Uma escavadeira operando em uma pilha de minerais de terras raras no Brasil, destacando a extração de minerais críticos essenciais para tecnologia.
Foto: Vale

Minerais críticos assumem protagonismo em inserção do Brasil em nova economia

Reativação do Conselho Nacional de Política Mineral e avanço da diplomacia energética colocam o Brasil no debate global sobre minerais estratégicos

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 20/10/2025 | Atualizado em 10/02/2026

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  • Brasil possui 10% das reservas mundiais de minerais críticos, mas participa de apenas 0,09% da produção global, revelando descompasso entre potencial geológico e capacidade produtiva.
  • O governo reativou o Conselho Nacional de Política Mineral e aprovou o Plano Nacional de Mineração 2025–2050, instituindo grupo de trabalho dedicado a minerais críticos com foco em incentivos fiscais e financiamento.
  • A indústria de minerais críticos faturou R$ 21 bilhões no primeiro semestre de 2025, com projeção de US$ 18,4 bilhões em investimentos até 2029, sinalizando transição para agregação de valor local.
Resumo revisado pela redação.

Na mesma semana em que o chanceler Mauro Vieira reuniu-se com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, o Governo Federal reativou o Conselho Nacional de Política Mineral(CNPM), órgão responsável por formular as diretrizes para o desenvolvimento sustentável da mineração no país. Os minerais críticos e estratégicos, essenciais à transição energética e à transformação digital, ganharam centralidade nas agendas diplomática e econômica do Brasil. Entre os temas debatidos no CNPM estão a definição de incentivos fiscais e novas fontes de financiamento para o setor.

No campo diplomático, além do encontro entre Vieira e Rubio, o ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira também se reuniu com o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, para discutir oportunidades de cooperação e investimento em terras raras, lítio, níquel e grafite. “Queremos sair de lá com uma visão clara dos dois países e buscar uma convergência naquilo que for do interesse de ambos para implementarmos a tração de investimentos para a exploração mineral no Brasil”, afirmou Silveira.

Durante a reunião de reabertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da instalação do CNPM e aprovou o esboço do Plano Nacional de Mineração 2025–2050, que orientará políticas públicas para o setor nas próximas décadas. O conselho, agora composto por 18 ministérios, também instituiu um grupo de trabalho voltado aos minerais críticos e estratégicos, com foco em incentivos fiscais, financiamento e desenvolvimento de cadeias de valor.

Atraso no mapeamento e desafios da produção nacional

Embora o Brasil detenha 10% das reservas mundiais de minerais críticos, sua participação na produção global é ínfima, de 0,09%, segundo informações do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) reproduzidas em reportagem de O Globo. A defasagem resulta do atraso histórico no mapeamento geológico, que cobre apenas 27% do território nacional, e de entraves regulatórios e ambientais que fazem cada novo projeto de mineração levar cerca de dez anos até entrar em operação. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o país tem acelerado a identificação de áreas com potencial para minerais estratégicos.

O governo prepara a Política Nacional de Minérios Críticos e Estratégicos (PNMCE), cujo projeto de lei 2.780/2024 tramita no Congresso. A proposta tem dois eixos principais: mineração ambientalmente sustentável e agregação de valor no país. “A prioridade é garantir que a exploração ocorra em bases sustentáveis, competitivas e transparentes, respeitando a legislação vigente e o interesse nacional”, informou o MME, em nota.

Segundo o Ibram, o desafio não se resume à extração. O país precisa atrair indústrias tecnologicamente capazes de transformar seus minerais em baterias, turbinas e sistemas de armazenamento de energia, reduzindo a dependência da exportação de commodities. O MME já sinalizou que as empresas que receberem incentivos fiscais deverão cumprir contrapartidas claras em inovação, sustentabilidade e agregação de valor local.

Os números do setor mostram um cenário de transição: no primeiro semestre de 2025, o segmento de minerais críticos faturou R$ 21 bilhões, alta de 41,6% sobre o mesmo período do ano anterior, com exportações de US$ 3,64 bilhões. O Ibram projeta US$ 18,4 bilhões em investimentos até 2029, impulsionados por mineradoras como Aclara e Serra Verde, pioneiras na produção comercial de terras raras em Goiás.

