Um grande navio cargueiro chamado SOHAR MAX navega no oceano sob um céu nublado, apresentando quatro estruturas cilíndricas brancas altas - navios a velas - em seu convés, cada uma rotulada com diferentes logotipos ou nomes de empresas.

Vale quer adotar mais 20 navios a velas para reduzir consumo de combustíveis fósseis

Projeto visa contribuir para reduzir em 15% as emissões de gases de efeito estufa no escopo 3 das embarcações da Vale até 2035

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 30/04/2026

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A Vale apresentou hoje à imprensa um plano para ampliar o uso de propulsão eólica em sua logística marítima, no qual prevê incorporar ao menos 20 navios equipados com velas rotativas em três anos. O movimento ocorre em um contexto de pressão por redução de emissões e de instabilidade nos preços de combustíveis marítimos, que impactam diretamente o custo de frete da companhia.O projeto visa reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis marítimos, insumos importantes para a Vale, que tem operações mais distante que os concorrentes australianos para atender à China. 

A adoção da tecnologia eólica começou em 2021 e hoje alcança oito embarcações, entre elas o Valemax, considerado o maior navio de carga de minério, com capacidade de 400 mil toneladas. A empresa atua em parceria com armadores para ampliar a escala, em vez de concentrar os investimentos apenas em projetos próprios. 

O ganho operacional está associado à redução do consumo de bunker e à menor exposição às oscilações desse insumo. Embora dependam de condições favoráveis de vento, a expectativa é que as velas ampliem a eficiência de propulsão em 6% e reduzam as emissões de gases de efeito estufa em 3 mil toneladas anuais por navio (veja mais aqui). Nos primeiros meses deste ano, a eficiência de propulsão na frota existente chegou à 7,6%.

Ilustração de um grande navio de carga transportando o Brasil minério de ferro com cinco velas altas giratórias. O texto destaca a redução de CO₂, a economia de combustível, a capacidade de carga e as dimensões das velas. O comprimento do navio é comparado ao da Torre Eiffel e da estátua do Cristo Redentor.
Imagem de Divulgação Vale

A Vale tem utilizado a eficiência adicional para economizar combustível, mantendo o tempo de viagem nas rotas transoceânicas. A principal delas liga o Brasil à China, percurso que evidencia a necessidade de ganho logístico diante da distância em relação a concorrentes baseados na Austrália (que está cerca de três vezes mais perto da China do que o Brasil).

Em paralelo, a companhia avança na diversificação energética da frota. Novos contratos preveem navios com capacidade de operar com diferentes combustíveis, incluindo etanol e metanol, além de opções de adaptação para outras soluções. Recentemente, inclusive, a companhia anunciou a primeira parceria de navio transoceânico movido a etanol.

O uso de velas e combustíveis menos poluentes compõem um conjunto de ações entre as quais estão a aplicação de motores mais eficientes e melhorias hidrodinâmicas, que visam reduzir em 15% as emissões de escopo 3 das embarcações da Vale até 2035. 

Dúvidas mais comuns

As velas rotativas são rotores cilíndricos com quatro metros de diâmetro e 24 metros de altura, equivalente a um prédio de sete andares. Diferentemente das velas tradicionais, essas velas modernas funcionam como uma propulsão adicional que não substitui completamente o motor, mas ajuda a impulsionar o navio para frente, reduzindo significativamente o consumo de combustível e as emissões de poluentes.

As velas rotativas aproveitam a energia do vento para gerar trabalho adicional, funcionando em conjunto com o motor do navio. A pressão do vento empurra as velas e o navio para frente, permitindo que a Vale economize combustível mantendo o tempo de viagem nas rotas transoceânicas. Nos primeiros meses de 2024, a eficiência de propulsão na frota existente chegou a 7,6%, com expectativa de ampliar a eficiência em 6% por navio.

O objetivo principal é reduzir em 15% as emissões de gases de efeito estufa no escopo 3 das embarcações até 2035. Além disso, a adoção da tecnologia eólica visa reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis marítimos, que impactam diretamente o custo de frete da companhia, especialmente importante considerando que a Vale opera rotas mais distantes que seus concorrentes australianos para atender à China.

A Vale atualmente possui oito embarcações equipadas com velas rotativas, incluindo o Valemax, considerado o maior navio de carga de minério do mundo, com capacidade de 400 mil toneladas. A empresa planeja incorporar ao menos 20 navios adicionais equipados com essa tecnologia nos próximos três anos, ampliando significativamente sua frota com propulsão eólica.

Cada navio equipado com velas rotativas deve reduzir as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 3 mil toneladas anuais. Essa redução é alcançada através da combinação de velas rotativas com outras tecnologias, como motores mais eficientes e melhorias hidrodinâmicas, que juntas visam atingir a meta de 15% de redução de emissões até 2035.

A Vale atua em parceria com armadores para ampliar a escala da tecnologia eólica, em vez de concentrar os investimentos apenas em projetos próprios. Essa estratégia de parcerias permite que a companhia expanda mais rapidamente o uso de velas rotativas enquanto compartilha os custos e riscos do investimento com seus parceiros.

Além das velas rotativas, a Vale está diversificando energeticamente sua frota através de novos contratos que preveem navios com capacidade de operar com diferentes combustíveis, incluindo etanol e metanol, além de opções de adaptação para outras soluções. A companhia também está aplicando motores mais eficientes e melhorias hidrodinâmicas, e recentemente anunciou a primeira parceria de navio transoceânico movido a etanol.

A Vale opera rotas mais distantes que seus concorrentes australianos, especialmente a rota Brasil-China, que é cerca de três vezes mais longa. Essa desvantagem geográfica torna essencial o ganho logístico através de tecnologias como velas rotativas e combustíveis alternativos, permitindo que a companhia mantenha competitividade nos custos de frete e tempo de entrega.