A australiana Viridis Mineração Ltda. recebeu a aprovação de um financiamento de R$ 77,5 milhões do BNDES para a implantação do Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), que vai produzir carbonato misto de terras raras, em escala piloto, realizar pesquisas para o desenvolvimento de técnicas metalúrgicas específicas e otimização de rotas de processamento de argilas iônicas encontradas na região de Poços de Caldas (MG). A mineradora também fechou uma rodada de captação de US$ 75 milhões com a gestora inglesa One Investment Management (OneIM).
O CPTR é a primeira etapa do Projeto Colossus da Viridis, que compreende a planta-piloto da companhia e suas atividades subsequentes voltadas para o desenvolvimento tecnológico e validação de técnicas e da rota de processamento de terras raras. A planta-piloto tem como objetivo simular as condições da planta industrial do Projeto Colossus, cuja implantação está prevista para iniciar no primeiro trimestre de 2027 e deverá entrar em operação ao final de 2028.
A Viridis Mineração teve o projeto selecionado na chamada pública do BNDES e da Finep, lançada em 2025 para financiar projetos relacionados à cadeia de valor de minerais estratégicos para a transição energética e a descarbonização da economia.
Segundo a empresa, o CPTR está instalado em área de 5 mil m² e é uma das maiores plantas-piloto do gênero no mundo. A empresa investiu R$ 25 milhões na unidade, que tem capacidade para processar 100 kg de minério por hora e produzir até 2.920 kg de carbonato misto de terras raras por ano.
“Este financiamento, junto com os US$ 154 milhões em recursos de capital próprio já captados, fortalece ainda mais nossa posição financeira à medida que avançamos na obtenção do restante do financiamento sênior necessário para viabilizar o projeto Colossus”, afirmou Rafael Moreno, diretor-geral da Viridis.
Local privilegiado
A Viridis Mineração é subsidiária integral da australiana Viridis Mining and Minerals, é titular de 100% dos direitos de pesquisa e lavra do Projeto Colossus IAC (Ionic Adsorption Clay), em Poços de Caldas, um local reconhecido como um dos depósitos de argilas iônicas mais promissores fora da Ásia, seja pela alta concentração de terras raras pesadas, como pela viabilidade técnica da extração.
Em comunicado, Moreno afirmou: “Após a conclusão do estudo de viabilidade econômica, agora garantimos fontes de financiamento suficientes para atender plenamente ao requisito indicativo de capital próprio para o Colossus, reduzindo significativamente os riscos do caminho de financiamento do projeto à medida que fazemos a transição para a execução”.
“É um investimento voltado para o fomento da produção nacional de terras raras, que contribui para posicionar o Brasil como fornecedor estratégico global de minerais críticos para a transição energética. O projeto envolve o apoio ao ecossistema de inovação na região de Poços de Caldas e à cadeia nacional de fornecedores, com geração de empregos qualificados”, explicou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.