Cerimônia de premiação com painel “Municípios Mineradores em auditório, com palestrantes sentados e um apresentador em pé no púlpito, enquanto o público assiste
Foto: IBRAM via Flickr

Cidade mineira se destaca em premiação de sustentabilidade mineral

Produção agroecológica, investimentos em infraestrutura e diversificação econômica colocam São Gonçalo do Rio Abaixo entre os destaques nacionais do prêmio Municípios Mineradores

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 19/05/2026

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  • São Gonçalo do Rio Abaixo foi premiada na categoria Meio Ambiente do Prêmio Municípios Mineradores pela implementação de políticas públicas sustentáveis em região de atividade mineral.
  • A cidade desenvolveu uma agrofloresta de sete hectares baseada em agricultura sintrópica, combinando produção de alimentos com restauração ambiental e servindo como modelo para qualificação de agricultores locais.
  • A arrecadação de tributos da mineração de ferro da mina de Brucutu financia infraestrutura social robusta, incluindo escolas integrais, transporte escolar universal e sistema de saúde 24 horas para população de 12 mil habitantes.
Resumo revisado pela redação.

A cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, em Minas Gerais, foi reconhecida como destaque da região Sudeste e na categoria Meio Ambiente do Prêmio Municípios Mineradores. A premiação, entregue em Brasília, é uma iniciativa da Agenda Pública, organização da sociedade civil de interesse público, em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e com o Ministério de Minas e Energia (MME), e reconhece boas práticas de governança em cidades com atividade mineral.

O prêmio reconheceu oito municípios como referências nacionais em diferentes áreas da gestão pública ligadas à atividade mineral. Os destaques foram: Alvorada de Minas (MG), em saúde; Itaoca (SP), em educação; Vila Propício (GO), em proteção social; São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), em meio ambiente; Paragominas (PA), em gestão; Itatiaiuçu (MG), em finanças públicas; Sarzedo (MG), em infraestrutura; e Nova Lima (MG), em desenvolvimento econômico.

Além das categorias nacionais, a premiação também destacou iniciativas regionais, com um município vencedor em cada região do país: Bandeirantes do Tocantins (Norte), Barrocas (Nordeste), Alto Horizonte (Centro-Oeste), São Gonçalo do Rio Abaixo (Sudeste) e Treviso (Sul).

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Foto: IBRAM via Flickr
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Entre os exemplos que deu o destaque de meio ambiente ao município de São Gonçalo do Rio Abaixo, está a sua primeira agrofloresta, na Fazenda Agroecológica Municipal.  Com sete hectares, a área  reúne produção de alimentos, restauração ambiental e desenvolvimento sustentável e serve como fazenda modelo para qualificação e desenvolvimento dos agricultores locais.

Segundo a prefeitura, o espaço foca nos princípios da agricultura sintrópica, sistema de cultivo que regenera o solo e produz alimentos ao imitar a dinâmica de uma floresta natural, com práticas que combinam árvores e espécies agrícolas no mesmo sistema produtivo. 

O projeto envolve ainda a educação no campo e faz parte das políticas públicas do município. A elaboração do projeto também incluiu visitas técnicas em experiências vizinhas, como na comunidade de André do Mato Dentro, em Santa Bárbara.

Concentração econômica se destaca

O histórico de São Gonçalo do Rio Abaixo na articulação entre mineração e políticas de desenvolvimento é extenso e ajuda a explicar como a atividade mineral foi convertida em políticas públicas locais. Em 2023, o município foi considerado um dos mais ricos do país em termos de arrecadação per capita.

Os tributos também se destacaram: a soma dos impostos ISS (serviços) e ICMS (circulação de mercadorias e serviços) alcançou R$ 15.617 por habitante.

A razão da arrecadação per capita de destaque é a mineração, mais especificamente a produção de minério de ferro da mina de Brucutu, operada pela Vale e considerada um dos maiores complexos de minério de ferro do mundo. 

Dados do Portal da Mineração mostram como os recursos arrecadados eram aplicados no município: havia 150 obras em andamento ou em planejamento em 2023. No mesmo ano, o município de 12 mil habitantes tinha três escolas integrais, com seis refeições diárias. Todos os estudantes eram atendidos por transporte escolar, inclusive nas zonas rurais.

