Operação de mineração em 2026 com uma grande caminhonete de mineração amarela e uma escavadeira
Foto: Skynight87 / Shutterstock

Cobre, níquel e terras raras devem ser destaque na mineração em 2026

Minerais críticos se juntam aos tradicionais minério de ferro e ouro em projeções positivas para o ano

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 03/02/2026 | Atualizado em 05/02/2026

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  • A mineração brasileira deve crescer em 2026 com destaque para cobre, níquel, terras raras e lítio, impulsionada por investimentos bilionários em projetos paraenses e mineiros que expandem a oferta desses minerais críticos.
  • O déficit global de cobre previsto para meados da década e a demanda de níquel com baixa pegada de carbono pelas montadoras criam oportunidades para o Brasil aumentar sua produção de cobre em até 20% e consolidar liderança em minerais estratégicos.
  • O Plano Decenal de Recursos Minerais (PlanGeo 2026-2035) do Serviço Geológico do Brasil pode ampliar em 79% o número de projetos de mapeamento geológico se recursos forem aumentados, acelerando a exploração de minerais críticos para transição energética.
Resumo revisado pela redação.

As projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) apontam para uma forte tendência de crescimento na mineração de cobre, níquel e terras raras para 2026. Em outras áreas, como o nióbio, o país deve manter sua posição como líder global absoluto. Em mercados como o de grafita, a sinalização é de expansão da capacidade.

No caso dos dois primeiros, os empreendimentos da Vale Base Metals e de outros players em Carajás (Pará) estariam entre os destaques. E eles entram na hora certa, uma vez que as previsões indicam um déficit global de cobre a partir de meados da década, e o Brasil corre para suprir essa lacuna. 

Os projetos paraenses estão recebendo aportes bilionários para expansão e a expectativa é que as novas minas subterrâneas e expansões de cavas já existentes aumentem a oferta brasileira de cobre em até 20% em comparação com o início da década.

Dados do Ibram indicam que o minério de cobre representou 10% do faturamento do setor mineral no terceiro trimestre de 2025 (3T25). Em termos percentuais, o minério apresentou um crescimento de 85% entre o 3T25 e o 3T24. 

Já o níquel brasileiro, com baixa pegada de carbono, é altamente disputado pelas montadoras de automóveis (OEMs) que buscam cumprir metas ambientais, sociais e de governança (ESG).

Para as terras raras há a perspectiva de inicialização de projetos comerciais ao longo do ano e de novos projetos pilotos. As previsões do Ibram no 3T25 indicavam que os investimentos em empreendimentos nessa área somem US$ 2,169 bilhões entre 2025 e 2029.  

Tempos de consolidação

Os dados do Ibram foram citados pelo site Editorialge, que descreve um cenário de consolidação e expansão estratégica. De acordo com a publicação, após anos de mapeamento geológico e reestruturação regulatória, o Brasil entra em uma fase de execução de grandes projetos. Entre os pontos positivos estão a estabilidade política e as novas diretrizes para minerais estratégicos, que teriam criado um ambiente favorável para atrair capital estrangeiro, especialmente de países que buscam reduzir a dependência da Ásia.

A produção de lítio também foi ressaltada, com foco no Vale do Lítio Brasileiro, ou seja, a região norte de Minas Gerais. É nesse local, mais especificamente, no Vale do Jequitinhonha, que se concentram os empreendimentos. Empresas como a Sigma Lithium, que iniciaram sua trajetória anos antes, projetam atingir capacidade máxima ou expansões importantes em 2026.

A previsão é que a produção nacional de “lítio verde” da companhia, caracterizado por baixo uso de carbono e água, ganhe um prêmio de preço (valor adicional) no mercado internacional, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, que valorizam a sustentabilidade na cadeia de suprimentos.

Duas informações nessa área são relevantes. A primeira delas é o diferencial competitivo do lítio brasileiro, extraído de rocha dura (espodumênio), com alta pureza. Isto facilita o processamento para baterias de alta performance.

O segundo dado é a possibilidade de o Brasil ultrapassar 100 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE) anuais, reforçando a posição do país entre os maiores produtores mundiais.

A expansão da mineração brasileira também pode ser impulsionada nos próximos anos pelo Plano Decenal de Recursos Minerais mais atual (PlanGeo 2026-2035), elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Essa iniciativa prioriza áreas estratégicas do território nacional para execução de projetos temáticos relacionados a minerais estratégicos e críticos para a transição energética e segurança alimentar, além de iniciativas voltadas à inteligência mineral, rochas e minerais industriais, gemas e minerais nucleares, entre outras.

