Veia de ouro puro sobre rocha negra que destaca o brilho e a cor dourada
Foto: TSViPhoto / Shutterstock

Exportações de ouro e cobre crescem no primeiro trimestre do ano

Faturamento com venda de ouro ao mercado externo cresce 89,3% entre janeiro e março deste ano na comparação com igual intervalo de 2025

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 16/04/2026

Baixar PDF Copiar link

O ouro foi destaque do setor de mineração no primeiro trimestre do ano, segundo  levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Para efeito de comparação, as exportações de minério de ferro, carro-chefe da produção mineral brasileira, somaram US$ 6,152 bilhões, enquanto o ouro fechou o período com US$ 2,3 bilhões. Com isso, o mineral teve incremento de 89,3% no valor das exportações em relação ao primeiro trimestre de 2025. 

Em relação ao preço do ouro, o incremento no trimestre foi de 70%, na comparação com igual período de 2025. Com a forte alta recente, o preço alcançou patamares históricos, chegando a US$ 4,86 mil a onça troy (medida equivalente a 31,1 gramas).

Segundo o Ibram, esse avanço é impulsionado principalmente pelo papel do ouro como reserva de valor em substituição ao dólar. Para o instituto, essa alta procura deve se manter enquanto perdurarem as atuais instabilidades geopolíticas observadas no cenário global.

Apesar do crescimento, o Ibram manifestou preocupação em relação ao garimpo ilegal do ouro e da possibilidade da volta da autodeclaração de origem do metal nos chamados pontos de compra.

Rastreabilidade contra garimpo ilegal

Esse afrouxamento nas regras de rastreabilidade do ouro pode ter impactos negativos. A permissão da autodeclaração, na avaliação do presidente do Ibram, pode viabilizar e até incentivar a comercialização de ouro extraído de forma ilegal. 

Esse risco torna-se ainda maior devido à crescente infiltração do crime organizado no garimpo ilegal, especialmente na região do Arco Norte, conjunto de portos e estações de transbordo no Norte e Nordeste brasileiro (AM, PA, RO, AP, MA), que funciona como rota estratégica para escoamento de grãos do Centro-Oeste.

Para substituir a autodeclaração, o instituto apoia que todas essas operações com ouro sejam ativamente fiscalizadas pela Receita Federal. Esse sistema rigoroso de rastreabilidade exige que toda transação de ouro seja obrigatoriamente baseada em documentação formal, especificamente por meio de nota fiscal eletrônica e guia de transporte.

Pablo Cesário, presidente interino do Ibram, destacou que o instituto tem atuado no Congresso Nacional para pedir que o novo projeto sobre rastreabilidade do ouro não seja aprovado, pois considera o sistema documental eletrônico atual, fiscalizado pela Receita Federal, um “grande avanço”.

Segundo ele, foi justamente a aplicação desse modelo de notas fiscais e guias de transporte que conseguiu diminuir significativamente a venda de ouro vindo de garimpos ilegais no mercado legal brasileiro durante 2025.  

Cobre é o destaque em investimentos até 2029

Pedra de cobre com aparência metálica e textura brilhante, destacada sobre uma superfície escura
Foto: Ziadi Lotfi / Shutterstock

O cobre também ganhou destaque no primeiro trimestre, alcançando um crescimento de 65,7% no valor das exportações na comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 1,58 bilhões.

De acordo com Júlio Nery Ferreira, diretor de Assuntos Minerários do Ibram, há um crescimento físico notável em minas de cobre e de ouro, com destaque para o Pará e a Bahia. “Nas projeções de investimentos do setor, o cobre atrai 11% dos recursos”, ressalta o especialista.

Ele se refere aos US$ 76,9 bilhões em aportes esperados para o período de 2026 a 2029. O cobre, nesse caso, só perde para o minério de ferro e para as iniciativas socioambientais e de logística, nessa ordem.

“O ouro possui o maior número de projetos, embora o volume de recursos investidos seja mais baixo se comparado aos de cobre e minério de ferro, que exigem investimentos unitários bastante superiores”, argumenta Ferreira.

Ele lembrou que o cobre é essencial na transição energética para economia de baixo carbono em função de seu papel na eletrificação. O níquel, também fundamental na transição energética, tem US$ 4,7 bilhões de investimentos previstos entre 2026-29, seguido das terras raras, com US$ 2,394 bilhões.

Leia mais:
Mineração fatura R$ 77,9 bi e cresce 6% no 1º trimestre
Quinto maior produto da mineração brasileira, fertilizantes precisam de mais investimentos, defende Ibram

Dúvidas mais comuns

O Brasil exportou US$ 2,3 bilhões em ouro no primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento de 89,3% em relação ao mesmo período de 2025. Esse desempenho coloca o ouro como destaque do setor de mineração, embora ainda fique atrás do minério de ferro, que somou US$ 6,152 bilhões no mesmo período.

O preço do ouro aumentou 70% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com igual período de 2025, atingindo patamares históricos de US$ 4,86 mil a onça troy. Esse avanço é impulsionado principalmente pelo papel do ouro como reserva de valor em substituição ao dólar, especialmente devido às instabilidades geopolíticas observadas no cenário global, que devem manter a alta procura pelo metal.

As exportações de cobre cresceram 65,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, atingindo US$ 1,58 bilhões. O cobre ganhou destaque no setor mineral, com crescimento físico notável em minas localizadas principalmente no Pará e na Bahia.

O Brasil espera receber US$ 76,9 bilhões em aportes para o setor de mineração entre 2026 e 2029. O cobre atrai 11% desses recursos, ficando atrás apenas do minério de ferro e das iniciativas socioambientais e de logística. O ouro possui o maior número de projetos, embora com investimentos unitários menores comparados ao cobre e minério de ferro.

O cobre é essencial na transição energética para uma economia de baixo carbono devido ao seu papel fundamental na eletrificação. Sua demanda crescente reflete a necessidade global de infraestrutura elétrica para fontes de energia renovável, tornando-o um dos minerais mais estratégicos para os próximos anos.

O garimpo ilegal de ouro representa um risco significativo, especialmente com a possível volta da autodeclaração de origem do metal nos pontos de compra. A crescente infiltração do crime organizado no garimpo ilegal, particularmente na região do Arco Norte, pode viabilizar a comercialização de ouro extraído ilegalmente no mercado formal, prejudicando a reputação e a sustentabilidade do setor.

O Brasil utiliza um sistema rigoroso de rastreabilidade que exige que toda transação de ouro seja obrigatoriamente baseada em documentação formal, através de nota fiscal eletrônica e guia de transporte, fiscalizadas pela Receita Federal. Esse modelo eletrônico conseguiu diminuir significativamente a venda de ouro vindo de garimpos ilegais no mercado legal brasileiro durante 2025, sendo considerado um grande avanço pelo Instituto Brasileiro de Mineração.

Além do cobre, o níquel também é fundamental na transição energética, com US$ 4,7 bilhões de investimentos previstos entre 2026-2029. As terras raras, igualmente importantes para tecnologias limpas, recebem US$ 2,394 bilhões em investimentos previstos para o mesmo período, consolidando a estratégia brasileira de mineração voltada para a sustentabilidade.