- Exportações de ouro cresceram 89,3% no primeiro trimestre de 2026 comparado a 2025, atingindo US$ 2,3 bilhões, impulsionadas pela alta de 70% no preço do metal como reserva de valor em cenário geopolítico instável.
- O cobre também expandiu 65,7% em valor exportado no período, alcançando US$ 1,58 bilhões, e atrai 11% dos US$ 76,9 bilhões em investimentos previstos para o setor de mineração entre 2026 e 2029.
- O Ibram defende manutenção do sistema de rastreabilidade eletrônica via Receita Federal para combater garimpo ilegal de ouro, rejeitando volta da autodeclaração de origem que poderia facilitar comercialização de metal extraído ilegalmente.
O ouro foi destaque do setor de mineração no primeiro trimestre do ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Para efeito de comparação, as exportações de minério de ferro, carro-chefe da produção mineral brasileira, somaram US$ 6,152 bilhões, enquanto o ouro fechou o período com US$ 2,3 bilhões. Com isso, o mineral teve incremento de 89,3% no valor das exportações em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Em relação ao preço do ouro, o incremento no trimestre foi de 70%, na comparação com igual período de 2025. Com a forte alta recente, o preço alcançou patamares históricos, chegando a US$ 4,86 mil a onça troy (medida equivalente a 31,1 gramas).
Segundo o Ibram, esse avanço é impulsionado principalmente pelo papel do ouro como reserva de valor em substituição ao dólar. Para o instituto, essa alta procura deve se manter enquanto perdurarem as atuais instabilidades geopolíticas observadas no cenário global.
Apesar do crescimento, o Ibram manifestou preocupação em relação ao garimpo ilegal do ouro e da possibilidade da volta da autodeclaração de origem do metal nos chamados pontos de compra.
Rastreabilidade contra garimpo ilegal
Esse afrouxamento nas regras de rastreabilidade do ouro pode ter impactos negativos. A permissão da autodeclaração, na avaliação do presidente do Ibram, pode viabilizar e até incentivar a comercialização de ouro extraído de forma ilegal.
Esse risco torna-se ainda maior devido à crescente infiltração do crime organizado no garimpo ilegal, especialmente na região do Arco Norte, conjunto de portos e estações de transbordo no Norte e Nordeste brasileiro (AM, PA, RO, AP, MA), que funciona como rota estratégica para escoamento de grãos do Centro-Oeste.
Para substituir a autodeclaração, o instituto apoia que todas essas operações com ouro sejam ativamente fiscalizadas pela Receita Federal. Esse sistema rigoroso de rastreabilidade exige que toda transação de ouro seja obrigatoriamente baseada em documentação formal, especificamente por meio de nota fiscal eletrônica e guia de transporte.
Pablo Cesário, presidente interino do Ibram, destacou que o instituto tem atuado no Congresso Nacional para pedir que o novo projeto sobre rastreabilidade do ouro não seja aprovado, pois considera o sistema documental eletrônico atual, fiscalizado pela Receita Federal, um “grande avanço”.
Segundo ele, foi justamente a aplicação desse modelo de notas fiscais e guias de transporte que conseguiu diminuir significativamente a venda de ouro vindo de garimpos ilegais no mercado legal brasileiro durante 2025.
Cobre é o destaque em investimentos até 2029

O cobre também ganhou destaque no primeiro trimestre, alcançando um crescimento de 65,7% no valor das exportações na comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 1,58 bilhões.
De acordo com Júlio Nery Ferreira, diretor de Assuntos Minerários do Ibram, há um crescimento físico notável em minas de cobre e de ouro, com destaque para o Pará e a Bahia. “Nas projeções de investimentos do setor, o cobre atrai 11% dos recursos”, ressalta o especialista.
Ele se refere aos US$ 76,9 bilhões em aportes esperados para o período de 2026 a 2029. O cobre, nesse caso, só perde para o minério de ferro e para as iniciativas socioambientais e de logística, nessa ordem.
“O ouro possui o maior número de projetos, embora o volume de recursos investidos seja mais baixo se comparado aos de cobre e minério de ferro, que exigem investimentos unitários bastante superiores”, argumenta Ferreira.
Ele lembrou que o cobre é essencial na transição energética para economia de baixo carbono em função de seu papel na eletrificação. O níquel, também fundamental na transição energética, tem US$ 4,7 bilhões de investimentos previstos entre 2026-29, seguido das terras raras, com US$ 2,394 bilhões.
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