Quatro palestrantes estão sentados em um palco discutindo a legislação sobre energia renovável e suas interações com a mineração e a energia. Atrás deles, há uma tela exibindo seus nomes, fotos e detalhes do evento. O público é visível em primeiro plano.
Da esquerda para a direita: Raphael Gomes, Maria João Rolim, Thiago de Freitas Benevenuto e Vládia Viana Regis (Foto: IBRAM via Flickr)

Mineração e energia têm uma equação entre si, defendem especialistas

Juristas defendem a interdependência das duas indústrias e a necessidade de coordenar ambas as atividades para ampliar os benefícios da transição energética

Por Mariana Sgarioni, 3 min de leitura

Publicado em 16/09/2026

Baixar PDF Copiar link

Quando se fala em mineração e geração energia, é difícil entender quem nasce primeiro: a indústria mineradora precisa de muita eletricidade para funcionar, ao mesmo tempo em que fornece os minerais indispensáveis para gerar e armazenar energia limpa. 

Este círculo foi o tema do painel “Energia e Mineração: Conflitos entre as Atividades e Mecanismos de Incentivo às Energias Renováveis”, apresentado na tarde de terça-feira (15), no Congresso Internacional de Direito Minerário, promovido pelo Ibram, em Brasília.

Um não existe sem o outro

De acordo com Vládia Viana Regis, sócia da Justen Pereira Oliveira & Talamini Advogados, os dois setores têm muito mais conexões do que distinções. E que, inclusive, compartilham desafios comuns, como o licenciamento ambiental, a exploração em terras indígenas, o uso de recursos hídricos e a segurança de barragens. Porém, o potencial de conflito entre eles existe e tende a aumentar cada vez mais.

Uma mulher de óculos e cabelos escuros e cacheados fala ao microfone enquanto está sentada em uma cadeira. Ela usa um blazer escuro e calças claras. Ao lado dela há uma mesinha com um copo d’água, e, ao fundo, uma tela com luz azul — exibindo temas relacionados à mineração e energia.
Vládia Viana Regis (Foto: IBRAM via Flickr)

“Os dois setores atendem a necessidades públicas distintas. Com o aumento de exploração e infraestrutura, os conflitos sobre uso de áreas, por exemplo, devem aumentar. Há um crescimento da demanda energética, especialmente com a implantação de data centers no Brasil, e o gargalo fica no acesso à transmissão.Com isso, haverá um aumento de custo para a mineração a longo prazo. Temos mais desafios do que oportunidades. A solução é a busca por formas de compatibilização”, explicou. 

Thiago de Freitas Benevenuto, procurador-Chefe da Agência Nacional de Mineração (ANM), completou o que está na legislação para casos de conflitos entre os dois setores. E avaliiou que só haverá conflito se a coexistência das atividades de mineração e energia for efetivamente inviável. Caso contrário, a lei impõe a manutenção das duas atividades. “Contudo, em caso de incompatibilidade, prevalece o empreendimento de interesse prioritário e este interesse é definido pelo Ministro das Minas e Energia”, disse.

Um homem de terno, segurando um microfone, fala no palco de uma conferência sobre mineração e energia, com um slide de apresentação projetado atrás dele e outra pessoa sentada ao fundo.
Thiago de Freitas Benevenuto (Foto: IBRAM via Flickr)

📧 Newsletter: inscreva-se aqui e receba um resumo de notícias sobre mineração no seu e-mail!

Transição energética

Maria João Rolim, sócia da Rolim Goulart Cardoso Advogados, lembrou da importância de organizar uma governança para estas duas atividades que vão criar um círculo virtuoso em benefício da transição energética. 

Ela afirmou que o PL 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e que aguarda sanção presidencial, é um instrumento que tenta justamente organizar esta governança.

Uma mulher de cabelos escuros ondulados e óculos, vestindo um blazer azul-claro, está sentada em uma cadeira segurando um microfone e cartões de anotações, sorrindo enquanto se prepara para discutir temas relacionados à mineração e energia, com um fundo azul atrás dela.
Maria João Rolim (Foto: IBRAM via Flickr)

“A transição energética é um desafio para todos os países, mas nem todos vão fazer esta transição do mesmo jeito. No Brasil, nossa matriz é 80% renovável, algo de dar inveja ao mundo. Na Europa, eles precisam de uma independência de fonte energética. Portanto, nossa transição é uma transformação industrial e econômica. Como vamos usar este potencial de energia limpa para o desenvolvimento do país? E aqui convergimos com a mineração”, refletiu.

Raphael Gomes, sócio do Lefosse Advogados, lançou uma provocação importante ao setor de mineração para os próximos anos: a autoprodução de energia.

Um homem de terno está sentado em uma cadeira, usando fones de ouvido e falando ao microfone durante um painel de discussão sobre mineração e energia, com uma tela azul exibindo nomes atrás dele.
Raphael Gomes (Foto: IBRAM via Flickr)

Ela ocorre quando uma empresa do setor mineral gera a própria eletricidade (total ou parcialmente) para abastecer suas operações. Segundo Gomes, isto representa uma economia relevante de custos e permite isenções e diminuição de encargos setoriais sobre a parcela da energia autoproduzida.

“A conta de energia no Brasil é uma das mais baratas do mundo. Ela fica alta porque existem muitos encargos e subsídios cruzados. Na mineração, conforme o preço da energia começa a aumentar, a autoprodução passa a ser uma necessidade. Além de mais econômica, ela é um mecanismo de incentivo fundamental às energias renováveis”, finalizou.