Ilustração de mineração de minerais críticos essenciais para energia renovável, com painéis solares e turbinas eólicas ao fundo, destacando a necessidade de modernizar redes de transmissão.
Energy Summit 2026 debate energias renováveis e minerais críticos

Energy Summit 2026 discutiu como a energia limpa pode elevar o Brasil à liderança em minerais críticos

Painel no evento destacou que a combinação de reservas minerais e energia renovável coloca o país em posição privilegiada não apenas para a exportação de commodities, mas também para o refino

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 26/06/2026

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O Energy Summit 2026, realizado nesta semana no Rio de Janeiro, deixou como recado à mineração brasileira a necessidade de otimizar o uso da matriz energética limpa para o refino de minerais críticos. 

No painel “Minerais Críticos: A Nova Geopolítica da Transição Energética”, especialistas trouxeram a urgência de o país deixar de ser apenas um exportador de minérios brutos como lítio, níquel, nióbio, tântalo e grafita, entre outros, e passar a protagonizar o refino. Com energia limpa e abundante, o Brasil tem condições de oferecer um produto pronto para exportação, com o selo de baixo carbono. E esta é uma vantagem para as exportações de alto valor agregado.

Participaram do debate Patrícia Muricy, sócia-líder da Deloitte para a indústria de Energy, Resources & Industrials e para o setor de Mineração e Metais, Gustavo Emina, CEO do grupo New Wave, e José Luiz Marques, diretor de Assuntos Corporativos da Vale Base Metals (VBM).

A cadeia global dos minerais críticos apresenta hoje uma elevada dependência de poucos países, especialmente nas etapas de processamento e refino. A China concentra cerca de 85% do refino mundial de terras raras, um domínio que lhe confere influência estratégica sobre o mercado. 

Brasil como protagonista no beneficiamento

De acordo com os especialistas, para o Brasil, a permanência como fornecedor de matéria-prima significa não apenas perder oportunidades de industrialização, mas também permanecer suscetível às flutuações de preços e aos impactos de crises geopolíticas que possam afetar o comércio internacional.

O debate sinalizou ainda o potencial de novas tecnologias a serem desenvolvidas no país para que a extração e o refino de minerais se tornem mais competitivos. Isso inclui soluções capazes de processar minérios de baixo teor, reaproveitar rejeitos e reduzir emissões, algo que tende a ganhar importância à medida que cresce a demanda por insumos essenciais para baterias, veículos elétricos, data centers e energias renováveis.

O painel conclui que, em um mercado cada vez mais marcado pela busca por segurança de suprimento e diversificação geográfica, o Brasil reúne uma combinação rara de reservas minerais, conhecimento técnico e matriz elétrica majoritariamente renovável. Ou seja: atributos que podem transformar o país não apenas em fornecedor de matérias-primas, mas em protagonista da nova economia dos minerais críticos.

Dúvidas mais comuns

Os minerais críticos incluem elementos como lítio, cobalto, níquel, terras raras, nióbio, tântalo e grafita, que são fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Esses minerais são essenciais para a transição energética global e para o desenvolvimento de tecnologias de energia renovável.

O Brasil possui uma combinação rara de atributos: reservas abundantes de minerais críticos, conhecimento técnico consolidado e uma matriz elétrica majoritariamente renovável. Essa combinação permite ao país oferecer produtos refinados com selo de baixo carbono, agregando valor às exportações e diferenciando-se no mercado global que busca segurança de suprimento e diversificação geográfica.

Atualmente, o Brasil exporta principalmente minérios brutos, perdendo oportunidades de industrialização e permanecendo suscetível às flutuações de preços e impactos de crises geopolíticas. Ao protagonizar o refino e beneficiamento, o país agregaria valor aos produtos, geraria mais empregos e renda, além de reduzir sua dependência das oscilações do mercado internacional.

A energia limpa e abundante do Brasil permite processar minérios de forma mais sustentável e competitiva, reduzindo emissões e custos operacionais. Além disso, possibilita o desenvolvimento de novas tecnologias para processar minérios de baixo teor, reaproveitar rejeitos e melhorar a eficiência, atributos cada vez mais valorizados pelo mercado global.

A China concentra cerca de 85% do refino mundial de terras raras, conferindo-lhe influência estratégica significativa sobre o mercado global. Essa concentração demonstra a importância de diversificar geograficamente a capacidade de processamento e refino de minerais críticos, oportunidade em que o Brasil pode se posicionar como alternativa estratégica.

As principais fontes de energia limpa são energia eólica, energia solar, energia hidráulica, energia nuclear e energia da biomassa. O Brasil, com sua matriz energética renovável, possui especialmente grande potencial em energia hidráulica, eólica e solar, tornando-se ideal para processar minerais críticos com baixo carbono.

Novas tecnologias em desenvolvimento podem processar minérios de baixo teor, reaproveitar rejeitos e reduzir emissões, tornando a extração e refino mais competitivos e sustentáveis. Essas soluções ganham importância à medida que cresce a demanda por insumos para baterias, veículos elétricos, data centers e energias renováveis, criando oportunidades de inovação para o país.

Os minerais críticos são aqueles com limitações nas reservas, produção, processamento, refino e ligas metálicas que podem ocasionar restrições de suprimento. Um exemplo é o nióbio, classificado como mineral crítico pela União Europeia e Estados Unidos, enquanto o Brasil o classifica como mineral estratégico, refletindo diferentes perspectivas sobre a importância geopolítica desses recursos.