Mapeamento geológico

O SGB projeta dois cenários para aumentar o conhecimento geológico brasileiro. No primeiro deles, a instituição prevê a execução de projetos com a equipe atual e recursos financeiros anuais mantidos na média dos últimos cinco anos.

Já o outro cenário considera um aumento de, no mínimo, 50% na equipe executora e uma ampliação de 100% nos investimentos financeiros anuais para os próximos dez anos, também em relação à média dos últimos cinco anos.

A adoção desse cenário mais otimista permitiria a execução de 259 projetos e a entrega de 520 produtos no período de 2026 a 2035, representando um aumento de 79% no número de projetos e 68% no número de produtos em comparação ao cenário conservador.

Não se trata apenas de estatísticas, mas de incremento de iniciativas como a ampliação das áreas de estudo, com destaque para os projetos ativos voltados a substâncias como lítio, cobre, terras raras, níquel, urânio, cobalto e grafita, além de iniciativas para manganês, hidrogênio natural e tungstênio, entre outros.

A expansão das áreas de estudo em projetos temáticos de minerais críticos e estratégicos para a segurança alimentar, com ênfase nos projetos ativos para potássio, fosfato e agrominerais é outro dos ganhos com o incremento da atuação do SGB.

Dúvidas mais comuns

De acordo com as projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cobre, níquel e terras raras devem ser os principais destaques da mineração em 2026. Além desses, o Brasil deve manter sua posição como líder global em nióbio, enquanto grafita também apresenta sinais de expansão de capacidade. Esses minerais críticos se juntam aos tradicionais minério de ferro e ouro nas projeções positivas para o setor.

O cobre é estratégico porque as previsões indicam um déficit global a partir de meados da década, e o Brasil está se posicionando para suprir essa lacuna. Projetos da Vale Base Metals e outros players em Carajás (Pará) devem aumentar a oferta brasileira de cobre em até 20% em comparação com o início da década. O minério de cobre representou 10% do faturamento do setor mineral no terceiro trimestre de 2025, com crescimento de 85% em relação ao mesmo período de 2024.

O níquel brasileiro possui baixa pegada de carbono, o que o torna altamente disputado pelas montadoras de automóveis (OEMs) que buscam cumprir metas ambientais, sociais e de governança (ESG). Esse diferencial competitivo posiciona o Brasil como fornecedor preferencial para empresas comprometidas com sustentabilidade e responsabilidade ambiental.

O valor de 1 kg de terra rara pode variar significativamente no mercado mundial, com potencial para atingir entre mil a cinco mil dólares por quilograma. Essa variação de preço reflete a importância estratégica desses minerais e a demanda global crescente por terras raras para aplicações tecnológicas e de transição energética.

O Brasil projeta atingir mais de 100 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE) anuais, reforçando sua posição entre os maiores produtores mundiais. Empresas como a Sigma Lithium devem atingir capacidade máxima ou expansões importantes em 2026. O lítio brasileiro, extraído de rocha dura (espodumênio) com alta pureza, é caracterizado como 'lítio verde' por seu baixo uso de carbono e água, ganhando prêmio de preço no mercado internacional, especialmente na Europa e Estados Unidos.

O PlanGeo 2026-2035 é o Plano Decenal de Recursos Minerais elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) que prioriza áreas estratégicas do território nacional para execução de projetos temáticos relacionados a minerais estratégicos e críticos para a transição energética e segurança alimentar. Essa iniciativa também abrange inteligência mineral, rochas e minerais industriais, gemas e minerais nucleares, criando um ambiente favorável para expansão da mineração brasileira nos próximos anos.

As previsões do Ibram no terceiro trimestre de 2025 indicavam que os investimentos em empreendimentos de terras raras somem US$ 2,169 bilhões entre 2025 e 2029. Esses investimentos refletem a perspectiva de inicialização de projetos comerciais ao longo de 2026 e de novos projetos pilotos nessa área estratégica.

O Brasil criou um ambiente favorável através da estabilidade política e novas diretrizes para minerais estratégicos, atraindo especialmente capital estrangeiro de países que buscam reduzir a dependência da Ásia. Após anos de mapeamento geológico e reestruturação regulatória, o país entra em uma fase de execução de grandes projetos, consolidando sua posição como fornecedor confiável de minerais críticos para a transição energética global.