Projetos de terras raras no Brasil

Vista por satélite da região de Carajás, no Pará, com áreas de mineração a céu aberto e vegetação ao redor.
Carajás (PA), vista por satélite (Foto: NASA Earth Observatory)

Há reservas expressivas de terras raras distribuídas por várias regiões do país, com destaque para Araxá (MG), Catalão (GO), Carajás (PA) e Pitinga (AM). Nessas áreas atuam companhias que começam a transformar o potencial geológico em produção comercial, como a CBMM, em Araxá, que desenvolve tecnologias para recuperar terras raras de rejeitos de nióbio; a CMOC Brasil, que conduz projetos de aproveitamento de terras raras associadas à mineração de nióbio em Catalão; e a Taboca (Grupo Minsur), operadora da mina de Pitinga, no Amazonas, com depósitos de lantânio, cério e ítrio.

Em Goiás, a Serra Verde Pesquisa e Mineração iniciou em 2024 o primeiro projeto de produção comercial de óxidos de terras raras da América Latina, com capacidade estimada em 5 mil toneladas por ano.

A Vale também realiza estudos para o aproveitamento de subprodutos ricos em terras raras nas operações de ferro e níquel em Minas Gerais e no Pará.

Dúvidas mais comuns

A grafite, o níquel, o lítio e os terras-raras são os principais minerais críticos e estratégicos disponíveis no território brasileiro. Esses minerais são cada vez mais visados internacionalmente devido à urgência da transição energética e transformação digital global. O Brasil detém aproximadamente 10% das reservas mundiais de minerais críticos, posicionando-se como um ator importante nesse mercado estratégico.

O Governo Federal reativou o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) para formular diretrizes para o desenvolvimento sustentável da mineração no país, com foco especial em minerais críticos e estratégicos. O conselho, agora composto por 18 ministérios, instituiu um grupo de trabalho dedicado a esses minerais, abordando incentivos fiscais, financiamento e desenvolvimento de cadeias de valor. Essa reativação reflete a centralidade que os minerais críticos ganharam nas agendas diplomática e econômica do Brasil.

Apesar de deter 10% das reservas mundiais de minerais críticos, a participação do Brasil na produção global é ínfima, de apenas 0,09%. Essa defasagem resulta do atraso histórico no mapeamento geológico, que cobre apenas 27% do território nacional, e de entraves regulatórios e ambientais que fazem cada novo projeto de mineração levar cerca de dez anos até entrar em operação.

O Plano Nacional de Mineração 2025-2050 foi aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reabertura do CNPM e orientará as políticas públicas para o setor nas próximas décadas. O plano estabelece diretrizes estratégicas para o desenvolvimento sustentável da mineração brasileira, com foco em minerais críticos e na agregação de valor à produção nacional.

Os principais desafios incluem o atraso no mapeamento geológico, que cobre apenas 27% do território nacional, e entraves regulatórios e ambientais que prolongam significativamente o tempo de implementação de novos projetos. Além disso, o Brasil precisa atrair indústrias tecnologicamente capazes de transformar seus minerais em produtos de valor agregado, como baterias, turbinas e sistemas de armazenamento de energia, reduzindo a dependência da exportação de commodities.

A Política Nacional de Minérios Críticos e Estratégicos (PNMCE), cujo projeto de lei 2.780/2024 tramita no Congresso, tem dois eixos principais: mineração ambientalmente sustentável e agregação de valor no país. A prioridade é garantir que a exploração ocorra em bases sustentáveis, competitivas e transparentes, respeitando a legislação vigente e o interesse nacional, com empresas que receberem incentivos fiscais devendo cumprir contrapartidas claras em inovação, sustentabilidade e agregação de valor local.

Empresas como Serra Verde Pesquisa e Mineração, CBMM, CMOC Brasil e Taboca (Grupo Minsur) estão transformando o potencial geológico em produção comercial. A Serra Verde iniciou em 2024 o primeiro projeto de produção comercial de óxidos de terras raras da América Latina em Goiás, com capacidade estimada em 5 mil toneladas por ano. A Vale também realiza estudos para aproveitamento de subprodutos ricos em terras raras em suas operações de ferro e níquel.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) projeta US$ 18,4 bilhões em investimentos até 2029, impulsionados por mineradoras como Aclara e Serra Verde, pioneiras na produção comercial de terras raras. No primeiro semestre de 2025, o segmento de minerais críticos faturou R$ 21 bilhões, representando uma alta de 41,6% sobre o mesmo período do ano anterior, com exportações de US$ 3,64 bilhões.