O níquel é um metal mais presente no cotidiano do que se costuma perceber. Está em moedas de baixo valor, como os cinco centavos de dólar, e aparece em expressões populares como “não tenho um níquel furado”, para indicar ausência total de dinheiro. No entanto, desde que foi reconhecido como um elemento diferente do cobre, com o qual era confundido, o níquel ganhou espaço e hoje faz parte da lista de elementos críticos para a transição energética.
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Essa posição se deve principalmente à sua relevância na fabricação de baterias: é a segunda maior aplicação do metal. Esse é um mercado acompanhado com cuidado pelos especialistas no tema, caso da Shanghai Metal Marketing (SMM).
Segundo a SMM, embora a taxa de uso de níquel no mercado de baterias esteja em expansão, a velocidade de crescimento é menor do que a esperada. Porém, a instituição explica que a produção de baterias com alto teor do metal segue em crescimento e já garantiu uma fatia considerável do mercado de carros elétricos.
Setor automotivo

Com a mudança para veículos elétricos, que contêm seis vezes mais metais essenciais do que um carro convencional, há uma demanda crescente por esses elementos. Um veículo elétrico típico alimentado por uma bateria de 62,5 kWh, por exemplo, precisa de 43 kg de níquel.
A escolha do metal acontece porque ele desempenha um papel crucial na densidade energética e no desempenho das baterias. Comparado ao lítio, que facilita principalmente a movimentação de íons nas baterias, o níquel ajuda na autonomia com o aumento do alcance dos carros elétricos.
Já a demanda tradicional do metal para a fabricação de aço inoxidável continua sendo a área de aplicação mais importante, respondendo por quase 80% do consumo. As demais aplicações relevantes são na produção de ligas não-ferrosas, galvanoplastia e aço-liga.
Os dados acima são do International Nickel Study Group (INSG), entidade considerada referência entre os especialistas em níquel. A projeção do INSG é de aumento da demanda do metal em 5,7% para 2025. Apesar de ser uma redução em relação aos 7,8% de crescimento de consumo de 2023, ainda é considerado um número significativo.
China e Indonésia na vanguarda geopolítica do níquel
Assim como há uma divisão clara na aplicação do metal, a geopolítica do níquel também é bastante conhecida, com dois países exercendo um papel importante. Para a SMM, a Indonésia – maior produtora mundial e dona das maiores reservas do minério – e a China são os principais países que impulsionam as mudanças no mercado.
Globalmente, a China continuará como o maior consumidor de níquel primário e deverá manter esse status, com a previsão de representar 63,5% da demanda total global até 2025, seguida pela Indonésia, que deverá consumir 12,2%.
Essa avaliação da SMM reforça que os principais impulsionadores do crescimento da demanda permaneçam concentrados na Ásia. Dados dos primeiros três meses do período de 2022 a 2025 indicam que esses dois países desempenharam um papel importante no impulso da demanda global por níquel.
O setor também lida com fatores como os padrões de responsabilidade social, ambiental e de governança (ESG), que influem diretamente na produção do níquel. Da mesma forma, temas como subsídios, tarifas, royalties e cotas podem ter um impacto significativo no mercado global do metal, assim como acontece com outros minerais críticos.
Transição energética

O níquel está presente também em outras frentes da transição energética. Mesmo a geração hidrelétrica tem o metal como elemento importante: embora em baixa quantidade, ele é crucial para a soldabilidade de pás de turbinas e para a longa vida útil de outros componentes utilizados em comportas de barragens.
Na geração eólica, o níquel é frequentemente associado aos aços inoxidáveis usados na estrutura das torres, mas o principal uso ocorre em pequenas quantidades para aumentar a resistência e melhorar a tenacidade dos aços de baixa liga. Muitos elementos aumentam a resistência e a dureza do aço, mas o níquel é um dos poucos que também melhora essa capacidade de absorver energia mecânica sem rompimento – o que é crucial para a operação da turbina eólica.
Níquel no Brasil
Com a terceira maior reserva mundial do metal (16 milhões de toneladas), o Brasil ainda tem uma produção modesta: 89 mil toneladas em 2023, o que representa uma participação de 2,47% no mercado global, segundo a revista Minérios. Isso coloca o país como o nono maior provedor de níquel e ainda o único país latino-americano na lista dos dez principais produtores do mundo.
Dados mais recentes do Sumário Mineral, publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), destacam que a produção brasileira foi de 72,4 mil toneladas de níquel contido, o que representaria 1,9% do total global, puxado pela Indonésia (54%), Filipinas (11%), Nova Caledônia (6,2%), Rússia (5,6%) e Canadá (4,2%).Regionalmente, Goiás é o maior produtor, inclusive com destaque para o município de Niquelândia. A cidade concentra uma das maiores reservas do mundo e já teria extraído 75 milhões de toneladas de níquel em estado natural desde que começaram as explorações.