- São Gonçalo do Rio Abaixo foi premiada na categoria Meio Ambiente do Prêmio Municípios Mineradores pela implementação de políticas públicas sustentáveis em região de atividade mineral.
- A cidade desenvolveu uma agrofloresta de sete hectares baseada em agricultura sintrópica, combinando produção de alimentos com restauração ambiental e servindo como modelo para qualificação de agricultores locais.
- A arrecadação de tributos da mineração de ferro da mina de Brucutu financia infraestrutura social robusta, incluindo escolas integrais, transporte escolar universal e sistema de saúde 24 horas para população de 12 mil habitantes.
A cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, em Minas Gerais, foi reconhecida como destaque da região Sudeste e na categoria Meio Ambiente do Prêmio Municípios Mineradores. A premiação, entregue em Brasília, é uma iniciativa da Agenda Pública, organização da sociedade civil de interesse público, em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e com o Ministério de Minas e Energia (MME), e reconhece boas práticas de governança em cidades com atividade mineral.
O prêmio reconheceu oito municípios como referências nacionais em diferentes áreas da gestão pública ligadas à atividade mineral. Os destaques foram: Alvorada de Minas (MG), em saúde; Itaoca (SP), em educação; Vila Propício (GO), em proteção social; São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), em meio ambiente; Paragominas (PA), em gestão; Itatiaiuçu (MG), em finanças públicas; Sarzedo (MG), em infraestrutura; e Nova Lima (MG), em desenvolvimento econômico.
Além das categorias nacionais, a premiação também destacou iniciativas regionais, com um município vencedor em cada região do país: Bandeirantes do Tocantins (Norte), Barrocas (Nordeste), Alto Horizonte (Centro-Oeste), São Gonçalo do Rio Abaixo (Sudeste) e Treviso (Sul).
Entre os exemplos que deu o destaque de meio ambiente ao município de São Gonçalo do Rio Abaixo, está a sua primeira agrofloresta, na Fazenda Agroecológica Municipal. Com sete hectares, a área reúne produção de alimentos, restauração ambiental e desenvolvimento sustentável e serve como fazenda modelo para qualificação e desenvolvimento dos agricultores locais.
Segundo a prefeitura, o espaço foca nos princípios da agricultura sintrópica, sistema de cultivo que regenera o solo e produz alimentos ao imitar a dinâmica de uma floresta natural, com práticas que combinam árvores e espécies agrícolas no mesmo sistema produtivo.
O projeto envolve ainda a educação no campo e faz parte das políticas públicas do município. A elaboração do projeto também incluiu visitas técnicas em experiências vizinhas, como na comunidade de André do Mato Dentro, em Santa Bárbara.
Concentração econômica se destaca
O histórico de São Gonçalo do Rio Abaixo na articulação entre mineração e políticas de desenvolvimento é extenso e ajuda a explicar como a atividade mineral foi convertida em políticas públicas locais. Em 2023, o município foi considerado um dos mais ricos do país em termos de arrecadação per capita.
Os tributos também se destacaram: a soma dos impostos ISS (serviços) e ICMS (circulação de mercadorias e serviços) alcançou R$ 15.617 por habitante.
A razão da arrecadação per capita de destaque é a mineração, mais especificamente a produção de minério de ferro da mina de Brucutu, operada pela Vale e considerada um dos maiores complexos de minério de ferro do mundo.
Dados do Portal da Mineração mostram como os recursos arrecadados eram aplicados no município: havia 150 obras em andamento ou em planejamento em 2023. No mesmo ano, o município de 12 mil habitantes tinha três escolas integrais, com seis refeições diárias. Todos os estudantes eram atendidos por transporte escolar, inclusive nas zonas rurais.
A infraestrutura social também incluía Corpo de Bombeiros, mantido pela cidade, estádio poliesportivo e parque de exposições para feiras e eventos. Na mesma época, São Gonçalo tinha uma unidade de pronto atendimento que funcionava 24 horas e 16 postos de saúde. O sistema de esgoto atingia 70% da população.
Importância da mina de Brucutu

Inaugurada em 2006, a mina de Brucutu é uma das principais operações da Vale no Brasil e tem recebido reconhecimento internacional por avanços em gestão e tecnologia. Em 2026, a unidade recebeu o Shingo Prize, concedido pelo Shingo Institute, da Utah State University (EUA), considerado um dos principais reconhecimentos globais em excelência operacional.
O destaque está associado ao alto nível de automação da operação, com uso de equipamentos autônomos monitorados remotamente, o que contribui para ganhos em produtividade, segurança e eficiência.