A Arábia Saudita vai ampliar suas alianças globais no setor de mineração por meio de novos acordos com o Brasil, Chile e Canadá. Este foi um dos grandes destaques da 5ª Mesa Redonda Ministerial que aconteceu durante o Future Minerals Forum (FMF) 2026, evento realizado entre os dias 13 e 15 de janeiro no país árabe.
A Mesa Redonda reuniu quase 100 países, incluindo 16 membros do G20 e a União Europeia, além de mais de 50 organizações internacionais, e resultou em acordos de cooperação no setor mineral assinados com o Ministério de Minas e Energia do Brasil, o Ministério de Minas do Chile e o Departamento de Recursos Naturais do Canadá.
No caso do Brasil, a Arábia Saudita firmou um Memorando de Entendimentos (MoU) com validade de cinco anos. O documento estabelece a criação de uma base formal para investimentos sauditas em exploração, processamento e agregação de valor aos minerais no Brasil; apoio do Fundo de Investimento Público (FIP) da Arábia Saudita para atividades de mapeamento geológico do subsolo brasileiro, visando ampliar a cobertura do mapeamento, atualmente na faixa de 30%; intercâmbio de especialistas e capacitação técnica em geologia e mineração sustentável; e instituição de um comitê visando acelerar os estudos de viabilidade técnica e financeira de projetos conjuntos.
“O Brasil está construindo alianças estratégicas com países que compartilham uma visão de futuro baseada em desenvolvimento, inovação e transição energética. A Aliança de Investimento em Mineração Brasil–Arábia Saudita é um passo concreto nessa direção, ao unir capacidade financeira, tecnologia e potencial geológico para gerar crescimento sustentável e oportunidades para os dois povos”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.
Desenvolvimento da mineração é prioridade global
Ao abrir a reunião ministerial, Bandar Alkhorayef, ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, afirmou que o mundo está lançando as bases para “uma nova era de desenvolvimento global, prosperidade e estabilidade por meio dos minerais”, enquadrando o setor como uma prioridade global e não apenas como uma questão industrial.
Segundo Alkhorayef, a mineração é o terceiro pilar da economia nacional na região árabe, em consonância com a ‘Visão Saudita 2030’. “Nosso setor de mineração está prosperando: sustentável, favorável aos investidores e operando como um motor de diversificação e geração de empregos”, afirmou.
Vale reforçar que o Future Minerals Forum 2026 é considerado o principal espaço internacional de articulação entre governos, empresas, investidores e organismos multilaterais em torno do futuro da mineração, dos minerais críticos e da segurança das cadeias globais de suprimentos.
Demanda global de minerais em alta
Para os ministros dos países fornecedores e formuladores de políticas globais, a Mesa Redonda Ministerial, que vem sendo realizada desde 2022, tem proporcionado uma plataforma para coordenar estratégias, atrair investimentos e moldar ações sobre como os recursos minerais globais podem ser explorados para impulsionar o desenvolvimento.
Estes debates devem acelerar mudanças nos países produtores de minerais. O grupo formado por África, Ásia Ocidental, Ásia Central e América Latina representa 58% das nações globais, com uma parcela significativa das reservas e recursos primários globais, que respondem por parcela significativa da produção mundial de platina (89%), manganês (62%), lítio (60%) e cobre (30%), segundo informações divulgadas pela CNBC África.
Historicamente, a região, particularmente a África, vem fornecendo minerais aos mercados mundiais com benefícios econômicos limitados além da extração. Porém, esse padrão está mudando, com foco na criação de valor e no desenvolvimento de capacidades, com a sustentabilidade no centro da produção mineral.
Durante debate sobre o tema, Valerie Levkoff, vice-presidente de Infraestrutura do Banco Mundial, apresentou uma nova estratégia para o setor, visando apoiar os países fornecedores, criar valor local e oportunidades de emprego, lembrando que a demanda global por cobre, lítio, cobalto e elementos de terras raras está em alta, impulsionada pela eletrificação mundial.
Esta edição do FMF tem como base três pilares estratégicos: o desenvolvimento de modelos de financiamento inovadores para infraestruturas minerais; o reforço das capacidades dos países produtores de minérios, por meio da criação de redes de centros de excelência em geologia e inovação; e o reforço da transparência nas cadeias de abastecimento e de produção.
Dúvidas mais comuns
-
-
A Arábia Saudita e o Brasil assinaram um Memorando de Entendimentos (MoU) com validade de cinco anos durante o Future Minerals Forum 2026. O acordo estabelece uma base formal para investimentos sauditas em exploração, processamento e agregação de valor aos minerais brasileiros, além de apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita para atividades de mapeamento geológico do subsolo brasileiro.
-
-
O acordo visa ampliar a cobertura do mapeamento geológico brasileiro, atualmente em 30%, promover intercâmbio de especialistas e capacitação técnica em geologia e mineração sustentável, e instituir um comitê para acelerar estudos de viabilidade técnica e financeira de projetos conjuntos. O objetivo é unir capacidade financeira, tecnologia e potencial geológico para gerar crescimento sustentável.
-
-
O Future Minerals Forum 2026 é considerado o principal espaço internacional de articulação entre governos, empresas, investidores e organismos multilaterais em torno do futuro da mineração, minerais críticos e segurança das cadeias globais de suprimentos. O evento reuniu quase 100 países, incluindo 16 membros do G20 e a União Europeia, além de mais de 50 organizações internacionais.
-
-
A mineração é uma prioridade global porque o mundo está lançando as bases para uma nova era de desenvolvimento, prosperidade e estabilidade por meio dos minerais. A demanda global por cobre, lítio, cobalto e elementos de terras raras está em alta, impulsionada pela eletrificação mundial e pela transição energética, criando oportunidades significativas de desenvolvimento econômico.
-
-
A cobertura do mapeamento geológico do Brasil está atualmente na faixa de 30%. O acordo com a Arábia Saudita prevê apoio do Fundo de Investimento Público saudita para ampliar significativamente essa cobertura, permitindo melhor conhecimento do potencial mineral do subsolo brasileiro.
-
-
Segundo dados divulgados durante o Future Minerals Forum, os países produtores de minerais na América Latina, Ásia Ocidental, Ásia Central e África respondem por parcelas significativas da produção mundial, incluindo 60% do lítio, 30% do cobre, 62% do manganês e 89% da platina. O Brasil, como parte desse grupo, possui reservas importantes desses minerais críticos.
-
-
O Banco Mundial apresentou uma nova estratégia visando apoiar os países fornecedores de minerais, criar valor local e oportunidades de emprego. A estratégia reconhece a alta demanda global por minerais críticos e busca fortalecer as capacidades dos países produtores através de financiamento inovador, redes de centros de excelência em geologia e maior transparência nas cadeias de abastecimento.
-
-
Os três pilares estratégicos são: o desenvolvimento de modelos de financiamento inovadores para infraestruturas minerais; o reforço das capacidades dos países produtores de minérios através da criação de redes de centros de excelência em geologia e inovação; e o reforço da transparência nas cadeias de abastecimento e de produção mineral.