A infraestrutura social também incluía Corpo de Bombeiros, mantido pela cidade, estádio poliesportivo e parque de exposições para feiras e eventos. Na mesma época, São Gonçalo tinha uma unidade de pronto atendimento que funcionava 24 horas e 16 postos de saúde. O sistema de esgoto atingia 70% da população.

Importância da mina de Brucutu

Uma grande escavadeira amarela está empoleirada no topo de um monte de carvão ou minerais em um local de mineração aberto de propriedade da Vale Projeções, com montanhas e um céu parcialmente nublado ao fundo. Correias transportadoras correm ao longo da pilha.
Produção de minério de ferro na mina Brucutu (Foto: Ricardo Teles / Vale)

Inaugurada em 2006, a mina de Brucutu é uma das principais operações da Vale no Brasil e tem recebido reconhecimento internacional por avanços em gestão e tecnologia. Em 2026, a unidade recebeu o Shingo Prize, concedido pelo Shingo Institute, da Utah State University (EUA), considerado um dos principais reconhecimentos globais em excelência operacional.

O destaque está associado ao alto nível de automação da operação, com uso de equipamentos autônomos monitorados remotamente, o que contribui para ganhos em produtividade, segurança e eficiência. 

Dúvidas mais comuns

O Prêmio Municípios Mineradores é uma iniciativa da Agenda Pública, em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e o Ministério de Minas e Energia (MME), que reconhece boas práticas de governança em cidades com atividade mineral. A premiação destaca municípios que se destacam em diferentes áreas da gestão pública ligadas à mineração, como saúde, educação, proteção social, meio ambiente, gestão, finanças públicas, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

São Gonçalo do Rio Abaixo recebeu o prêmio na categoria Meio Ambiente principalmente pela criação da Fazenda Agroecológica Municipal, uma agrofloresta de sete hectares que combina produção de alimentos, restauração ambiental e desenvolvimento sustentável. O projeto utiliza princípios da agricultura sintrópica, um sistema de cultivo que regenera o solo e produz alimentos imitando a dinâmica de uma floresta natural, servindo como modelo para qualificação dos agricultores locais.

Agricultura sintrópica é um sistema de cultivo que regenera o solo e produz alimentos ao imitar a dinâmica de uma floresta natural. Esse método combina árvores e espécies agrícolas no mesmo sistema produtivo, promovendo tanto a restauração ambiental quanto a produção alimentar de forma sustentável.

A mina de Brucutu, operada pela Vale, é a principal fonte de arrecadação do município. Em 2023, São Gonçalo do Rio Abaixo foi considerado um dos mais ricos do país em termos de arrecadação per capita, com tributos de R$ 15.617 por habitante. Esses recursos são investidos em políticas públicas como educação integral, saúde 24 horas, infraestrutura social e 150 obras em andamento ou planejamento.

A mineração sustentável envolve programas de recuperação de áreas degradadas que vão além das áreas impactadas pela atividade; projetos de preservação da biodiversidade, protegendo espécies raras, ameaçadas e endêmicas; e a conversão de recursos arrecadados em políticas públicas locais que promovam desenvolvimento econômico, social e ambiental equilibrado.

Os recursos arrecadados pela mineração em São Gonçalo do Rio Abaixo são investidos em infraestrutura social e educacional. Em 2023, o município tinha três escolas integrais com seis refeições diárias, transporte escolar para todos os estudantes, Corpo de Bombeiros, unidade de pronto atendimento 24 horas, 16 postos de saúde, sistema de esgoto atingindo 70% da população, além de 150 obras em andamento ou planejamento.

O Prêmio Municípios Mineradores reconheceu oito municípios como referências nacionais: Alvorada de Minas (MG) em saúde, Itaoca (SP) em educação, Vila Propício (GO) em proteção social, São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) em meio ambiente, Paragominas (PA) em gestão, Itatiaiuçu (MG) em finanças públicas, Sarzedo (MG) em infraestrutura e Nova Lima (MG) em desenvolvimento econômico. Também houve destaque regional em cada região do país.

A Fazenda Agroecológica Municipal é uma agrofloresta de sete hectares localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo que reúne produção de alimentos, restauração ambiental e desenvolvimento sustentável. O espaço funciona como fazenda modelo para qualificação e desenvolvimento dos agricultores locais, focando nos princípios da agricultura sintrópica e incluindo educação no campo como parte das políticas públicas do município.