Uma operação de mineração em 2025, com uma grande embarcação de apoio e equipamentos industriais no porto, representando avanços na mineração.
Foto: Vale

Mineração brasileira fatura R$ 298,8  bi e representa 55% do saldo positivo da balança comercial

Minério de ferro, ouro, cobre e manganês foram destaques de exportações; os estados de Minas Gerais e Pará, tradicionalmente líderes de produção, mantêm-se na dianteira, mas Bahia ganha relevância

Por Rodrigo Conceição Santos, 3 min de leitura

Publicado em 04/02/2026 | Atualizado em 05/02/2026

Baixar PDF Copiar link

O setor mineral brasileiro cresceu 10,3% no ano passado, alcançando R$ 298,8 bilhões de faturamento. A atividade também respondeu por 55% do superávit nas exportações do país, consolidando-se como o principal mercado produtivo na nossa balança comercial positiva. Para Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram, o resultado mostra “uma indústria com desempenho econômico robusto, forte inserção no comércio exterior e ampliação do ciclo de investimentos, em especial em minerais considerados estratégicos para o futuro da economia”.

Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram
Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram (Foto: Arquivo/ Marcello Casal Jr/ Agência Brasil)

Mais do que isso, Azevedo avalia que a mineração tem se demonstrado provedor de matéria-prima potente para o ciclo econômico que vivemos. Como exemplo, ele comparou a força do setor neste início de século ao que representou a borracha, o café e o petróleo nos séculos 19 e 20.

Destaques e projeções 

O minério de ferro permaneceu como principal fonte de receita da mineração nacional, com faturamento de R$ 157,2 bilhões (52,6% do total). A porcentagem é 2,2% menor do que a de 2024, e isso não se deve à queda do ferro, mas, sim, à valorização de outros minerais, como o ouro (veja mais a seguir).

Em termos de praças produtivas, Minas Gerais, Pará e Bahia concentraram a maior parte da atividade minerária, com participações de 39,9%, 34,5% e 4,5%, respectivamente. Isso inclui todos os tipos de minérios.

Para os próximos anos, o Ibram projeta mais avanços, com base em aportes anunciados pelas mineradoras associadas ao instituto. Entre 2026 e 2030, a estimativa é de US$ 76,9 bilhões em investimentos, valor 12,5% superior ao aplicado no ciclo anterior. Desse total, US$ 21,3 bilhões devem ser direcionados a minerais críticos e estratégicos, como lítio, cobre, níquel, grafita e terras raras.

De acordo com o diretor de Assuntos Minerários do Ibram, Julio Nery, parte relevante desses recursos será direcionada a projetos voltados à eficiência operacional, sustentabilidade e logística, considerados essenciais para manter a competitividade do setor.

Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários do Ibram
Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários do Ibram (Foto: Glenio Campregher/ Ibram)

Balança comercial e peso dos principais minerais

Em coletiva para a imprensa nesta terça-feira (03.02), o desempenho no comércio exterior foi um dos principais destaques do Ibram a respeito de 2025. Em detalhes, o instituto apurou que a mineração exportou cerca de 431 milhões de toneladas: alta de 7,1% em volume sobre 2024. Isto gerou receitas aproximadas de US$ 46 bilhões (crescimento de 6,2%).

O saldo da balança comercial mineral alcançou US$ 37,6 bilhões, que é o montante referente aos 55% de representatividade no superávit brasileiro no ano (total de US$ 68,3 bilhões). Em 2024, a participação foi de 47%.

Além do minério de ferro, outros produtos tiveram papel importante no resultado positivo do setor, como o ouro, o cobre e o manganês, que se beneficiaram de preços mais elevados e de maior demanda internacional. Em 2025, as exportações de ouro cresceram 66,1% em valor, atingindo US$ 6,6 bilhões. Já o cobre registrou alta de 20,5%, alcançando US$ 5 bilhões. O manganês teve aumento de 29,5% e acumulou US$ 110,5 milhões em exportações.

Principais destinos e fornecedores

A China manteve-se como principal destino das exportações minerais brasileiras em 2025, absorvendo a maior parte do volume embarcado, especialmente de minério de ferro. Além da China, outros mercados relevantes foram países industrializados e produtores de tecnologia e insumos estratégicos, como os Estados Unidos, membros da União Europeia e nações asiáticas.

O peso do mercado chinês reflete a centralidade do país nas cadeias globais de aço, infraestrutura e manufatura, dependentes de insumos minerais. Ao mesmo tempo em que a mineração brasileira quer manter o alto volume de negócio com os chineses, o Ibram revelou esforços do setor para diversificar destinos e reduzir, assim, as chances de dependência unilateral.

Do lado das importações, o Brasil manteve um volume relevante. Em 2025, foram US$ 8,5 bilhões, com leve alta de 0,1% em valor e queda de 1,3% em volume de minerais importados.

As importações concentram-se principalmente em fertilizantes minerais, potássio, enxofre, carvão mineral, zinco e rocha fosfática, insumos utilizados na agricultura, siderurgia e indústria química. Os principais fornecedores foram os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Austrália.

Relevância econômica e fiscal

Além do impacto na balança comercial, a mineração ampliou a contribuição fiscal em 2025. A arrecadação total de tributos e encargos atingiu R$ 103 bilhões: alta de cerca de 10% em relação ao ano anterior. A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) – principal tributo utilizado pelas mineradoras para transferir recursos à sociedade e sustentabilidade – somou R$ 7,9 bilhões.

No mercado de trabalho, o setor também cresceu, com 8,3 mil novas vagas formais criadas entre janeiro e novembro do ano passado. Ao todo, a mineração tinha 229,3 mil empregos diretos nesse período.