O Energy Summit 2026, realizado nesta semana no Rio de Janeiro, deixou como recado à mineração brasileira a necessidade de otimizar o uso da matriz energética limpa para o refino de minerais críticos.
No painel “Minerais Críticos: A Nova Geopolítica da Transição Energética”, especialistas trouxeram a urgência de o país deixar de ser apenas um exportador de minérios brutos como lítio, níquel, nióbio, tântalo e grafita, entre outros, e passar a protagonizar o refino. Com energia limpa e abundante, o Brasil tem condições de oferecer um produto pronto para exportação, com o selo de baixo carbono. E esta é uma vantagem para as exportações de alto valor agregado.
Participaram do debate Patrícia Muricy, sócia-líder da Deloitte para a indústria de Energy, Resources & Industrials e para o setor de Mineração e Metais, Gustavo Emina, CEO do grupo New Wave, e José Luiz Marques, diretor de Assuntos Corporativos da Vale Base Metals (VBM).
A cadeia global dos minerais críticos apresenta hoje uma elevada dependência de poucos países, especialmente nas etapas de processamento e refino. A China concentra cerca de 85% do refino mundial de terras raras, um domínio que lhe confere influência estratégica sobre o mercado.
Brasil como protagonista no beneficiamento
De acordo com os especialistas, para o Brasil, a permanência como fornecedor de matéria-prima significa não apenas perder oportunidades de industrialização, mas também permanecer suscetível às flutuações de preços e aos impactos de crises geopolíticas que possam afetar o comércio internacional.
O debate sinalizou ainda o potencial de novas tecnologias a serem desenvolvidas no país para que a extração e o refino de minerais se tornem mais competitivos. Isso inclui soluções capazes de processar minérios de baixo teor, reaproveitar rejeitos e reduzir emissões, algo que tende a ganhar importância à medida que cresce a demanda por insumos essenciais para baterias, veículos elétricos, data centers e energias renováveis.
O painel conclui que, em um mercado cada vez mais marcado pela busca por segurança de suprimento e diversificação geográfica, o Brasil reúne uma combinação rara de reservas minerais, conhecimento técnico e matriz elétrica majoritariamente renovável. Ou seja: atributos que podem transformar o país não apenas em fornecedor de matérias-primas, mas em protagonista da nova economia dos minerais críticos.