolíticas.

Além disso, programas governamentais como o Plano Nacional de Mineração garantem incentivos à pesquisa e exploração de jazidas de ouro, ampliando o potencial do país como player estratégico nessa área. 

No Brasil, o setor de mineração caminha para um futuro marcado pela inovação tecnológica, buscando melhorar a eficiência dos processos de extração e minimizar os danos ambientais. Com isso, as perspectivas são promissoras: o mercado projeta um avanço na exploração de ouro nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde jazidas ainda pouco exploradas têm potencial para elevar a produção nacional.

PNUMA e o avanço do ouro sem mercúrio

Ainda é comum o uso de substâncias tóxicas, como o mercúrio, durante os processos de extração do ouro no Brasil. Para enfrentar esse problema, o país vem contando com parcerias internacionais, como a do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no Projeto Ouro sem Mercúrio.

O programa busca reduzir e, em alguns casos, eliminar totalmente o uso de mercúrio na mineração artesanal e em pequena escala (Mape). Essa prática, amplamente utilizada por garimpeiros em todo o mundo, é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das maiores fontes de poluição mercurial, que afeta ecossistemas inteiros e causa graves impactos à saúde humana.

Segundo o Pnuma, o Brasil, na posição de um dos maiores produtores globais de ouro, tem desempenhado um papel fundamental na adesão a iniciativas sustentáveis, em parte com o suporte técnico e financeiro do programa. O projeto Ouro sem Mercúrio, realizado em colaboração com governos estaduais e instituições locais, concentra-se principalmente em minimizar o impacto ambiental em áreas de garimpo artesanal, muito comuns na Amazônia.

A mineração artesanal ainda representa uma parcela da produção de ouro no país, mas muitas vezes ocorre sem regulamentação, ampliando os impactos negativos sobre rios, florestas e comunidades indígenas. Por meio dessa parceria, o Pnuma promove capacitações, alternativas tecnológicas e métodos que eliminam o mercúrio, além de fortalecer as políticas públicas no setor.

Dúvidas mais comuns

A tecnologia revoluciona a mineração de ouro através de drones, sensores e softwares de monitoramento em tempo real que mapeiam jazidas com maior precisão. Inteligência artificial e automação de processos permitem prever falhas em equipamentos, otimizar logística e acelerar decisões. A visão computacional fornece atualizações em tempo real para melhorar produtividade e segurança, enquanto o blockchain rastreia o ouro desde a origem, garantindo transparência e combatendo o mercado ilícito.

A mineração de ouro gera impactos significativos através do uso intensivo de recursos hídricos, risco de contaminação de rios e pressão sobre áreas de preservação. O garimpo ilegal agrava esses problemas com o uso de mercúrio em rios da Amazônia, causando efeitos devastadores para comunidades locais e ecossistemas. Esses desafios têm pressionado o setor a adotar práticas mais responsáveis, conhecidas como 'nova mineração', que reduzem impactos ambientais.

A mineração de ouro evoluiu de operações manuais e de alto risco para processos mais precisos e rentáveis. Atualmente, combina técnicas tradicionais com tecnologias avançadas como drones, sensores, inteligência artificial e automação. O processo inclui mapeamento de jazidas, extração, processamento e rastreamento através de blockchain. A mineração pode ser em larga escala, realizada por grandes empresas, ou artesanal e em pequena escala (Mape), frequentemente realizada por garimpeiros.

A mineração de ouro é permitida no Brasil, mas está sujeita a regulamentações rigorosas. Porém, o garimpo ilegal cresceu 190% em áreas de terras indígenas e unidades de conservação entre 2018 e 2022, onde qualquer atividade de mineração é proibida por lei. Em março de 2024, o STF decidiu que cabe ao vendedor comprovar a origem legal do ouro, encerrando a presunção de boa-fé e intensificando o combate ao garimpo ilegal.

O setor mineral responde por cerca de 5% do PIB brasileiro, com a mineração de ouro como destaque. Em 2024, as exportações de ouro cresceram 13,5% em valor, totalizando US$ 3,96 bilhões, consolidando o Brasil como 12º país com maiores reservas de ouro, aproximadamente 329 mil toneladas. O preço internacional do ouro ultrapassou US$ 2.650 por onça em 2024, reforçando o metal como forma segura de investimento em tempos de incertezas econômicas.

O Projeto Ouro sem Mercúrio é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em parceria com o Brasil, que busca reduzir e eliminar o uso de mercúrio na mineração artesanal e em pequena escala (Mape). O programa promove capacitações, alternativas tecnológicas e métodos que eliminam o mercúrio, concentrando-se principalmente em áreas de garimpo artesanal na Amazônia. A OMS aponta o uso de mercúrio como uma das maiores fontes de poluição mercurial, afetando ecossistemas inteiros e causando graves impactos à saúde humana.

O blockchain é utilizado para rastrear o ouro desde sua origem até o destino final, garantindo transparência e combatendo o mercado ilícito. Cada barra de ouro recebe um número de série único que a torna identificável no sistema, permitindo que clientes rastreiem facilmente o ouro que possuem. Segundo o HSBC, o sistema torna o processo mais rápido e menos complicado, e a instituição planeja expandir seu sistema de blockchain para incluir outros metais preciosos.

As perspectivas são promissoras, com o mercado projetando avanço na exploração de ouro nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde jazidas pouco exploradas têm potencial para elevar a produção nacional. O Plano Nacional de Mineração garante incentivos à pesquisa e exploração de jazidas, enquanto o setor caminha para um futuro marcado pela inovação tecnológica. O objetivo é melhorar a eficiência dos processos de extração e minimizar danos ambientais, posicionando o Brasil como player estratégico global nessa área.