Ministro Alexandre Silveira e ministro saudita Bandar Al-Khorayef
Ministro Alexandre Silveira e ministro saudita Bandar Al-Khorayef (Foto: Divulgação/ MME via gov.br)

Arábia Saudita amplia acordos de mineração com o Brasil

Durante o Future Minerals Forum 2026, o grupo ministerial, que reúne quase 100 países, formalizou novos acordos de cooperação em recursos minerais, incluindo o Brasil

Por Rose Guidoni, 3 min de leitura

Publicado em 22/01/2026

Baixar PDF Copiar link
  • A Arábia Saudita assinou memorando de cinco anos com o Brasil para investimentos em exploração, processamento e agregação de valor mineral, com apoio do Fundo de Investimento Público para mapeamento geológico.
  • O acordo inclui intercâmbio de especialistas, capacitação técnica em mineração sustentável e criação de comitê para acelerar estudos de viabilidade de projetos conjuntos entre os países.
  • A demanda global por cobre, lítio, cobalto e terras raras impulsiona a estratégia de países produtores em criar valor local e oportunidades de emprego além da simples extração mineral.
Resumo revisado pela redação.

A Arábia Saudita vai ampliar suas alianças globais no setor de mineração por meio de novos acordos com o Brasil, Chile e Canadá. Este foi um dos grandes destaques da 5ª Mesa Redonda Ministerial que aconteceu durante o Future Minerals Forum (FMF) 2026, evento realizado entre os dias 13 e 15 de janeiro no país árabe.

A Mesa Redonda reuniu quase 100 países, incluindo 16 membros do G20 e a União Europeia, além de mais de 50 organizações internacionais, e resultou em acordos de cooperação no setor mineral assinados com o Ministério de Minas e Energia do Brasil, o Ministério de Minas do Chile e o Departamento de Recursos Naturais do Canadá.

No caso do Brasil, a Arábia Saudita firmou um Memorando de Entendimentos (MoU) com validade de cinco anos. O documento estabelece a criação de uma base formal para investimentos sauditas em exploração, processamento e agregação de valor aos minerais no Brasil; apoio do Fundo de Investimento Público (FIP) da Arábia Saudita para atividades de mapeamento geológico do subsolo brasileiro, visando ampliar a cobertura do mapeamento, atualmente na faixa de 30%; intercâmbio de especialistas e capacitação técnica em geologia e mineração sustentável; e instituição de um comitê visando acelerar os estudos de viabilidade técnica e financeira de projetos conjuntos.

“O Brasil está construindo alianças estratégicas com países que compartilham uma visão de futuro baseada em desenvolvimento, inovação e transição energética. A Aliança de Investimento em Mineração Brasil–Arábia Saudita é um passo concreto nessa direção, ao unir capacidade financeira, tecnologia e potencial geológico para gerar crescimento sustentável e oportunidades para os dois povos”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.

Desenvolvimento da mineração é prioridade global

Ao abrir a reunião ministerial, Bandar Alkhorayef, ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, afirmou que o mundo está lançando as bases para “uma nova era de desenvolvimento global, prosperidade e estabilidade por meio dos minerais”, enquadrando o setor como uma prioridade global e não apenas como uma questão industrial. 

Segundo Alkhorayef, a mineração é o terceiro pilar da economia nacional na região árabe, em consonância com a ‘Visão Saudita 2030’. “Nosso setor de mineração está prosperando: sustentável, favorável aos investidores e operando como um motor de diversificação e geração de empregos”, afirmou.

Vale reforçar que o Future Minerals Forum 2026 é considerado o principal espaço internacional de articulação entre governos, empresas, investidores e organismos multilaterais em torno do futuro da mineração, dos minerais críticos e da segurança das cadeias globais de suprimentos.

Demanda global de minerais em alta

Para os ministros dos países fornecedores e formuladores de políticas globais, a Mesa Redonda Ministerial, que vem sendo realizada desde 2022, tem proporcionado uma plataforma para coordenar estratégias, atrair investimentos e moldar ações sobre como os recursos minerais globais podem ser explorados para impulsionar o desenvolvimento.

Estes debates devem acelerar mudanças nos países produtores de minerais. O grupo formado por África, Ásia Ocidental, Ásia Central e América Latina representa 58% das nações globais, com uma parcela significativa das reservas e recursos primários globais, que respondem por parcela significativa da produção mundial de platina (89%), manganês (62%), lítio (60%) e cobre (30%), segundo informações divulgadas pela CNBC África.

