As projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) apontam para uma forte tendência de crescimento na mineração de cobre, níquel e terras raras para 2026. Em outras áreas, como o nióbio, o país deve manter sua posição como líder global absoluto. Em mercados como o de grafita, a sinalização é de expansão da capacidade.
No caso dos dois primeiros, os empreendimentos da Vale Base Metals e de outros players em Carajás (Pará) estariam entre os destaques. E eles entram na hora certa, uma vez que as previsões indicam um déficit global de cobre a partir de meados da década, e o Brasil corre para suprir essa lacuna.
Os projetos paraenses estão recebendo aportes bilionários para expansão e a expectativa é que as novas minas subterrâneas e expansões de cavas já existentes aumentem a oferta brasileira de cobre em até 20% em comparação com o início da década.
Dados do Ibram indicam que o minério de cobre representou 10% do faturamento do setor mineral no terceiro trimestre de 2025 (3T25). Em termos percentuais, o minério apresentou um crescimento de 85% entre o 3T25 e o 3T24.
Já o níquel brasileiro, com baixa pegada de carbono, é altamente disputado pelas montadoras de automóveis (OEMs) que buscam cumprir metas ambientais, sociais e de governança (ESG).
Para as terras raras há a perspectiva de inicialização de projetos comerciais ao longo do ano e de novos projetos pilotos. As previsões do Ibram no 3T25 indicavam que os investimentos em empreendimentos nessa área somem US$ 2,169 bilhões entre 2025 e 2029.
Tempos de consolidação
Os dados do Ibram foram citados pelo site Editorialge, que descreve um cenário de consolidação e expansão estratégica. De acordo com a publicação, após anos de mapeamento geológico e reestruturação regulatória, o Brasil entra em uma fase de execução de grandes projetos. Entre os pontos positivos estão a estabilidade política e as novas diretrizes para minerais estratégicos, que teriam criado um ambiente favorável para atrair capital estrangeiro, especialmente de países que buscam reduzir a dependência da Ásia.
A produção de lítio também foi ressaltada, com foco no Vale do Lítio Brasileiro, ou seja, a região norte de Minas Gerais. É nesse local, mais especificamente, no Vale do Jequitinhonha, que se concentram os empreendimentos. Empresas como a Sigma Lithium, que iniciaram sua trajetória anos antes, projetam atingir capacidade máxima ou expansões importantes em 2026.
A previsão é que a produção nacional de “lítio verde” da companhia, caracterizado por baixo uso de carbono e água, ganhe um prêmio de preço (valor adicional) no mercado internacional, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, que valorizam a sustentabilidade na cadeia de suprimentos.
Duas informações nessa área são relevantes. A primeira delas é o diferencial competitivo do lítio brasileiro, extraído de rocha dura (espodumênio), com alta pureza. Isto facilita o processamento para baterias de alta performance.
O segundo dado é a possibilidade de o Brasil ultrapassar 100 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE) anuais, reforçando a posição do país entre os maiores produtores mundiais.
A expansão da mineração brasileira também pode ser impulsionada nos próximos anos pelo Plano Decenal de Recursos Minerais mais atual (PlanGeo 2026-2035), elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Essa iniciativa prioriza áreas estratégicas do território nacional para execução de projetos temáticos relacionados a minerais estratégicos e críticos para a transição energética e segurança alimentar, além de iniciativas voltadas à inteligência mineral, rochas e minerais industriais, gemas e minerais nucleares, entre outras.
Mapeamento geológico
O SGB projeta dois cenários para aumentar o conhecimento geológico brasileiro. No primeiro deles, a instituição prevê a execução de projetos com a equipe atual e recursos financeiros anuais mantidos na média dos últimos cinco anos.
Já o outro cenário considera um aumento de, no mínimo, 50% na equipe executora e uma ampliação de 100% nos investimentos financeiros anuais para os próximos dez anos, também em relação à média dos últimos cinco anos.
