Veia de ouro puro sobre rocha negra que destaca o brilho e a cor dourada
Foto: TSViPhoto / Shutterstock

Exportações de ouro e cobre crescem no primeiro trimestre do ano

Faturamento com venda de ouro ao mercado externo cresce 89,3% entre janeiro e março deste ano na comparação com igual intervalo de 2025

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 16/04/2026

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  • Exportações de ouro cresceram 89,3% no primeiro trimestre de 2026 comparado a 2025, atingindo US$ 2,3 bilhões, impulsionadas pela alta de 70% no preço do metal como reserva de valor em cenário geopolítico instável.
  • O cobre também expandiu 65,7% em valor exportado no período, alcançando US$ 1,58 bilhões, e atrai 11% dos US$ 76,9 bilhões em investimentos previstos para o setor de mineração entre 2026 e 2029.
  • O Ibram defende manutenção do sistema de rastreabilidade eletrônica via Receita Federal para combater garimpo ilegal de ouro, rejeitando volta da autodeclaração de origem que poderia facilitar comercialização de metal extraído ilegalmente.
Resumo revisado pela redação.

O ouro foi destaque do setor de mineração no primeiro trimestre do ano, segundo  levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Para efeito de comparação, as exportações de minério de ferro, carro-chefe da produção mineral brasileira, somaram US$ 6,152 bilhões, enquanto o ouro fechou o período com US$ 2,3 bilhões. Com isso, o mineral teve incremento de 89,3% no valor das exportações em relação ao primeiro trimestre de 2025. 

Em relação ao preço do ouro, o incremento no trimestre foi de 70%, na comparação com igual período de 2025. Com a forte alta recente, o preço alcançou patamares históricos, chegando a US$ 4,86 mil a onça troy (medida equivalente a 31,1 gramas).

Segundo o Ibram, esse avanço é impulsionado principalmente pelo papel do ouro como reserva de valor em substituição ao dólar. Para o instituto, essa alta procura deve se manter enquanto perdurarem as atuais instabilidades geopolíticas observadas no cenário global.

Apesar do crescimento, o Ibram manifestou preocupação em relação ao garimpo ilegal do ouro e da possibilidade da volta da autodeclaração de origem do metal nos chamados pontos de compra.

Rastreabilidade contra garimpo ilegal

Esse afrouxamento nas regras de rastreabilidade do ouro pode ter impactos negativos. A permissão da autodeclaração, na avaliação do presidente do Ibram, pode viabilizar e até incentivar a comercialização de ouro extraído de forma ilegal. 

Esse risco torna-se ainda maior devido à crescente infiltração do crime organizado no garimpo ilegal, especialmente na região do Arco Norte, conjunto de portos e estações de transbordo no Norte e Nordeste brasileiro (AM, PA, RO, AP, MA), que funciona como rota estratégica para escoamento de grãos do Centro-Oeste.

Para substituir a autodeclaração, o instituto apoia que todas essas operações com ouro sejam ativamente fiscalizadas pela Receita Federal. Esse sistema rigoroso de rastreabilidade exige que toda transação de ouro seja obrigatoriamente baseada em documentação formal, especificamente por meio de nota fiscal eletrônica e guia de transporte.

Pablo Cesário, presidente interino do Ibram, destacou que o instituto tem atuado no Congresso Nacional para pedir que o novo projeto sobre rastreabilidade do ouro não seja aprovado, pois considera o sistema documental eletrônico atual, fiscalizado pela Receita Federal, um “grande avanço”.

Segundo ele, foi justamente a aplicação desse modelo de notas fiscais e guias de transporte que conseguiu diminuir significativamente a venda de ouro vindo de garimpos ilegais no mercado legal brasileiro durante 2025.  

Cobre é o destaque em investimentos até 2029

Pedra de cobre com aparência metálica e textura brilhante, destacada sobre uma superfície escura
Foto: Ziadi Lotfi / Shutterstock

O cobre também ganhou destaque no primeiro trimestre, alcançando um crescimento de 65,7% no valor das exportações na comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 1,58 bilhões.

De acordo com Júlio Nery Ferreira, diretor de Assuntos Minerários do Ibram, há um crescimento físico notável em minas de cobre e de ouro, com destaque para o Pará e a Bahia. “Nas projeções de investimentos do setor, o cobre atrai 11% dos recursos”, ressalta o especialista.

Ele se refere aos US$ 76,9 bilhões em aportes esperados para o período de 2026 a 2029. O cobre, nesse caso, só perde para o minério de ferro e para as iniciativas socioambientais e de logística, nessa ordem.

“O ouro possui o maior número de projetos, embora o volume de recursos investidos seja mais baixo se comparado aos de cobre e minério de ferro, que exigem investimentos unitários bastante superiores”, argumenta Ferreira.

Ele lembrou que o cobre é essencial na transição energética para economia de baixo carbono em função de seu papel na eletrificação. O níquel, também fundamental na transição energética, tem US$ 4,7 bilhões de investimentos previstos entre 2026-29, seguido das terras raras, com US$ 2,394 bilhões.

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Dúvidas mais comuns

As exportações de ouro cresceram 89,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 2,3 bilhões. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento de 70% no preço do ouro, que alcançou patamares históricos de US$ 4,86 mil a onça troy.

O aumento do preço do ouro é impulsionado principalmente pelo seu papel como reserva de valor em substituição ao dólar, especialmente em contextos de instabilidade geopolítica global. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), essa alta procura deve se manter enquanto perdurarem as atuais instabilidades observadas no cenário internacional.

Embora o minério de ferro continue sendo o carro-chefe da produção mineral brasileira com US$ 6,152 bilhões em exportações no primeiro trimestre, o ouro ganhou destaque significativo com US$ 2,3 bilhões. O ouro é o segundo mineral mais exportado pelo Brasil, demonstrando sua crescente importância no setor de mineração.

A rastreabilidade rigorosa do ouro é fundamental para combater o garimpo ilegal e a infiltração do crime organizado no setor. O sistema atual, baseado em notas fiscais eletrônicas e guias de transporte fiscalizados pela Receita Federal, conseguiu diminuir significativamente a venda de ouro vindo de garimpos ilegais no mercado legal brasileiro durante 2025.

As exportações de cobre cresceram 65,7% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 1,58 bilhões. Esse crescimento reflete um aumento físico notável em minas de cobre, com destaque para os estados do Pará e Bahia.

O cobre é essencial na transição energética para uma economia de baixo carbono devido ao seu papel fundamental na eletrificação. Reconhecendo essa importância, o cobre atrai 11% dos investimentos previstos para o setor de mineração entre 2026 e 2029, totalizando parte dos US$ 76,9 bilhões esperados em aportes.

Entre 2026 e 2029, estão previstos US$ 76,9 bilhões em investimentos no setor de mineração. O minério de ferro lidera os investimentos, seguido por iniciativas socioambientais e de logística. O cobre atrai 11% dos recursos, o níquel US$ 4,7 bilhões, e as terras raras US$ 2,394 bilhões, refletindo a importância desses minerais na transição energética global.

O Ibram expressa preocupação com a possibilidade de volta da autodeclaração de origem do ouro nos pontos de compra, que poderia viabilizar e incentivar a comercialização de ouro extraído ilegalmente. Essa preocupação é intensificada pela crescente infiltração do crime organizado no garimpo ilegal, especialmente na região do Arco Norte, que funciona como rota estratégica para escoamento de produtos do Norte e Nordeste.