Uma amostra de mineral contendo urânio, terras raras e fosfatos, destacando a nova reserva mineral no Brasil e sua importância para o país.
Foto: Marcelo Correia/Divulgação - INB

Nova reserva mineral no Brasil combina urânio, terras raras e fosfatos

Descoberta mineral na Bacia do Parnaíba pode reforçar produção de energia nuclear, fertilizantes e insumos tecnológicos no país

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 27/09/2025

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  • O Serviço Geológico do Brasil identificou uma reserva mineral no Piauí contendo urânio, terras raras e fosfatos simultaneamente, com teor de urânio economicamente viável para extração.
  • A concentração de urânio varia entre 9 e 1.270 ppm, com o valor máximo acima da média global, e as terras raras aparecem em rochas fosfáticas em alta concentração, diferente dos depósitos brasileiros tradicionais.
  • A descoberta posiciona o Brasil como fornecedor potencial de urânio para energia nuclear e data centers, além de reduzir dependência de importação de fosfatos para fertilizantes agrícolas.
Resumo revisado pela redação.

Uma nova reserva mineral, que reúne urânio, elementos de terras raras (ETR) e fosfatos, foi anunciada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A ocorrência tripla dos minerais está localizada no Piauí, dentro da Bacia Geológica do Parnaíba, que envolve mais outros dois estados – Maranhão e Ceará.

Dados preliminares indicam que o teor de urânio da nova reserva pode variar de 9 a 1.270 partes por milhão (ppm). Segundo reportagem do jornal Globo, esse último valor estaria acima da média, o que significa que a recuperação do urânio seria economicamente viável mesmo em cenários econômicos desafiadores.

A descoberta desses depósitos pode colocar o Brasil numa posição de maior destaque como fornecedor do minério em curto prazo. Em sua forma enriquecida, o urânio é usado como combustível em usinas nucleares, hoje apontadas nos Estados Unidos como uma das fontes para alimentar a demanda de energia de data centers.

Outro diferencial está nas terras raras. Para os especialistas do SGB, os depósitos do Piauí representam um novo modelo, com os minerais concentrados em rochas fosfáticas e em alta concentração. As ocorrências das terras raras no Brasil estão ligadas, em geral, a depósitos costeiros de areias monazíticas, granitos e complexos alcalinos.

Em relação aos fosfatos, a descoberta pode impulsionar a produção de fertilizantes para agricultura, área chave no Brasil, que é grande importador desse tipo de minério. De acordo com o SGB, as ocorrências indicariam a presença de teores de fósforo entre 16% e 27%.

Com a descoberta, a expectativa dos especialistas agora é para o detalhamento dos estudos. Embora a extração de rochas fosfáticas não represente um desafio técnico e ambiental, não há estudos sobre o aproveitamento desse tipo de ocorrência combinando os três minerais. Os próximos passos devem contar com apoio do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e da iniciativa privada na Bacia Geológica do Parnaíba.

Dúvidas mais comuns

A nova reserva mineral descoberta no Piauí, localizada na Bacia Geológica do Parnaíba, é uma ocorrência tripla que reúne urânio, elementos de terras raras (ETR) e fosfatos. Essa combinação é inédita no Brasil, com dados preliminares indicando teores de urânio variando de 9 a 1.270 partes por milhão (ppm), fosforo entre 16% e 27%, e alta concentração de terras raras em rochas fosfáticas.

O Brasil possui recursos significativos de urânio, com aproximadamente 232.813 toneladas de urânio contido (U3O8), distribuídas entre os estados da Bahia, Ceará e outros. A descoberta da nova reserva no Piauí representa um importante acréscimo aos recursos nacionais e pode colocar o país em posição de maior destaque como fornecedor do minério em curto prazo.

O teor de urânio da nova reserva pode atingir até 1.270 partes por milhão (ppm), valor acima da média, o que significa que a recuperação do urânio seria economicamente viável mesmo em cenários econômicos desafiadores. Essa viabilidade econômica torna a exploração da reserva atrativa para investimentos.

As terras raras encontradas no Piauí representam um novo modelo de depósito, com os minerais concentrados em rochas fosfáticas e em alta concentração. Diferentemente das ocorrências tradicionais no Brasil, que estão ligadas a depósitos costeiros de areias monazíticas, granitos e complexos alcalinos, essa descoberta oferece uma nova abordagem para a exploração de terras raras.

A descoberta de fosfatos com teores entre 16% e 27% pode impulsionar a produção de fertilizantes para agricultura, setor chave no Brasil que é grande importador desse tipo de minério. Isso pode reduzir a dependência de importações e fortalecer a cadeia produtiva agrícola nacional.

A única mina de urânio atualmente em atividade no Brasil está localizada em Caetité, na Bahia, onde se encontram recursos minerais estimados em 87 mil toneladas de urânio. A nova descoberta no Piauí representa uma oportunidade de expandir a produção de urânio no país.

Em sua forma enriquecida, o urânio é usado como combustível em usinas nucleares, que hoje são apontadas nos Estados Unidos como uma das fontes para alimentar a demanda de energia de data centers. O urânio enriquecido, quando transformado em pó e comprimido em pastilhas, serve especificamente como combustível nuclear.

Os próximos passos devem contar com o detalhamento dos estudos, apoio do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e participação da iniciativa privada. Embora a extração de rochas fosfáticas não represente um desafio técnico e ambiental significativo, ainda não há estudos sobre o aproveitamento dessa ocorrência combinando os três minerais simultaneamente.