Historicamente, a região, particularmente a África, vem fornecendo minerais aos mercados mundiais com benefícios econômicos limitados além da extração. Porém, esse padrão está mudando, com foco na criação de valor e no desenvolvimento de capacidades, com a sustentabilidade no centro da produção mineral.

Durante debate sobre o tema, Valerie Levkoff, vice-presidente de Infraestrutura do Banco Mundial, apresentou uma nova estratégia para o setor, visando apoiar os países fornecedores, criar valor local e oportunidades de emprego, lembrando que a demanda global por cobre, lítio, cobalto e elementos de terras raras está em alta, impulsionada pela eletrificação mundial. 

Esta edição do FMF tem como base três pilares estratégicos: o desenvolvimento de modelos de financiamento inovadores para infraestruturas minerais; o reforço das capacidades dos países produtores de minérios, por meio da criação de redes de centros de excelência em geologia e inovação; e o reforço da transparência nas cadeias de abastecimento e de produção.

Dúvidas mais comuns

O Brasil e a Arábia Saudita firmaram um Memorando de Entendimentos (MoU) com validade de cinco anos durante o Future Minerals Forum 2026. O acordo consolida a parceria bilateral e amplia a cooperação em áreas estratégicas, estabelecendo uma base formal para investimentos sauditas em exploração, processamento e agregação de valor aos minerais brasileiros, além de apoio do Fundo de Investimento Público (FIP) para mapeamento geológico do subsolo.

O acordo possui cinco objetivos principais: criar uma base formal para investimentos sauditas em exploração e processamento de minerais; apoiar atividades de mapeamento geológico para ampliar a cobertura atual de 30%; promover intercâmbio de especialistas e capacitação técnica em geologia e mineração sustentável; instituir um comitê para acelerar estudos de viabilidade técnica e financeira de projetos conjuntos; e unir capacidade financeira, tecnologia e potencial geológico para gerar crescimento sustentável.

O Future Minerals Forum (FMF) 2026 é considerado o principal espaço internacional de articulação entre governos, empresas, investidores e organismos multilaterais em torno do futuro da mineração, dos minerais críticos e da segurança das cadeias globais de suprimentos. O evento, realizado entre 13 e 15 de janeiro na Arábia Saudita, reuniu quase 100 países, incluindo 16 membros do G20 e a União Europeia, além de mais de 50 organizações internacionais.

A mineração é considerada um pilar estratégico para o desenvolvimento global, prosperidade e estabilidade. A demanda global por minerais críticos como cobre, lítio, cobalto e elementos de terras raras está em alta, impulsionada pela eletrificação mundial e transição energética. Além disso, o setor representa uma oportunidade significativa para diversificação econômica e geração de empregos nos países produtores.

O Brasil possui uma cobertura de mapeamento geológico de aproximadamente 30%, indicando um potencial significativo de expansão. A Arábia Saudita, por meio do Fundo de Investimento Público, apoiará atividades de mapeamento geológico do subsolo brasileiro para ampliar essa cobertura, permitindo melhor compreensão do potencial mineral do território e facilitando investimentos futuros.

O Brasil é um produtor significativo de minerais críticos para a transição energética. Segundo dados apresentados no Future Minerals Forum, os países fornecedores de minerais (incluindo Brasil, África, Ásia Ocidental, Ásia Central e América Latina) respondem por parcela significativa da produção mundial de platina (89%), manganês (62%), lítio (60%) e cobre (30%), sendo o Brasil um dos principais produtores dessa região.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, representando 23% do total global. Apesar dessa posição privilegiada, o país carece de pesquisas detalhadas sobre o potencial geológico do território. O acordo com a Arábia Saudita, incluindo mapeamento geológico e intercâmbio de especialistas, visa fortalecer a capacidade de exploração e agregação de valor a esses recursos.

O FMF 2026 baseia-se em três pilares estratégicos: o desenvolvimento de modelos de financiamento inovadores para infraestruturas minerais; o reforço das capacidades dos países produtores de minérios por meio da criação de redes de centros de excelência em geologia e inovação; e o reforço da transparência nas cadeias de abastecimento e de produção mineral.