Ana Luíza Elisiário, operadora de britagem da Vale, ao receber o capacete durante a Exposibram
Ana Luíza Elisiário, operadora de britagem da Vale, ao receber o capacete durante a Exposibram (Foto: José Alessandro)

Nexa apresenta capacete de segurança para cabelos crespos e afro

Protótipo desenvolvido com a startup Bicipreta amplia o espaço interno do equipamento e adapta o design para acomodar cabelos volumosos

Por Mariana Sgarioni, 4 min de leitura

Publicado em 01/09/2026 | Atualizado em 03/09/2026

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BELO HORIZONTE – Pela primeira vez, trabalhadores com cabelos crespos, afro e volumosos puderam experimentar um capacete de segurança desenvolvido para esse público. O protótipo foi apresentado na Exposibram 2026 e resulta de uma parceria entre a Nexa e a startup Bicipreta, com o objetivo de conciliar as exigências de segurança das operações industriais com as características dos diferentes tipos de cabelo.

Joyce dos Santos, líder de Tonalidades Racial e Étnica da Nexa no palco da Exposibram 2026

Não são as pessoas que devem se adaptar ao equipamento, é o equipamento que deve estar preparado para proteger as pessoas em toda a sua diversidade” — Joyce dos Santos, líder de Tonalidades Racial e Étnica da Nexa

Segundo a gerente de inovação da Nexa, Nataly Yoshino, a demanda surgiu dos grupos de pluralidade da companhia. A empresa identificou que volumes, penteados e comprimentos diferentes nem sempre encontravam acomodação adequada nos capacetes disponíveis no mercado. Uma busca por modelos nacionais e internacionais não localizou solução equivalente.

A partir daí, a Nexa levou o desafio ao Mining Hub, centro de inovação aberta do setor mineral, em busca de uma startup que pudesse participar do desenvolvimento. Surgiu então a parceria com a Bicipreta, empresa nascida em Salvador (BA) e especializada em soluções de ciclomobilidade negra. O desafio era desenvolver um modelo que respeitasse as rotinas operacionais, mantivesse a conformidade legal e oferecesse proteção e conforto a pessoas com cabelos volumosos.

O desenvolvimento incluiu testes com usuários da própria companhia. O equipamento foi levado às unidades para avaliação e passou por aprimoramentos a partir dos retornos dos trabalhadores. A empresa pretende agora concluir a certificação e buscar parceiros para viabilizar a produção em escala.

“Sabemos que essa oportunidade vai além da mineração, também engloba outros setores. O capacete é uma inovação muito importante para ficar apenas dentro da Nexa. Queremos expandir e buscar mais parceiros para o produto ganhar escala”, disse Nataly ao Radar Mineração.

Mais espaço para o cabelo crespo

A principal mudança está na geometria do equipamento. O modelo ganhou altura e profundidade, o que cria espaço adicional para acomodar cabelos de diferentes volumes. A alteração busca evitar que os fios precisem ser comprimidos para que o trabalhador consiga utilizar o EPI.

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Lívia Suarez, CEO da Bicipreta, posa com o capacete (Foto: Divulgação)
Lívia Suarez, CEO da Bicipreta, posa com o capacete (Foto: Divulgação)
Lívia Suarez, CEO da Bicipreta, posa com o capacete (Foto: Divulgação)
Lívia Suarez, CEO da Bicipreta, posa com o capacete (Fotos: Divulgação)

Segundo a CEO da Bicipreta, Lívia Suarez, o projeto também incorporou canais internos de ventilação. O fecho anatômico é outra adaptação, enquanto a estrutura foi pensada para contribuir com a dissipação do impacto. Há ainda uma elevação na parte externa do capacete, com a mesma função.

O capacete de segurança desenvolvido pela Nexa Resources em parceria  com a startup Bicipreta
O capacete de segurança desenvolvido pela Nexa Resources em parceria com a startup Bicipreta (Foto: Divulgação)

O desenho recebeu elementos inspirados em identidade tribal, com detalhes em preto e laranja. O branco permanece como cor principal. O casco externo é feito de polietileno de alta densidade (PEAD), material usado na estrutura do equipamento conforme o padrão de segurança indicado pelos órgãos reguladores.

Segurança e representatividade na mineração

O efeito da iniciativa apareceu no relato da operadora de britagem da Vale em Itabira (MG), Ana Luíza Elisiário, que testou o capacete durante o lançamento. Ela associou a solução à falta de representatividade no setor.

“As empresas querem ter mulheres na mineração, mas é preciso pensar nas necessidades delas. Pensar no cabelo afro significa incluir a mulher negra. Nosso cabelo tem características próprias”, afirmou Ana Luíza ao Radar Mineração.

Para ela, a discussão sobre o capacete vai além da ergonomia. O cabelo crespo natural não é apenas uma característica física, mas também um símbolo de identidade e ancestralidade. A dificuldade de acomodar esses cabelos em equipamentos de proteção, portanto, pode ter consequências que ultrapassam o desconforto físico.

Uma mulher de cabelos cacheados segura um capacete para cabelo crespo — um capacete branco projetado para o seu tipo de cabelo — e parece emocionada em um evento realizado em ambiente fechado. Ela veste uma camisa bege e usa um crachá, enquanto outras pessoas estão ao seu redor. No fundo, podem-se ver faixas do evento.

Você ter um objeto que você possa trabalhar com segurança e depois vá embora para casa com o cabelo arrumado é importante para a gente. A autoestima é necessária para a saúde mental dos trabalhadores” — Ana Luíza Elisiário

Certificação em andamento

O lançamento marca uma etapa, mas o produto ainda precisa avançar antes de chegar ao mercado. A certificação está em andamento e a Nexa pretende apresentar a solução em fóruns específicos e encontrar parceiros interessados na fabricação em escala.

Para isso, a Bicipreta precisará transformar o protótipo em produto de produção em massa, mantendo as características de acomodação dos diferentes tipos de cabelo e os requisitos de segurança que orientaram seu desenvolvimento. O projeto começou com uma dificuldade identificada no cotidiano da operação e chega a uma etapa em que inclusão, engenharia e segurança dividem o mesmo espaço.