A adoção desse cenário mais otimista permitiria a execução de 259 projetos e a entrega de 520 produtos no período de 2026 a 2035, representando um aumento de 79% no número de projetos e 68% no número de produtos em comparação ao cenário conservador.
Não se trata apenas de estatísticas, mas de incremento de iniciativas como a ampliação das áreas de estudo, com destaque para os projetos ativos voltados a substâncias como lítio, cobre, terras raras, níquel, urânio, cobalto e grafita, além de iniciativas para manganês, hidrogênio natural e tungstênio, entre outros.
A expansão das áreas de estudo em projetos temáticos de minerais críticos e estratégicos para a segurança alimentar, com ênfase nos projetos ativos para potássio, fosfato e agrominerais é outro dos ganhos com o incremento da atuação do SGB.
Dúvidas mais comuns
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De acordo com as projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cobre, níquel e terras raras devem ser os principais destaques da mineração em 2026. Além desses, o Brasil deve manter sua posição como líder global em nióbio, enquanto grafita, lítio e outros minerais críticos também apresentam perspectivas de expansão. Esses minerais são essenciais para a transição energética e tecnologias de alta performance.
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O cobre é estratégico porque as previsões indicam um déficit global a partir de meados da década, e o Brasil está posicionado para suprir essa lacuna. Os projetos da Vale Base Metals e outros players em Carajás (Pará) devem aumentar a oferta brasileira de cobre em até 20% em comparação com o início da década. O minério de cobre representou 10% do faturamento do setor mineral no terceiro trimestre de 2025, com crescimento de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior.
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O níquel brasileiro possui baixa pegada de carbono, o que o torna altamente disputado pelas montadoras de automóveis (OEMs) que buscam cumprir metas ambientais, sociais e de governança (ESG). Essa característica sustentável oferece uma vantagem competitiva significativa no mercado global, especialmente entre empresas comprometidas com a redução de emissões.
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As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio. Esses minerais são utilizados em tecnologias de alta performance, eletrônicos, energias renováveis e defesa. Para o Brasil, há perspectiva de inicialização de projetos comerciais ao longo de 2026, com investimentos previstos de US$ 2,169 bilhões entre 2025 e 2029.
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O lítio brasileiro é extraído de rocha dura (espodumênio) com alta pureza, o que facilita o processamento para baterias de alta performance. Além disso, o lítio verde produzido pela Sigma Lithium e outras empresas é caracterizado pelo baixo uso de carbono e água, ganhando prêmio de preço no mercado internacional, especialmente na Europa e Estados Unidos. O Brasil projeta ultrapassar 100 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE) anuais, reforçando sua posição entre os maiores produtores mundiais.
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O PlanGeo 2026-2035, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), prioriza áreas estratégicas do território nacional para execução de projetos temáticos relacionados a minerais estratégicos e críticos para a transição energética e segurança alimentar. O plano também inclui iniciativas voltadas à inteligência mineral, rochas e minerais industriais, gemas e minerais nucleares, impulsionando a expansão da mineração brasileira nos próximos anos.
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O cenário mais otimista do Serviço Geológico do Brasil prevê um aumento de no mínimo 50% na equipe executora e ampliação de 100% nos investimentos financeiros anuais para os próximos dez anos. Isso permitiria a execução de 259 projetos e a entrega de 520 produtos entre 2026 e 2035, representando um aumento de 79% no número de projetos e 68% no número de produtos em comparação ao cenário conservador, com foco em lítio, cobre, terras raras, níquel, urânio, cobalto e grafita.
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A estabilidade política, as novas diretrizes para minerais estratégicos e a consolidação após anos de mapeamento geológico e reestruturação regulatória estão criando um ambiente favorável para atrair capital estrangeiro. Países que buscam reduzir a dependência da Ásia veem o Brasil como uma alternativa estratégica. Além disso, a fase de execução de grandes projetos, após o mapeamento geológico, posiciona o país como um destino atrativo para investimentos em mineração.