Uma escavadeira operando em uma pilha de minerais de terras raras no Brasil, destacando a extração de minerais críticos essenciais para tecnologia.
Foto: Vale

Minerais críticos assumem protagonismo em inserção do Brasil em nova economia

Reativação do Conselho Nacional de Política Mineral e avanço da diplomacia energética colocam o Brasil no debate global sobre minerais estratégicos

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 20/10/2025

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Na mesma semana em que o chanceler Mauro Vieira reuniu-se com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, o Governo Federal reativou o Conselho Nacional de Política Mineral(CNPM), órgão responsável por formular as diretrizes para o desenvolvimento sustentável da mineração no país. Os minerais críticos e estratégicos, essenciais à transição energética e à transformação digital, ganharam centralidade nas agendas diplomática e econômica do Brasil. Entre os temas debatidos no CNPM estão a definição de incentivos fiscais e novas fontes de financiamento para o setor.

No campo diplomático, além do encontro entre Vieira e Rubio, o ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira também se reuniu com o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, para discutir oportunidades de cooperação e investimento em terras raras, lítio, níquel e grafite. “Queremos sair de lá com uma visão clara dos dois países e buscar uma convergência naquilo que for do interesse de ambos para implementarmos a tração de investimentos para a exploração mineral no Brasil”, afirmou Silveira.

Durante a reunião de reabertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da instalação do CNPM e aprovou o esboço do Plano Nacional de Mineração 2025–2050, que orientará políticas públicas para o setor nas próximas décadas. O conselho, agora composto por 18 ministérios, também instituiu um grupo de trabalho voltado aos minerais críticos e estratégicos, com foco em incentivos fiscais, financiamento e desenvolvimento de cadeias de valor.

Atraso no mapeamento e desafios da produção nacional

Embora o Brasil detenha 10% das reservas mundiais de minerais críticos, sua participação na produção global é ínfima, de 0,09%, segundo informações do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) reproduzidas em reportagem de O Globo. A defasagem resulta do atraso histórico no mapeamento geológico, que cobre apenas 27% do território nacional, e de entraves regulatórios e ambientais que fazem cada novo projeto de mineração levar cerca de dez anos até entrar em operação. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o país tem acelerado a identificação de áreas com potencial para minerais estratégicos.

O governo prepara a Política Nacional de Minérios Críticos e Estratégicos (PNMCE), cujo projeto de lei 2.780/2024 tramita no Congresso. A proposta tem dois eixos principais: mineração ambientalmente sustentável e agregação de valor no país. “A prioridade é garantir que a exploração ocorra em bases sustentáveis, competitivas e transparentes, respeitando a legislação vigente e o interesse nacional”, informou o MME, em nota.

Segundo o Ibram, o desafio não se resume à extração. O país precisa atrair indústrias tecnologicamente capazes de transformar seus minerais em baterias, turbinas e sistemas de armazenamento de energia, reduzindo a dependência da exportação de commodities. O MME já sinalizou que as empresas que receberem incentivos fiscais deverão cumprir contrapartidas claras em inovação, sustentabilidade e agregação de valor local.

Os números do setor mostram um cenário de transição: no primeiro semestre de 2025, o segmento de minerais críticos faturou R$ 21 bilhões, alta de 41,6% sobre o mesmo período do ano anterior, com exportações de US$ 3,64 bilhões. O Ibram projeta US$ 18,4 bilhões em investimentos até 2029, impulsionados por mineradoras como Aclara e Serra Verde, pioneiras na produção comercial de terras raras em Goiás.

Projetos de terras raras no Brasil

Vista por satélite da região de Carajás, no Pará, com áreas de mineração a céu aberto e vegetação ao redor.
Carajás (PA), vista por satélite (Foto: NASA Earth Observatory)

Há reservas expressivas de terras raras distribuídas por várias regiões do país, com destaque para Araxá (MG), Catalão (GO), Carajás (PA) e Pitinga (AM). Nessas áreas atuam companhias que começam a transformar o potencial geológico em produção comercial, como a CBMM, em Araxá, que desenvolve tecnologias para recuperar terras raras de rejeitos de nióbio; a CMOC Brasil, que conduz projetos de aproveitamento de terras raras associadas à mineração de nióbio em Catalão; e a Taboca (Grupo Minsur), operadora da mina de Pitinga, no Amazonas, com depósitos de lantânio, cério e ítrio.

Em Goiás, a Serra Verde Pesquisa e Mineração iniciou em 2024 o primeiro projeto de produção comercial de óxidos de terras raras da América Latina, com capacidade estimada em 5 mil toneladas por ano.

A Vale também realiza estudos para o aproveitamento de subprodutos ricos em terras raras nas operações de ferro e níquel em Minas Gerais e no Pará.